domingo, 29 de junho de 2008

A Adaptabilidade e Humanização das Construções Hospitalares




O hábito faz ou não o monge?!!!
O desenho publicitário do futuro Hospital de Todos os Santos divulgado na Internet sugere uma "caixa azul com uma gravata cheia de números".
Qual a adaptabilidade de um edifício monobloco?






Outro paradigma " Hospital Pediátrico de Darmstad "- Edifícios geríveis e humanizados!
Hospitais que servem a população e a criança. Sensibilidades que consideram que ambiente e arquitectura fazem parte do tratamento.







A opção multi modular favorece a adaptabilidade!





Sala de quimioterapia de outro Hospital Pediátrico. Não se trata por certo de um Hospital em que o ambiente pediátrico depende de biombos!







ARTIGO DE OPINIÃO

"A ADAPTABILIDADE E HUMANIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS HOSPITALARES"


No filme ficcionado apresentado em 4 de Junho no auditório do H.D.Estefania sobre o futuro H.T.Santos, frisou-se como qualidade intrínseca a sua “ adaptabilidade “.
Sem pretensões a juízos definitivos expomos um ponto de vista crítico sobre a contradição entre “adaptabilidade” e um mega edifício monobloco.
Os equipamentos hospitalares devem dar a melhor resposta não só às necessidades actuais mas também às previsíveis num horizonte temporal de cerca de 20 anos.
Numa época de grandes mudanças em que a evolução tecnológica é exponencial e as variáveis imprevisíveis, é obrigatório incorporar no plano arquitectónico das construções hospitalares uma plasticidade adaptativa que contemple as possibilidades de evolução de forma a procurar contrariar a rápida obsolência.
Este conceito, simples regra de bom senso, referido em todos os manuais modernos, faz parte dos pressupostos do plano funcional do futuro Hospital de Todos os Santos como Hospital Moderno que se ambiciona.
No plano vigente, e que vivamente criticamos, este é apresentado como um mega edifício monobloco, tal qual o antigo Hospital de Todos os Santos em que historicamente se inspiraram (ver artigo no Blog) e mais modernamente nos mega edifícios da era Hospital Tecnológico da décadas entre 20 e 50 do século passado desenvolvidos nos E.U.A.

Com vista a melhor explicar estes conceitos recorremos a literatura especializada e transcrevemos alguns excertos do artigo:


“ Do Hospital Terapêutico ao Hospital Tecnológico”
(fórum sobre arquitectura hospitalar)

-inicio de citação –

“ O advento da antibioterapia e o domínio da tecnologia do concreto armado e a fabricação de elevadores com maior velocidade e capacidade de carga estimulavam a adopção de um partido vertical, capaz de diminuir de forma drástica os longos percursos impostos, principalmente aos médicos e enfermeiras, pelos intermináveis corredores dos hospitais pavilhonares. Construídos na década de 20, organizavam as funções hospitalares em cinco sectores básicos: no subsolo os serviços de apoio, no térreo os consultórios médicos, o pronto atendimento e o serviço de raios X (então chamado de eletromedicina), no primeiro andar o laboratório e os serviços administrativos, nos pavimentos intermediários as áreas de internamento, no último o bloco operatório.
O sótão era usualmente ocupado pelos residentes médicos e de enfermagem (Miquelin, 1992:54).
O novo modelo incorporava duas importantes inovações tecnológicas na construção de
Edificações: o uso do concreto armado e de elevadores (Mumford, 1961; Foucault, 1979
Benchimol, 1990; Gordon, 1993).”

“As tentativas de humanização do atendimento hospitalar podem ser encaradas como uma reacção recente à hegemonia do hospital tecnológico e vêm sendo levadas a efeito com diferentes graus de profundidade e abrangência:

. Inicialmente, pela própria negação do hospital tradicional, em prol dos hospitais dia e da utilização crescente das técnicas de home-care, mediante as quais as facilidades tecnológicas, anteriormente restritas ao ambiente hospitalar, são levadas às residências dos pacientes.

. Mais recentemente com o surgimento de diversos movimentos que propõem a humanização do ambiente hospitalar, melhorando as condições de conforto para pacientes e acompanhantes, ora através de uma maior atenção às áreas de espera, consultórios, enfermarias e descanso de funcionários, ora pela adopção de tratamentos arquitectónicos diferenciados, inclusive no que se refere ao uso das cores, especialmente nos hospitais infantis, maternidades e hospitais geriátricos, nos quais os espaços começam a ser tratados de forma a reproduzir, sempre que possível, o ambiente familiar.

Finalmente, em um outro patamar, mais evoluído, estão outras propostas recentes que defendem para a edificação hospitalar um papel mais relevante no processo de cura de seus pacientes, buscando uma maior integração entre as práticas e procedimentos médicos e os espaços que lhes são reservados. “
Fim de citação

(Sublinhado nosso)



Para além de todos os inconvenientes (dificuldade na gestão administrativa, dificuldade no combate de catástrofes, desumanização dos grandes espaços etc.), estes grandes edifícios couraçados estão intrinsecamente desprovidos de capacidade de adaptativa.

É intuitivo que apenas uma concepção arquitectónica que contemple edifícios diferenciados e multi módulos pode comportar intrinsecamente esta leveza e adaptabilidade, humanidade e o ambiente pediátrico.

Tal predicado atribuído ao HTS,de acordo com plano funcional em vigor que o caracterizou como um Hospital Tecnológico e Monobloco,não é exequível.
Para além desta lógica intuitiva salienta-se que esta concepção multi modular é a única que permitirá a existência de um Hospital Pediátrico plenamente diferenciado em Lisboa, pela qual 76.000 portugueses já se mostraram inequivocamente a favor.

Esta nossa percepção foi analisada por uma apoiante com conhecimentos técnicos e que, não se referindo especificamente ao futuro HTS, escreveu:


“Ressalvando o facto de não me dedicar a este tipo de projectos e portanto com carácter genérico e eventualmente desajustada a situação particular, a questão da flexibilidade e adaptabilidade serão sempre melhores, num esquema multi-módulos de menor altura do que num monobloco mais alto, pelas maiores possibilidades de aumentar o número de edifícios nos interstícios, desde que essa expansão eventual esteja pensada e programada num plano que preveja, no mínimo, espaços verdes
entre edifícios onde se possa ter área suficiente para num primeiro momento usufruir de alguma paz e num segundo momento se possa construir um edifício com área suficiente para justificar o investimento.
De outra forma, todas as intervenções de acrescentos acabam por ser anexos ou apêndices, geralmente com carácter "provisório" pois é visível que não poderão apresentar as melhores condições, mas que acabam por se prolongar no tempo”


Fim de citação

Ao sermos frontais assumimos a possibilidade de incorrermos em erro. Sem turbulência não há mudança!

Enviem outras opiniões, corrijam-nos!




Antigo Plano funcional!



Local


Nota final: Temos informações que o plano funcional actual foi substituído por outro em que serão construídos vários edifícios de oito andares.
Indaga-se, caso verdade, porque estes planos não são divulgados?


Assina : Pedro Paulo Machado Alves Mendes
Médico Radiologista Hospital D. Estefânia - Lisboa

terça-feira, 24 de junho de 2008

Artigo de Opinião : O Porque dos Serviços de Imagiologia Pediatricos

INTRODUÇÃO PRÉVIA :
Na reunião de 4 de Junho, convocada pelo C.A. do Centro Hospitalar, para apresentação do futuro Hospital de Todos os Santos, fizeram constar que:
"O SERVIÇO DE IMAGIOLOGIA PEDIATRICO SERÁ PARTILHADO COM O DE ADULTOS".



Uma Ressonância Magnética de Campo Aberto, apropriada a criança, num Hospital Pediátrico Terciário Moderno e que faça parte da capital de um País, já não do 1º, pelo menos do.. 2º ou 3º mundo!















Enviaram-nos um artigo de opinião crítico ao conceito de Serviço de Radiologia transversal a adultos e crianças, defendido pelos criadores do plano funcional do H.T.S. na reunião de 4 de Junho, que agradecemos e publicamos na íntegra: -

TITULO


" PORQUE DEFENDEMOS UM SERVIÇO DE RADIOLOGIA PEDIÁTRICO"

O bem-estar da criança e o seu valor na sociedade dependem da cultura e do clima económico que a rodeia.
O primeiro hospital pediátrico “Dispensary for sick children “ data de 1769, em Londres e dirigia-se a crianças órfãs ou abandonadas. Encerra doze anos depois por falta de suporte financeiro. Nos Estados Unidos, o primeiro hospital pediátrico surge em 1855 em Philadelphia, seguido pela abertura de outros hospitais pediátricos como o de Chicago em 1865 e o de Boston em 1869. Em Portugal o hospital de Dona Estefânia, dedicado às crianças de Lisboa, data de 1860 e foi um dos pioneiros na Europa. A especialidade médica de pediatria nasce em 1893 na escola Médica de Harvard com o professor Thomas Morgan Rotch, o mesmo, que em 1910, publica o primeiro livro de radiologia pediátrica «The Roentgen Method of Pediatrics». A radiologia pediátrica evoluiu lentamente devido a aparelhagem de RX inadequada à população pediátrica sendo necessário um tempo de exposição muito longo para obter uma radiografia. Na década 1920-1930 vários serviços de radiologia foram criados exclusivamente para hospitais pediátricos. Mas é depois da segunda guerra mundial que a especialidade de radiologia pediátrica irrompe. Em 1945 J.Caffey publica o segundo livro de radiologia pediátrica. No final do século XX com o aperfeiçoamento dos equipamentos de RX, a computorização e a explosão de novas técnicas de imagem médica, não utilizando radiação ionizante e sem efeitos biológicos conhecidos, a investigação imagiológica torna-se adequada à criança, sendo hoje a radiologia pediátrica uma ferramenta imprescindível à prática clínica.
O Serviço de Radiologia Pediátrica deve adaptar-se ao meio hospitalar em que está inserido, respondendo com qualidade e prontidão aos exames solicitadas pelas especialidades médicas e cirúrgicas, em doentes internados, externos, ou provindo do Serviço de Urgência.
Um Serviço de Imagiologia dedicado à população pediátrica requer particular atenção:
- Na preparação teórica e prática dos seus profissionais (médicos, técnicos, enfermeiros, auxiliares de acção médica, administrativos).
- No seu equipamento: radiologia convencional, ecografia, tomografia computorizada (TC) e ressonância magnética (RM).
- No atendimento.

A imagiologia Pediátrica requer conhecimentos específicos no domínio da anatomia, fisiologia, fisiopatologia, e patologia pediátrica em muito diferente da do adulto e que se estende desde a idade pré natal ao adolescente; os médicos especialistas nesta área devem também ter um perfeito domínio das técnicas imagiológicas permitindo escolher as estratégias de diagnóstico mais adequadas à criança, optimizar os métodos menos invasivos, sem radiação ionizante e efectuar ou orientar a sua execução de forma consciente e segura. A interpretação desses exames é um desafio contínuo sendo de grande importância a discussão pluridisciplinar com os outros Serviços hospitalares pediátricos médicos e cirúrgicos.
Os técnicos de radiologia, tal como os médicos devem ter treino específico para a realização de exames em idade pediátrica com particular atenção às formas de imobilização da criança, que variam consoante o exame solicitado e o grupo etário e às doses de radiação, respeitando a menor dose de radiação necessária para obter uma imagem com leitura. O trabalho exclusivamente dedicado a este grupo etário permite-lhes uma facilidade de actuação, tornando desnecessárias repetições de “disparos”, de películas ou de outras incidências complementares, beneficiando largamente a criança, poupando-a a doses desnecessárias de radiação e encurtando o tempo do exame.
A colaboração de outros médicos no Serviço de Radiologia Pediátrica, em particular dos Anestesiologistas também é amplamente favorecida com a dedicação destes à Pediatria.
Os procedimentos de enfermagem devem ser manipulados por enfermeiros familiarizados com a prática pediátrica, de forma a decorrerem com maior tranquilidade e de modo menos traumatizante para esses jovens pacientes. Administrativos e auxiliares de acção médica devem também estar adaptados às especificidades das suas funções no Serviço de Radiologia Pediátrica.
A imagiologia médica está dependente dos equipamentos que dispõe. É necessário que os vários equipamentos imagiológicos que integram um Serviço de Radiologia Pediátrica sejam de alta gama e adaptados à população pediátrica com os diversos acessórios. Todo o material médico presente nesse Serviço obrigatoriamente obedece aos requisitos pediátricos tais como o material anestésico ou o carro de emergência médica.
O acolhimento da criança no Serviço de Radiologia é outro aspecto importante a privilegiar. Um exame imagiológico pode correr mal apenas porque não se conseguiu sossegar a criança e obrigar a atitudes mais invasivas como a sedação ou a anestesia. Acalmar a criança passa em primeiro lugar pelos pais que podem estar assustados não só pela forma como irá decorrer o exame como pelo resultado. Uma informação prévia aos pais explicando a importância do exame, a necessidade de uma preparação (jejum, bexiga cheia, etc.), no que consiste e as várias etapas, pode ajudar a responder à ansiedade dos pais e transformá-los em “preciosos” aliados. O bem-estar da criança permite reduzir o medo. A sala de espera deve ser um local agradável e de descontracção com ambientes próprios a cada subgrupo. Uma área mais carinhosa para os lactentes onde podem ser amamentados, limpos e adormecidos. Uma área de brincadeira com múltiplos jogos para crianças pequenas, uma televisão com vídeos passando desenhos animados com heróis conhecidos cativando mais a atenção das crianças em idade pré-escolar. Uma consola com jogos interactivos para crianças em idade escolar. Algumas revistas de moda e jornais desportivos para adolescentes e alguns pais…A distribuição de guloseimas ou a promessa de uma recompensa no final do exame são outras formas de cativar a simpatia dos nossos pequenos utentes. Um ambiente alegre ajuda a superar o tempo de espera.
As salas de exame não podem ser assustadoras. A decoração da sala, muitas vezes a cargo dos Psicólogos, contribui para minimizar o medo do equipamento. Durante a exploração imagiológica a atitude do médico ou do técnico que executa o exame deve adaptar-se não só à gravidade do doente mas à idade da criança para obter o máximo de colaboração. No Recém-Nascido o conforto físico é o principal requisito. Na criança pequena a presença da mãe é fundamental. A criança em idade escolar é receptiva á explicação do exame, demonstra curiosidade em ver as imagens e até vontade em ajudar. O adolescente apesar por vezes do seu grande tamanho reage de forma diferente do adulto. É um período de transição, de afirmação e por vezes de grande turbulência. Deve se respeitar ao máximo a sua personalidade. Pode já ter uma vida sexual activa. Pode querer privacidade e optar pela não presença dos pais na sala.
Estes conceitos são pedra angular de bom funcionamento dum Serviço de Radiologia Pediátrica. Misturar crianças com adultos doentes num mesmo Serviço de Radiologia, desumaniza o atendimento e reduz as capacidades técnicas e profissionais. É importante, se forem necessários mais exames, que a criança volte ao Serviço de Radiologia com um sorriso nos lábios.
É à volta dessa sorriso que a equipa de radiologia pediátrica se une.

Assina: E.S.




Alguns comentários relativamente ao artigo supracitado :

Obviamente existem opiniões divergentes entre pares.
Desafiamos os colegas que não concordam com o acima exposto que expliquem porque a quase totalidade dos autores dos artigos e dos livros de radiologia pediátrica são médicos que exercem em Serviços de Radiologia de Hospitais Pediátricos e não em Hospitais Generalistas, como se propõe ser o futuro Hospital de Todos os Santos. O facto da produção científica ser quase exclusivamente proveniente dos Serviços de Radiologia de Hospitais Pediátricos especializados e não dos Generalistas, prova que é esta dedicação e especialização que permitem atingir a excelência e a criação de ciência.Justificamos assim porque a diluição das sub especialidades em serviços transversais é, no que diz respeito à Pediatria, um retrocesso redutor à era da pré-especialização.

Se tem dúvidas, pesquise na Net : "Radiology childrens Hospitals" e confirme conosco que a era dos exames radiológicos infantis realizados em equipamentos para adultos está ultrapassada há mais de 20 anos!

O Hospital de Todos os Santos que se diz "de ponta", eventualmente aniquilará o Serviço de Radiologia Pediátrico especializado, resumindo-o, segundo algumas opiniões, apenas á ecografia e á radiologia, sem possuir quadro técnico diferenciado e "esquecendo", inclusive, a obrigatoriedade da sala pediátrica com intensificador de imagem para exames contrastados.

O tempo de ocupação da sala que implica o exame pediátrico, a especificidade e o número de RNMs e TCs hoje realizados na Zona Sul, justificam per si , equipamentos dedicados( com uma eventual rentabilização marginal para ginecologia - obstetricia, mas nunca para as outras patologias do adulto e geronte.)
Trata-se assim de um projecto ultrapassado ( procurem imaginar como os julgaria o Prof. Dr. J. Caffey caso se apresentassem como defensores de um Serviço de Radiologia Transversal e indiferenciado...)

Exemplificamos o que afirmamos sem qualquer esforço, transcrevendo um artigo obtido através duma pesquisa rápida na Net:-

Radiology Services at The Children’s HospitalThe Mae Boettcher Center for Pediatric Imaging at The Children’s Hospital is recognized for their expertise in imaging and evaluating a broad spectrum of childhood diseases and conditions use state-of-the-art diagnostic equipment with special pediatric features. The Radiology team at The Children’s Hospital has special equipment designed just for children, making tests more comfortable for kids and also producing more accurate information for our specialists. The Radiology team at The Children’s Hospital consists of board-certified and fellowship-trained pediatric radiologists. Our team works with kids, and only kids, every day. This means they are comfortable dealing with kids and making them feel safe in the test environment. When necessary, conscious sedation is frequently substituted for general anesthesia depending on patient age and type of procedure.

Conditions Treated
Imaging services are performed for all childhood diseases or conditions, including:

Cardiovascular conditions
Chest and respiratory conditions
Gastrointestinal conditions
Neonatal conditions
Neurological conditions
Oncology conditions
Orthopedic conditions
Skeletal conditions
Traumatic injury
Urologic conditions
Imaging Technologies Provided at The Children’s Hospital
Radiography and X-rays
Ultrasound
Magnetic Resonance Imaging (MRI)
MRI is particularly useful in evaluating neurologic, orthopedic and oncologic disorders. The technology's unprecedented image accuracy can mean the early detection and treatment of many diseases. Magnetic resonance angiography (MRA) allows for non-invasive visualization of veins and arteries without intravenous contrast administration. Maximum patient comfort and security including:

Noise cancelling technology and music to help children relax
Two-way audio system so child and clinician can communicate throughout the exam
Constant closed-circuit TV supervision for complete patient safety
Computerized Tomography (CT or CAT Scan)
A CT, or CAT, scan enables specialists at The Children’s Hospital to look at ‘slices’ of a patient’s body. The use of contrast agents, administered through an IV, can be used, depending on the tissues that need to be seen. High-speed, high-resolution technology with spiral scan capability permits an entire abdominal exam to be performed in less than 10 minutes. Fluoroscopic CT with real time imaging is used for CT guided intervention. Scanning and programmable sub-second imaging can eliminate the need for sedation with most children.


No futuro Hospital de Todos Santos o Servico de Radiologia será comum com o de adultos !
Como afirmar, então, tratar-se do plano funcional de um Hospital Moderno!?

Apoia a plataforma! Defende um Hospital Pediátrico Especializado para Lisboa!



segunda-feira, 16 de junho de 2008

Reflexões sobre o alegado “problema sentimental” que imputam como sendo a motivação preponderante na Campanha em Defesa do HDE.

Continuamos aqui a critica sobre "o dito" na reunião de 4 de Junho com o C.A. do Centro Hospitalar

Reflexões sobre o alegado “problema sentimental ” que imputam como sendo a motivação preponderante na Campanha em Defesa do HDE.




Alguém ,conscientemente, poderá confundir o Hospital D. Estefânia com o Hospital do Desterro?

Alguém poderá deixar de perceber o significado histórico, científico e cultural que é pactuar com a destruição do HDE, berço da Pediatria Portuguesa, tomando a titulo de exemplo de integração a comparação do HDE com a dum Hospital como o do Desterro, que dispunha na ocasião do seu encerramento de apenas duas valências de referência,já pré-existentes noutros hospitais do grupo !!?

Quando se afirma que as mudanças e transições custam, mas que fazem parte da vida e são um ónus a pagar em favor duma real melhoria na prestação de cuidados de saúde das populações, quem não concorda???.

Utilizando com exemplo o Hospital do Desterro, compreendemos que os seus funcionários tenham sentido pena, mas era imprescindível uma reorganização da carta Hospitalar. Uma eventual cedência ao compreensível sentimentalismo, nessa situação, teria sido inaceitável.

Confundir, contudo, esta integração com a destruição irreversível e a diluição do único Hospital Pediátrico de Lisboa e Zona Sul, e o único do grupo com creditação internacional, descaracterizando-o agora no Centro Hospitalar para o fazer depois desaparecer no futuro HTS, será, a consumar-se, um acto de Lesa Pátria,e reflecte, no mínimo, insensibilidade e desconhecimento da matéria em estudo.

Ns reunião realizada em ( 4/06/2008) no HDE, um dos defensores do actual projecto, respondendo á indagação feita por um dos presentes, sobre o destino do HDE, disse em tom "compreensivo" que entendia as objecções e sentimentos das pessoas em relação aos planos que se pretendem aplicar ao HDE pois já tinha passado por processo similar no seu extinto Hospital…

Ressalta-se o fato de, nesta reunião, ter ficado patente no silêncio presente, o repúdio á política prevista para o centenário Hospital D.Estefânia, tão considerado pelos portugueses (A petição em sua defesa já com mais de 76000 assinaturas, assim o comprova!).

Não se pode imaginar e fica-se sem palavras ante o fato de terem descartado e nem "trazido á baila" algum estudo prevendo opções para a requalificação e melhoria do HDE ou para a criação de um novo hospital pediátrico para Lisboa !

Para nós é inconcebível a política que se intenta para o HDE. È difícil perceber o alcance e as consequências destas medidas que nos impõe!

Face a isto é fácil compreender porque as manifestações de repúdio muitas vezes não são expressas, o nível do desagrado é de tal ordem que sua resposta poderá não ser compatível com a civilidade necessária na interacção ao vivo!

Senhores, não se confundam nem esperem confundir-nos! O que se passa é que vocês, talvez inconscientemente, estão objectivamenete a destruir o berço da pediatria portuguesa e o único Hospital que lhe é dedicado da Zona Sul do País !

domingo, 8 de junho de 2008

Sobre a Reunião para Apresentação do Hospital de Todos os Santos pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar





























































No dia 4 de Junho de 2008 , realizou-se no auditório do Hospital de D. Estefania uma reunião organizada pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar. Rica em ilações procuraremos analisa-la de forma sistematizada ao longo de vários textos que publicaremos no Blog e Boletim .

Nesta reunião o primeiro ponto da ordem de trabalhos foi :

Apresentação do Hospital de Todos os Santos ( filme)


A esta apresentação se reportara primeiro texto que aqui publicaremos onde faremos uma critica a apresentação ficcionada e projectiva do Hospital, apresentada em vídeo que inaugurou a reunião e procurou estabelecer a relação e semelhanca de objectivos do novo hospital com o primeiro Hospital de Todos os Santos, mandado erigir pelo rei D. João II em 15 de Maio de 1492 e inaugurado pelo Rei D. Manuel em 1501.

Apresentação do Hospital de Todos os Santos (filme) •


Em primeiro lugar saudamos o facto de ter sido realizada uma Sessão Pública sobre o Plano Funcional do futuro Hospital de Todos os Santos.
Até o presente todas os factos eram dados com adquiridos e os funcionários estavam afastados de qualquer opinião.

Folgamos ainda em saber que se trata de um plano ainda em aberto a reformulações e que o antigo (que vivamente aqui criticamos) esta a ser alvo de completa reformulação, admitindo-se agora individualização do edifício pediátrico. (positivo, mas que quanto à nós por si insuficiente de acordo com documento da antiga Comissão médica)

Julgamos que assim implicitamente concordam que as opiniões que temos emitido são construtivas e nossa luta benéfica para a criança.

Pensamos contudo que não será em reuniões daquele tipo que poderão se chegar a consensos esclarecedores.

È imprescindivel criar comissões de consultadoria com representividade cientifica , clínica e técnica para acompanhamento para o novo plano funcional. Há que dar divulgação na Internet e publica do novo plano director e das propostas para sua melhoria . Há que solicitar as Direcções e Serviços pareceres e propostas .

Só desta forma se evitam lapsos amadores (como por exemplo a o do equipamento da neonatologia em que se provou que o numero de camas proposto foi feita ao acaso sem aconselhamento ou mera opinião da Direcção do Serviço).
È obrigatório envolver o corpo clinico do HDE no projecto se o quizermos coerente e fundamentado.

Sem a criação de estruturas de consultadoria para criação de um plano funcional , qualquer discussão é formal e sem efeitos praticos e estas sessões de esclarecimento " serviram apenas para iludir a inexistência de um plano fundamentado e serão propagandisticas.

Pretendemos assim de forma sistematizada e acompanhando a agenda da reunião analisar alguns dos temas abordados.

Neste artigo, principiaremos pelo enquadramento histórico do projecto que nos foi proporcionado através de um filme publicitário que inaugurou a referida sessão informativa.

Nesta apresentação ficcionada e projectiva do Hospital, os criadores do projecto procuraram estabelecer-se a relação e semelhança de objectivos com a história do primeiro Hospital de Todos os Santos, mandado erigir pelo rei D. João II em 15 de Maio de 1492 e inaugurado pelo Rei D. Manuel em 1501.

O antigo Hospital foi, como é patente na gravura em epigrafe, de um belo e grandioso Hospital monobloco que foi sucessivamente reconstruído e finalmente destruído após três grandes incêndios, o último dos quais na sequência do grande Terramoto de Lisboa, em 1755.
Interessa assim saber se a longa mas triste história do antigo H.T.S., trás algum ensinamento a reter e aproveitar no novo projecto em que referiram como paradigma. Quanto a nos sim, mas esta não parece ter sido assimilada pelos defensores actuais que persistem no mesmo erro que facilitou a destruição do antigo.
Antes de discorrer sobre o tema a titulo de preambulo, chamamos a atenção nas figuras em epigrafe para a bela arquitectura do antigo HTS e que contrasta com a maqueta do novo Hospital de Chelas, de acordo com publicado na Internet. Nesta ultima se propagandeiam apenas números em grandes parangonas afixados em um quadrado de betão colorido á azul .
Valorizam-se as “estatísticas “ mas o….moderno conceito de conceito de que “o ambiente também cura” esta esquecido.

Bem vamos ao que interessa: O que há apreender com o antigo malogrado HTS e incorporar na construção do novo HTS?


Para tal e fundamental que se compreenda a real dimensão da tragedia da História do “Hospital Real Todos o Santos”
Esta descrita de forma sumaria mas elucidativa e não ficcionada nos excertos da crónica de referência do Padre João Bautista de Castro (Após duplo clique em cima da imagem obtém-se ampliação e melhor leitura)
O referido autor foi um historiador da época, e este seu livro é considerado de referência e foi editado três anos (1758) após o Terramoto, chamado de Lisboa (1755).

Não nos cabe aqui, inclusive por falta de conhecimentos avaliar se os preceitos da construção anti sísmica serão respeitados no futuro HTS (como o foram no palácio da Caixa Geral de Depósitos considerado como grande referencia pelos especialistas por ter sido construído sob esferas de betão)
Não nos cabe igualmente avaliar se a geologia dos terrenos de Chelas foi avaliada (lembremos o sucedido no Hospital Pediátrico de Coimbra cuja construção tem-se atrasado por estar a ser construído em um terreno alagadiço….).
Caberá assim aos conhecedores de que a Zona Oriental de Lisboa e o Vale de Chelas de risco sísmico,( ainda maior da actual topografia do HDE) avaliar sua geologia particular e definir todas as condicionantes do projecto.

Mas se não nos reportamos ao risco sísmico já podemos tecer algumas considerações sobre a maior morbilidade dos incêndios que os acompanham ou existem por si sós.

Pensamos ser intuitivo que os grandes edifícios monobloco, como o que pretendem construir e foi o antigo H.T.S são impeditivos não só na circunscrição dos incêndios mas o que é mais grave, na evacuação dos doentes

Disse-nos uma arquitecta de que solicitamos um parecer que ressalvando não tecer qualquer comentário sobre o H. de Todos os Santos que desconhece escreveu-nos que:

“Menores distâncias entre os compartimentos e o solo, terraços acessíveis a escadas/helicópteros, e menos pisos a percorrer são fundamentais todas as evacuações eficazes. E tal só se torna possível em projecto multi módulos com edifícios não muito altos, separados entre si por espaços largos que permitam livre circulação.
Estas asserções são particularmente verdadeiras quando reportamo-nos a crianças com capacidades cognitivas e motoras imaturas, doentes, acamadas, ventiladas).”

ou

" I. Breitman, falando sobre a evolução da arquitetura hospitalar durante palestra realizada Congresso de Administração Hospitalar, em 1997, chamou a atenção para o surgimento de uma nova proposta, caracterizada por hospitais horizontais, de no máximo dois pavimentos, em que os diferentes setores hospitalares se
distribuiriam em pisos intercalados, ligados por meio de rampas.
O novo modelo teria, entre outras vantagens, o fato de dispensar o uso de elevadores e facilitar a evacuação dos pacientes, no caso da ocorrência de incêndio"

Concluindo quanto a nós, para além da óbvia justificação de um Hospital Pediátrico especializado Terciário em Lisboa, argumento que se basta a si próprio , afirmamos que:

A diferenciação arquitectónica física do conjunto materno infantil em um edifício separado com altura aceitável e amplos acessos envolventes de modo a circunscrever catástrofes ou minorar a sua morbilidade poderá por si só justificar um edifício materno infantil individualizado no futuro HTS.

Pensamos assim que tão ou mais importante do que citar a história é apreender as sua lições!

domingo, 1 de junho de 2008

A campanha amadurece e ganha impeto - No Dia Mundial da Criança é publicado o primeiro numero do Boletim ..................





















Hoje dia 1de Junho de 2008, Dia Mundial da Criança, sai a público na Internet a versão digital do primeiro numero do Boletim da Plataforma De defesa do Património do Hospital de Dona Estefânia e de um Novo Hospital Pediátrico para Lisboa.

Amanhã Segunda Feira , será distribuído na sua forma impressa.
Lê e Divulga!

EDITORIAL


BOLETIM A ESTEFÂNIA
Colegas, amigos, profissionais de saúde, cidadãos atentos
à condição da criança,

Dentre promotores e apoiantes, somos apenas alguns dos muitos profissionais do Hospital de Dona Estefânia e cidadãos de Lisboa e do País preocupados com a situação criada pelo projecto de extinção do único Hospital Pediátrico do Sul do País e a sua substituição por um departamento de pediatria encaixado na torre do futuro Hospital Geral de Todos os Santos, em Chelas, copiando os modelos dos hospitais generalistas próprios da periferia das metrópoles, neste caso, de Lisboa.
Porque decisões desta dimensão e gravidade para a condição e assistência à criança vão muito para além do horizonte temporal da vigência dos poderes que as tomam e nem sempre são baseadas em critérios claros e opiniões de entidades com reconhecido conhecimento técnico, seria de elementar prudência informar e ouvir as reflexões de cidadãos e a experiência de profissionais directamente implicados nestes problemas.
O processo de extinção do Hospital de Dona Estefânia, o plano funcional do futuro Hospital de Chelas e as orientações que emanam do actual Centro Hospitalar, são um verdadeiro “toque a finados” para assistência especializada à criança no ambiente pediátrico que lhe é próprio e paradigmático das cidades dos países desenvolvidos. O inconformismo perante estes factos levou um pequeno grupo de médicos do Hospital a criar o blogue www.campanha.pelo.hde blogspot.com como primeiro contributo a um exercício de cidadania que tornasse possível a discussão sobre este tema, em contraponto à metodologia das decisões de gabinete que, e ainda se está no principio, se mostraram já tão desastrosas para a unidade institucional do nosso Hospital e expectativas quanto ao futuro. O impacto do blogue alargou o interesse dos profissionais, deu a conhecer a várias entidades a delicada situação criada e, a vários níveis da sociedade, gerou um movimento de adesões que carecia de expressão e concretização. A fórmula encontrada foi o lançamento de uma petição na Internet (ver adiante) onde se solicita ao poder politico uma discussão adequada das decisões anunciadas e a sua eventual revisão, fundamentada nas preocupações próprias, nas que foram chegando através do blogue e dos contactos pessoais com profissionais e cidadãos, uns optando pelo anonimato, outros expondo-se, que consideram em risco os legítimos interesses
da criança. De forma a dar resposta às inúmeras pessoas interessadas neste movimento cívico e proporcionar um veículo de divulgação de factos e opiniões sobre a extinção do Hospital pediátrico e a sua substituição projectada num
“Anexo pediátrico” (tal como consta no Plano funcional do Hospital de Todos os Santos), iniciamos a publicação deste boletim, de circulação alargada mas essencialmente dirigido aos profissionais do Hospital de Dona Estefânia.
Nestas folhas A4 – “A Estefânia” – edição não-regular, cabem todos os que pretendam contribuir para este movimento cívico, debatendo ideias e projectos, comentando decisões e afirmações dos intervenientes no processo mas, em nenhum caso, tecendo referências gratuitas a pessoas ou instituições estranhas ao objecto do movimento e à defesa da condição da criança.
Esperamos que “A Estefânia” seja um contributo para o debate e maior consciencialização sobre as consequências que o projecto do futuro Hospital de Todos os Santos- Chelas terá sobre a assistência às crianças da Grande Lisboa, Sul do Pais e Regiões autónomas. Esperamos que sejam devidamente consideradas as necessidades das crianças portadoras de doença crónica e maior morbilidade, a sua condição na sociedade e os seus direitos à distinção positiva, nos quais se incluem a assistência em estruturas desenhadas, equipadas e funcionalmente adequadas, quer à sua individualidade biopsíquica, quer ao imperativo social e ético de lhes proporcionar as melhores condições técnicas possíveis sob procedimentos e circuitos humanizados, logo, no melhor ambiente dos seus hospitais pediátricos.
Mário Coelho (Pediatra do HDE, Apoiante)




CARTA A ENTREGAR À TUTELA PELOS
PROMOTORES DA PETIÇÃO EM DEFESA
DO HOSPITAL PEDIÁTRICO DE LISBOA


Construímos esta Plataforma Cívica porque:
SOMOS DEFENSORES:
– Do direito de Lisboa (e do Sul do País) a um Hospital Pediátrico
Especializado, conceptualmente e tecnologicamente moderno e
avançado, de acordo com os superiores interesses da criança, como
vem sucedendo na esmagadora maioria das grandes cidades da Europa
e da América, no espírito que levou à criação do Hospital de D.
Estefânia por D. Pedro IV de acordo com os desejos de sua mulher,
a Rainha D. Estefânia.
– Do Direito das crianças a terem um espaço próprio, com ambiente
hospitalar adequado, construído e organizado de forma a propiciar
o respeito integral pelas suas particularidades, físicas e psicológicas.
Isso implica a concentração de meios, a nível transversal e vertical,
de todas as áreas de assistência e apoio necessárias à criança e ao
adolescente, mas sem que transversalidade possa significar partilha
com adultos, como sugere o plano funcional do futuro Centro Hospitalar Oriental de Lisboa.
– De que os planos para a saúde materno-Infantil devem nortear-se
por directrizes que contemplem o presente, mas sobretudo o futuro e, nesse aspecto, também um Hospital Pediátrico é prioritário num País que necessita, justa e realisticamente, de promover a natalidade.
– De que o actual espaço do Hospital de D. Estefânia é património cultural e afectivo da criança, da Cidade e do País há 128 anos (sendo um dos mais antigos da Europa) e à criança deverá manter-se dedicado.
DISCORDAMOS:
– Que o Hospital de D. Estefânia seja transformado em mais um
Serviço de Pediatria Médico-Cirúrgica, agregado ao futuro Hospital
de Todos os Santos, com a condição da criança afastada dos núcleos
de decisão. O abaixo-assinado, já com mais de 76.000 assinaturas,
vem certamente dar razão a esta discordância.
– Que a opinião, documentada, da Comissão Médica do Hospital
D. Estefânia, pareça ter sido ignorada. Acresce, por outro lado, que
a agora projectada integração do Hospital de D.Estefânia no Centro
Hospitalar Oriental de Lisboa, nem sequer era inicialmente contemplada, o que parece dever-se a razões conjunturais e não de princípio.
CONSIDERAMOS:
– Que o Plano funcional apresentado para o futuro Hospital de Todos
os Santos é redutor, não só na essência como nos conteúdos (camas,
gabinetes de Consulta, Especialidades disponíveis, etc.). Pretendendo
apresentar-se como um Hospital “de ponta”, subverte a
continuidade da personalização dos cuidados necessários, da doença
aguda até aos cuidados da recuperação e convalescença, podendo
lesar gravemente a relação afectiva entre Profissional de Saúde/Doente/Família, já natural e inicialmente estabelecida.
– Que se desconhecem eventuais parcerias e prioridades a negociar
para o financiamento e manutenção das novas estruturas e eventuais
condicionamentos que possam ter efeito negativo na Assistência Pediátrica.
Isto sem esquecer os planos (com mais de duas dezenas de
anos) para construir um novo edifício nos terrenos do Hospital.
– Que foi muito positiva a afirmação pública da SrªMinistra da Saúde,
de que o actual espaço/Hospital D. Estefânia (se este vier a ser integrado
no Hospital de Todos os Santos) se manterá ao serviço da Pediatria.
Concluindo: Os superiores interesses da criança e do adolescente,
impõem a existência, em Lisboa, de um Hospital Pediátrico Polivalente,
conceptualmente e tecnologicamente moderno, com verdadeira
autonomia técnico-administrativa.

Promotores da Plataforma (Ordem alfabética): Ana Paula Soudo
(Fisiatra), António Gentil Martins (Cirurgião Pediatra), Carlos Azevedo
(Capelão), Fátima Alves (Cirurgiã Pediatra), José Pedro Vieira (Neuropediatra), Pedro Paulo Machado Alves Mendes (Radiologista), Teresa Rocha (Anestesista)
MAIO 2008

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Plano do futuro HTS, uma das possiveis analises e critica aos pressupostos dos que o defendem

Análise dos pressupostos implícitos na concepção do Plano funcional do futuro Hospital de Todos os Santos (HTS) e na desactivação do Hospital de D. Estefânia (HDE).

O princípio utilizado para justificar a implantação do HTS "Fomentar a centralização e partilha de recursos", é um conceito genérico abstracto apropriado a qualquer gestão de meios parcimoniosa e inteligente. Este princípio contudo quando é hiper valorizado e descontextualizado de uma visão de uma carta de serviços hospitalares, pode, como se prevê no HTS, transformar-se num instrumento de retrocesso cientifico e assistencial.
Consideramos que a visão que presidiu a criação do plano do futuro HTS nomeadamente no que diz respeito a prestação de cuidados em Pediatria ser extremamente redutora. O HTS foi constrangido na sua idealização por uma concepção puramente economicista que justifica a centralização de todos os recursos humanos, equipamentos e físicos com vista para alcançar a sua exploração intensiva e não com o intuito mais nobre de aprofundar a excelência na prestação de cuidados que ao contrario implica diferenciação de competências. A opção por este tipo de concepção retira ao cidadão comum um serviço que tem naturalmente tem direito, ao mesmo tempo que implica num favorecimento da parceria privada através de lucros directos ou indirectos.
A aplicação do conceito de centralização de meios humanos , físicos e técnicos justifica-se apenas até o patamar dos hospitais distritais tornando-se acima deste patamar absurda
Os Hospitais Pediátricos surgiram naturalmente com a evolução na diferenciação de cuidados pediátricos especializados e são hoje parte necessária e imprescindível dos equipamentos das grandes centros e capitais que recebem a massa critica assistencial das regiões envolventes. Estes hospitais são imprescindíveis não só ao nível assistencial, mas igualmente como formadores de competências em todas as especialidades que hoje fazem parte da pediatria. O Hospital D. Estefânia exemplifica este papel pois tem sido uma grande escola e é criador de competências medico cirúrgicas em pediatria para o todo o Pais.
Reiteremos que este conceito quando aplicado como filosofia estruturante aos Hospitais Centrais terciários torna-se absurda, pois simplifica ao mínimo denominador comum, a era da pré diferenciação profissional na área da saúde do século XIX.
A perspectiva centralizadora do futuro HTS e suas consequências devastadoras na qualidade da assistência médica infantil estão escandalosamente á manifesto, pois entre as especializações pediátricas previstas, resumem-se as do inicio século passado: apenas a cirúrgica e a médica . Todas as outras criadas e desenvolvidas no hospital H.D.E. ao longo de sua existência estarão diluídas e integradas nos Serviços de adultos.
O projecto HDS aparentemente com capa de moderno é essencialmente ultrapassado e retrógrado, pois se aliena propositadamente do progresso necessário que constitui um Hospital Pediátrico especializado.
O plano funcional do HDS idealizado por gestores insensíveis para a importância e conhecimento da diferenciação em todas as áreas do conhecimento em pediatria, parece ignorar em particular que a qualidade da assistência médica infantil tem um importante papel como criadora de riqueza e motor de progresso pois de si depende o que é mais precioso á nação, o futuro de suas crianças.
Esta visão infelizmente apenas adopta a óptica de obtenção do lucro máximo com a maior economia de meios possível. Concebe os Hospitais apenas como fabricas de tratar doentes. Ignoram o conceito actual de que "Os hospitais devem ser construídos para servir os Cidadãos e não para rentabilizar a sua actividade e dar lucro através da saúde dos cidadãos"
Não é portanto difícil intuir, face a percepção de tais factos, deduzir porque o Sector privado emergente está interessado e activamente aplicado na destruição do sector publico.
Seria útil que estes senhores se apercebessem que sem a excelência no Serviço Publico não pode existir excelência no sector privado. Nos países do 1º mundo a evolução tecnológica decorre da interacção inteligente entre eles estes dois espaços. Os Hospitais Pediátricos investigam e distribuem conhecimento passível de comercialização em várias áreas do saber. A percepção de tais factos levam-nos a concluir que sem a existência de um Serviço Hospitalar Publico, não é viável a formação de competências técnicas, adaptadas ao nosso contexto, para suprirem com qualidade, os quadros técnicos do Serviço Médico no Sector privado.
Os defensores do plano funcional do HTS de forma abstracta, acenam com a super especialização em áreas cirúrgicas especificas e com a implementação de alta tecnologia . Esquecem-se que os Serviços e as respectivas especialidades que justificam estas técnicas fornecendo-lhes substrato e possibilidade de seguimento, foram destruídos ou destituídos de sua autonomia. A capacidade de criação e avanço cientifico, que um Hospital Pediátrico com enfoque diversificado e integrado pode propiciar esvane-se com a destruição de sua autonomia.
Propalam dentro de uma visão economicista, que esquece o doente e demais realidades tratar-se dum Hospital de Ponta, orientado para a cirurgia, ambulatório e a doença aguda, com uma rotação rápida de camas. Preocupam-se exclusivamente com o tempo de internamento (um mal a evitar mas ainda incontornável) pois é este que encarece o orçamento hospitalar. Assim em função custo, os cuidados continuados e a doença crónica não são considerados. Esta atitude implicitamente desfavorece a fracção de nossa população com menor nível cultural ou económico, pois não tem possibilidade de prestarem estes cuidados em suas casas.
Sem serviço publico, não esta garantida em igualdade de condições, a equidade da prestação de Serviço Médico a todas as crianças. Esta condição implica em fracturas sociais que põe em causa a existência da própria comunidade e em ultima instância até o sector privado.
Enfatizamos as acções em que transparecem ser sua política apenas de fundo económico :
•Definem para o HTS uma actuação indiferenciada. Reservam em particular para os Serviços Pediátricos, um espaço de acção amplo, intercomunicável apoiado numa multidisciplinaridade versátil, com isto intentam rentabilizar o espaço, os equipamentos e os funcionários. Desconsideram assim todos os óbices supra-citados.
•Aligeiram este plano redutor no que diz respeito a pediatria com criações de circuitos distintos para os utentes pediátricos mas que são arquitectonicamente irrealizáveis e dão o nome de "ambiente pediátrico" as meias paredes de separação ou biombos.
Infelizmente, não pensam na economia para criar riqueza mas apenas para arrecadar. Não estão realmente preocupados com nossas crianças, o seu objectivo é rentabilização, centralização e a partilha dos recursos humanos e técnicos a qualquer custo com vista a apresentarem números.
Ao destruir de forma activa e planeada o histórico Hospital Pediátrico de Lisboa (HDE), não se apercebem do total da perda em valor social. Na pior conjectura os indícios sejam que talvez apenas pensem em capitalizar estes valores em beneficio próprio.

Assina Pedro Paulo Mendes

Nota editorial >
Este texto reflecte apenas a opinião pessoal do signatário . Relembramos assim que dentro dos pressupostos do Manifesto da Plataforma para defesa do HDE existe espaço para interpretações e opiniões variadas Consideramos importante a sua publicação ainda por o considerarmos passível de gerar polémica e assim esclarecimento.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Entrevista no Jornal "Meia Hora" - A imprensa de Lisboa divulga a nossa campanha !


Como já aconteceu em quase toda a imprensa de prestigio agora o "Meia Hora" jornal da cidade Lisboa publicou uma entrevista dos promotores da" Campanha em defesa do Hospital das crianças de Lisboa" como carinhosamente a população trata o Hospital de D. Estefânia.
Agradecemos o apoio a nossa luta que por maioria de razão também da cidade de Lisboa que não admite que a alienem do seu equipamento histórico.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ao viajar pelo mundo civilizado se lhe indagarem a causa da destruição um dos H. Pediatricos mais antigos do mundo.. assobie...ou ponha um capuz..

                                                                                     

O que aconteceu ao Hospital Pediatrico de Lisboa !!! 
Eu de Portugal?!!!... deve se ter enganado...Desconheço por completo aquela periferia irredutivel em que segundo dizem o Ministro da Saude parece ter tido a coragem de afirmar que o Hospital D. Estefânia era para acabar! ....



Eis a diferença de como la fora encaram os Hospitais PediatricosAmigos, façam um pesquisa na Google em imagens sobre Childrens Hospitals e indaguem se estas não serão  politicas deliberadas com o fim de  nos envergonhar de sermos portugueses..  Permiteremos que Lisboa perca o seu Hospital Pediatrico?!!!!Eis  apenas alguns exemplos aleatorios  de Hospitais Pediatricos recem construidos no mundo civilizado....Web Imagens Notícias Grupos Calendário Gmail mais ▼ Fotografias Docs Google      Pesquisa Avançada de Imagens  Preferências   Resultados 235 - 252 de cerca de 255.000 para childrens hospitals . (0,08 segundos)        ... Children's Hospital of Orange ...250 x 305 - 25k - jpgwww.uihealthcare.com Children's Hospital Boston Complex320 x 240 - 54kboston.povo.com All university hospitals, children's ...400 x 240 - 42k - jpgwww.jsps.gr.jp ... children in children's hospitals ...468 x 312 - 41k - jpgwww.dailyiowan.com (Courtesy Of Children's Hospital)228 x 339 - 56k - jpgwww.washingtonpost.com ... the children's hospital, ...252 x 385 - 25k - jpgwww.thisoldtoy.com       BC Children's Hospital300 x 225 - 113kwww.radiology.ubc.ca Texas Children's Hospital Announces ...280 x 243 - 17k - jpgwww.texaschildrenshospital.org Children's Hospitals400 x 265 - 29k - jpgwww.mersey-gateway.org Royal Aberdeen Children's Hospital.250 x 383 - 19k - jpgwww.publicartonline.org.uk Blythedale Children's Hospital?333 x 250 - 13k - jpgwww.caretheworld.com ... children's hospitals is evident ...252 x 326 - 7k - jpgwww.karlsberger.com       ETC, etc, etc.........................

Convidamos aos Senhores executores do projecto do HTS reformularem a sua decisão de aniquilarem o unico Hospital Pediatrico da Zona Sul !



Senhores das parcerias !Os julgamos possuidores  ainda de algum senso critico.
Agradecemos que façam um pesquisa na Internet sobre Hospitais Pediatricos. Questionem  a  seguir se a existência de 850,000 referências diz  respeito a algo que esta em vias de extinção ou vivo e pujante.... Obviamente que na WEB e não nas Paginas de Portugal.
Nestas iriam encontrar apenas noticias de três Hospitais Pediatricos permanentemente em dificuldades de sobrevivência ou mesmo em luta contra tentativas de destruição pelos  nossos Ministérios! Web Imagens Notícias Grupos Calendário Gmail mais ▼ Fotografias Docs Google     Pesquisa Avançada  Preferências Pesquisar:  a web  páginas escritas em Português  páginas de Portugal    Web  Resultados 31 - 40 de cerca de 814.000 para childrens hospitals . (0,26 segundos) The Children's Hospital of Philadelphia - About Children's Hospital- [ Traduzir esta página ]Since its start in 1855 as the nation's first hospital devoted exclusively to caring for children, The Children's Hospital of Philadelphia has been the ...www.chop.edu/about_chop/index.shtml - 31k - Em cache - Páginas semelhantes Introducing Virtual Hospital: University of Iowa Hospitals and Clinics- [ Traduzir esta página ]Quality health information has been the hallmark of Virtual Hospital® and Virtual Children's Hospital® since the early 1990s when www.vh.org was among the ...www.uihealthcare.com/vh/ - 10k - Em cache - Páginas semelhantes U-M C.S.

Agradecemos que estendam os seus horizontes para alem da Intersalus e que estranhamente ignora o que se faz de melhor no pais onde parece inspirar o seu projecto .

Alterem os vossos planos para que não se confirmem as suspeitas dos muitos que afirmam que os senhores querem destruir o Hospital Pediatrico Publico não porque sejam contra os Hospitais Pediatricos mas apenas para destruir a concorrência aos Hospitais Pediatricos Privados que as parcerias que representam já tem em carteira e querem sem concorrência.

sábado, 17 de maio de 2008

Mais "emails" de apoio que nos chegaram....

Pedimos desculpas pelo atraso na sua publicação. Aqui estão eles :


Caríssimos amigos,

Sou do Porto. Tenho quatro filhos e sete netos, dos dois aos quinze anos, e nesta altura de desprezo por quem trata bem das crianças e da proliferação de abusadores e maltratantes, tomo para mim todas essas causas.

Desejo-vos todo o sucesso.
Manuela Sousa


Quero agradecer-lhe pessoalmente por ter iniciado esta petição.

Já verificamos que os governos sucessivos fazem o que querem graças à apatia e permissividade dos Portugueses, que esquecem igualmente os danos causados e as promessas quebradas.

Também já tivemos mostras que encaram com desagrado e medo qualquer intervenção dos seus eleitores.

É pena que não exista um pequeno estádio de futebol no hospital, pois então certamente que não se atreviam a tocar-lhe.

Vinha sugerir-lhe que talvez valha a pena comprar uma pequena baliza e colocar à entrada do hospital, à vista de quem entra, com o comentário apropriado. Isto certamente que atrairia as atenções, talvez mesmo da comunicação social.
Caso se resolva fazer algo do género, estarei disposto a colaborar.

Esperemos que este absurdo não seja concretizado.

Um abraço,
Exmos. Srs.

Somos um grupo informal de crianças, jovens, pais, familiares, médicos, enfermeiros, outros profissionais de saúde e amigos que, directa ou indirectamente, convivem com as doenças renais. Nesse sentido, criámos um blog, que pode visitar em http://blogcriancaerim.blogspot.com . Temos como objectivo que este blog cresça e, para tal, contamos com a sua participação e apoio na divulgação.

Vimos por este meio informar que hoje publicámos um post relativo à petição contra o encerramento do Hospital D. Estefânia. Particularmente, sou mãe de um menino que é seguido no HDE e custa-me muito perder todo o acompanhamento de que o meu filho tem beneficiado desde antes mesmo do seu nascimento, pelo que considerei fundamental assinar a vossa petição
Se assim o entenderem, agradecemos um comentário ao post efectuado.

Com os melhores cumprimentos,






Arranjar paredes É MUITO DIFERENTE da necessidade de tecnologia.
1. O HDE tem sido deixado sem as obras necessárias e profundas de conservação e de valorização, por má gestão deliberada dos administradores nomeados pelo Ministério da Saúde.
2. Acresce que o HDE tem sido mal equipado e deixado sem equipamentos novos e sem recursos, não só por falta de financiamento previsto em Orçamento de Estado para o sector mas também devido a má gestão dos vários (des)Governos que conhecemos de há 33 anos para cá.

Quer as obras de conservação quer o equipamento são imensamente necessários. É, designadamente, para isto que eu e os outros contribuintes pagamos impostos.

Abraço a todas e todos.
Nota:
Chegam-nos vários emails com teor idêntico ao do acima publicado. Deste discordamos apenas da cronologia , pois ao invés de há 33 anos, acrescentaria a casa das centenas e ressalvaria a Criação do S.N.S fruto do 25 de Abril e que consistiu um enorme progresso.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

A Cronologia imaginaria da "Requalificação " do valiosos terrenos do Hospital Pediatrico D. Estefânia.



Capitulo I- O Hospital D. Estefânia inicialmente não entraria no projecto do Centro Hospitalar, mas as evidências apontam que seu terreno valioso passou á ser considerado, como moeda de troca , no decorrer das negociações. Apesar destas informações advirem de fontes fidedignas,
poderíamos considerar serem apenas conjecturas inspiradas no que aconteceu á outros espaços, outrora pertencentes á Cidade de Lisboa.

Amplie para saber da verdade....




1º Ato: Preparar o terreno

O antigo Ministro Correia de Campos tornou-se impopular pela sua postura impositiva e pela forma como actuou endossando claramente uma politica de destruição dos Serviços de Saúde. O desmantelamento deste sector inicia-se, não se deixando espaço para propostas alternativas que contemplassem a viabilidade, continuidade e aprimoramento destes serviços.
É nesta terra tornada propícia, que se instalam de imediato e como por magia, serviços de saúde ligados a grupos financeiros.
Queremos ressaltar o facto de não termos objecções contra o sector privado mas consideramos imprescindível que a área de saúde como um todo e especialmente a hospitalar e pediátrica precisam ser protegidas da contingência ilógica da medicina baseada exclusivamente no lucro. Esta perspectiva torna-se imperativa para uma comunidade que se projecta na nação visando o futuro.

2º Ato: Eleições á vista

É plausível que a hipótese da substituição do ministro já estava prevista face a proximidade das eleições, pois entre o intervalo de duas vergastadas, com algum açucar, pode contar-se neste espaço com o esquecimento dos eleitores.
O Ministro, conhecedor do "timing" e responsável pelo Guião da peça, apressadamente entra em acordo com a Câmara de Lisboa "fecha o negócio" com os terrenos em Chelas por 13.000.000 de Euros para construção do novo Hospital de Todos os Santos. Cogita-se ainda da possibilidade do novo Hospital dar argumentos para o encerramento do Aeroporto da Portela e outro aproveitamento para os seus terrenos.

Após isto o ministro demite-se mas não sem antes garantir que o projecto tomasse um caminho aparentemente irreversível. Esta decisão envolve também a extinção do Hospital Pediátrico.


3º Ato: Um anexo ou uma anedota triste para a Pediatria Portuguesa ?

O Hospital D. Estefânia por passe de mágica desaparece como nome e identidade e resume-se a um anexo que aparece no plano funcional do novo hospital com o título pomposo de "Ambiente Pediátrico”.

Torna-se patente a omissão da necessidade do enquadramento do projecto em uma Carta de Cuidados Hospitalares em Pediatria.

Este “modus operandi” leva-nos a deduzir que tratou-se dum projecto de gabinete acordado entre parcerias e ignorando sumariamente, num desrespeito arrogante ao parecer da antiga comissão médica e o da sociedade civil que se manifesta veementemente num abaixo assinado com mais de 75 000 assinaturas!

Em síntese : o plano funcional do futuro HTS , no que diz respeito ao "Ambiente Pediátrico " resultou da perspectiva para a Saúde, da Intersalus e demais parcerias privadas, ignorando acintosamente a opinião do corpo clínico do Hospital D. Estefânia.
Deste modo este plano foi levado avante sem divulgação, impedindo uma análise mais aprofundada. Acresce curiosamente a omissão do nome "D.Estefânia".
Os responsáveis supõe desta forma poder risca-lo da memória colectiva e assim posteriormente do patrimônio publico.
Caso assim não pensaram, pela sua actuação deixam margens para esta dúvida pois casos similares já ocorreram. Fundamentados nestes factos precedentes é que nossa acção se norteia: pois é mais prudente tentar prevenir do que não se poder remediar .

4º Ato: Consolidação

No dia 12 de Abril, após o suposto e provável percurso acima descrito no corredor dos gabinetes interessados, é instituído rapidamente um Concurso Internacional para a realização do projecto arquitetônico do HDS.

A ponta do “Iceberg” já delineada nos planos pré traçados e endossados pelo ex Ministro Correia de Campos, antes da sua saída da cena, torna-se agora perceptível no que tinha de submerso.

No acto público com orgulho verbalizam: “Finalmente poderão se requalificar os actuais terrenos dos antigos Hospitais de Lisboa Central, inclusive o Hospital D. Estefânia, maior e muitíssimo mais valioso do que o recém comprado.”

Gostaríamos de deixar aqui este recado aos governantes por nós eleitos:

1. Os terrenos do Hospital D. Estefânia e seu edifício, foram e são um Patrimonio Histórico, doado com a finalidade precípua de servir apenas a Saúde das Crianças de Portugal!

2. Informamos ainda, que assumimos a defesa intransigente da finalidade a qual se destinou o HDE na sua origem, não compactuando com o desvirtuamento do intento original camuflado em eventuais “re qualificações” que o desviariam do seu campo de actuação.

3. Ao adotar com alarme esta perspectiva fundamentamo-nos na finalidade das obras que que pretendem executar em terrenos recentemente alienados na cidade de Lisboa: cassinos, condôminos, parques de estacionamento, centros comerciais, fundações privadas ou de uso público restrito. Estas obras que do seu ponto de vista são mais rentáveis, para nós não passam de construções assépticas, massificadas, livres do povo e sua cultura popular. Despojam assim a população de Lisboa dos seus espaços mais identificativos e históricos. Os indícios que apontamos neste último tópico, levam-nos á uma indagação mais abrangente sobre as causas e consequências desta tendência de descaracterização das cidades do mundo actual, desvinculando as populações de suas tradições e do território sobre o qual suas cidades se assentam. Estamos talvez a presenciar uma trama consertada nos bastidores, impondo projectos globalizados que contribuem para a perda da identificação cultural.


5º Ato: Epílogo

Resquício de luz no fundo do túnel ou apenas areia pré eleições?

Gostaríamos de supor uma vitória da razão e ascensão duma perspectiva mais lúcida e sensível no Ministério , pois agora já se diz : “Está fora de questão a alienação deste Hospital e esquecimento do seu nome".

Aguardamos assim um posicionamento oficial escrito, pois só assim poderemos crer, face aos antecedentes já ocorridos com outros bens públicos.

Solicitamos veemente que aproveitem esta última oportunidade! Façam-no antes da próximas eleições, não se resignando ao papel de meros figurantes…

Este Guião importado que planejaram implantar está em contradição com a actual opção de outras Capitais Europeias. Estas últimas mantém os seus antigos Hospitais Pediátricos nos seus Centros Históricos! Estas cidades acarinham os seus Hospitais Pediátricos ao invés de relega-los ao desprezo e decadência para depois justificarem a necessidade de sua destruição.

Lutemos contra a desertificação do Centro Histórico de Lisboa com o afastamento dos seus Serviços e Equipamentos, e da população fixa e flutuante e seu comércio que alimenta e trás vida a cidade!

Por um novo Hospital Pediátrico para Lisboa !
Requalificar Lisboa é requalificar o Hospital D. Estefânia e não destrui-lo!

Leiam no Blog o exemplo do Hospital Eveline em Londres !


Assina Pedro Paulo Mendes

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Uma mensagem recebida , com expectativa ...e que esperamos fundamentada e com repercussões práticas!

Marta Campos disse...
Está disponível para consulta e discussão pública a Carta Hospitalar de Pediatria.

O documento foi elaborado pela Comissão Nacional de Saúde da Criança e do Adolescente e pretende traçar as linhas orientadoras da concepção de serviços hospitalares para crianças e adolescentes, centrados na família e na garantia da segurança e qualidade dos cuidados prestados.

http://www.acs.min-saude.pt/2008/04/04/cartahospitalarpediatria

Espero que ajude!

10 de Abril de 2008 23:52


Em primeira abordagem acreditamos que o Documento cumpre o papel a que se propõe:

Contribuir para planificação e sistematização projectiva da rede de cuidados Hospitalares Pediátricos no nosso Pais.
No que diz respeito a conjuntura actual, pensamos que por inerência e competência de funções esta Comissão deverá avaliar o Plano Funcional do Hospital de Todos os Santos a Luz dos pressupostos aqui assumidos, não sendo assim suposto admitir que estes não sejam modificados se não os respeitarem pois na ultima consequencia estes implicam a criação de hospitais pediatricos especializados e o HTS assume-se como um Hospital Generalista em que por exemplo na pedopsiaquiatria não existe separação de espaço fisico com os adultos.

Para aceder a sua totalidade do deve-se ir ao Site onde este se encontra na versão PDF
Procedimento: copie o endereço acima e "cola-lo" na barra de direcções onde agora esta escrita a direcção deste Blog, e que deve ser previamente apagada. A seguir basta teclar "enter" .
Publicamos apenas pequena parte do documento , que nos diz mais respeito e a titulo exemplificativo:




Comissão Nacional de Saúde da Criança e Adolescente - Documento em discussão



6.1.2 Serviços de Pediatria Especializado (SPE): Deve existir um SPE para 300.000 a 350.000 crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos, o que corresponde sensivelmente a uma base populacional de 1.500.000 habitantes. O SPE é médico-cirúrgico.
6.2 Todos os serviços SPE ou SPG devem cumprir as orientações gerais para um serviço de pediatria hospitalar e a articulação entre cuidados primários e secundários (pontos 3 e 4).
7. Hospitais que não integram a Carta Hospitalar de Pediatria
Nalguns hospitais que actualmente têm especialistas em Pediatria, mas que não integram a carta hospitalar de pediatria, pode justificar-se assistência pediátrica em regime de Ambulatório.
Estes pediatras articular-se-ão com o serviço de Pediatria mais próximo e os lugares são a extinguir quando vagarem. Após a extinção, a eventual deslocação regular de pediatras a partir do serviço mais próximo a este hospital deverá constar de protocolo a celebrar entre os dois hospitais. O hospital que recebe deverá ter as condições consideradas adequadas para a prestação de cuidados às crianças e adolescentes, em ambulatório
13
Comissão Nacional de Saúde da Criança e Adolescente - Documento em discussão
8. Bases de um Serviço de Pediatria Geral (SPG)
8.1 Recursos Humanos mínimos:
8.1.1 Pediatras:
SPG sem Maternidade, 7 com idade inferior a 55 anos;
SPG com Maternidade: 14 com idade inferior a 55 anos.
8.1.2 Enfermeiros9:
Enfermaria – 1 Enfermeiro/turno para 6 crianças;
Cuidados Intermédios - 1 Enfermeiro/turno para 4 crianças.
Tendencialmente em cada turno deve ser considerada a existência de um especialista em saúde infantil e pediátrica.
8.1.3 Para além destes recursos humanos mínimos, o Director do Serviço em conjunto com a Direcção Clínica e de Enfermagem, e de acordo com a politica, missão e âmbito de intervenção do Serviço de Pediatria, definirão o plano de recursos necessários.
8.2 Lotação em Internamento:
Enfermaria – 1 cama para 3000 crianças e adolescentes (mínimo 12 camas); 30% destas, devem ser em quartos individuais para isolamento e/ou internamento de adolescentes.
UICD – 1 cama para 12000 crianças e adolescentes (mínimo 4 camas);
HDP - 2 a 3 camas /postos.
8.3 Urgência Pediátrica: deve ser dotada de espaço físico próprio e estar integrada no Serviço ou Departamento de Pediatria. Todas as crianças e adolescentes até aos 18 anos de idade, que necessitem de recorrer a uma urgência hospitalar, devem ser observadas nesta unidade (excepto se problemas relacionados com gravidez). Por se tratar de uma unidade ainda inexistente em muitos hospitais particularizam-se alguns aspectos.
11. Serviços de Pediatria para Portugal-Continente, por Região
De acordo com os rácios definidos no ponto 6.1, propõem-se para Portugal Continente, um mínimo de 33 e um máximo de 37 Serviços de Pediatria Geral e 6 Serviços de Pediatria Especializados, com a distribuição seguinte, por Região (Quadro
10 a 11
14. Outras Especialidades
Em outras Especialidades, como a Pedopsiquiatria22 e a Cardiologia Pediátrica23 e Medicina Física e Reabilitação24, Oncologia25 e Genética26, há Redes de Referenciação Hospitalar aprovadas pela Direcção –Geral de Saúde. Essas redes devem reger-se pelas normas de cuidados à Criança e Adolescente deste documento.
Nas Especialidades não pediátricas, deve haver sensibilização e formação específica dos profissionais que se dediquem à criança e adolescente e tal como definido anteriormente todo o atendimento dos 0 aos 18 anos deverá ser realizado em serviços de pediatria.
Nota especial para as Unidades de Pedopsiquiatria
Os cuidados de Saúde Mental são o exemplo paradigmático da necessidade de atendimento em estrutura física apropriada ao período etário, das necessidades especiais (p.e.as alterações comportamentais), e da necessidades de observação e intervenção não só da criança/adolescente mas também da família em que está integrada.
Será por isso essencial que todas as estruturas de Saúde MentaL Infantil estejam integradas em termos físicos e funcionais nas Unidades de Saúde Pediátricas.
Pela Comissão Nacional de Saúde da Criança e Adolescente: M Céu Machado, João Estrada, Rui Rosado, M
José Araújo, J Bilhota Xavier, J Arelo Manso, M Júlia Guimarães
Pelos Colégios de Subespecialidade e Sociedades Portuguesa de Pediatria e Cirurgia Pediátrica: Cuidados
Intensivos Pediátricos: Francisco cunha, Alexandra Seabra; Gastroenterologia: Jorge Amil, Fernando
Pereira; Nefrologia: Helena Jardim, F Coelho Rosa; Oncologia: Lucília Norton; Infecciologia: José Gonçalo
Marques; Desenvolvimento: Rosa Gouveia; Alergologia: Libério
22 Organização dos Serviços de Saúde Mental da Infância e Adolescência, Circular Normativa da DGS, de 17/06/05
23 Rede de Referenciação de Intervenção Cardiológica da DGS 2004. p.63
24 Rede de Referenciação Hospitalar de Oncologia da DGS 2004
25 Rede de Referenciação Hospitalar de MFR, DGS 2004
26 Rede de Referenciação Hospitalar de Genética, DGS 2004

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Uma mensagem de uma apoiante ...As opiniões são livres e enriquecem o debate...

Recebi esta mensagem em resposta à minha assinatura da petição online.
Aproveito a oportunidade para reafirmar toda a solidariedade com este gesto. Ou com esta tomada de posição.
Aproveito também para manifestar a vergonha que sinto ao ler a ocorrência deste tipo de situações. Não sei se é vergonha de ser portuguesa. É vergonha pelas decisões governamentais a que tenho (temos) vindo a assistir, nomeadamente no que refere à área da saúde. Vergonha pelos debates, palestras, entrevistas com os respectivos responsáveis, que se desdobram a justificar, argumentar, explicar a este povo que pretendem estúpido, que a saúde é artigo de luxo, é para quem pode e não para quem precisa, é secundário, é terciário. É uma grande maçada. Sobretudo para quem está doente. E na grande maioria das vezes para os familiares do doente. É um artigo que não tem brilho. Não tem características de Grande Produção. Não tem visibilidade internacional, não atrai turistas, não promove recepções, inaugurações, não fica bem na fotografia, não tem pistas de aterragem, nem sequer um freeshop. A área da saúde em Portugal mexe com doentes. É deprimente, triste. É um filme pobre. Há países em que a área da saúde promove a saúde. Em Portugal promove a doença, o arrastar da doença, a complicação da doença e consequentemente torna a doença cada vez mais cara. Talvez a forma como a saúde/doença é encarada, aliás desencarada, tenha efeitos a nível laboral. Talvez a saúde/doença crie dificuldades e demoras que impliquem ausências ao trabalho. Penalizadas. Penalizado o doente, penalizada a empresa, penalizado o país. País de doentes que só anda para a frente se tiver um TGV. Então compensa-se o país com um comboio, um estádio, uma ponte. É assim como um pai que tem um filho doente em casa, não o leva ao médico para não gastar dinheiro e depois compensa-o com uma playstation ou uns ténis de marca. Depois tira-lhe uma fotografia (doente - a doença não se vê na fotografia) e faz circular pelos amigos na Net, para todos verem que o miúdo se veste bem. Portugal é um país que trabalha a sua imagem internacional de País Que Se Veste Bem. Artigos de marca. Admitir que existe um problema de Saúde implica investir dinheiro na Saúde e Portugal tem outras prioridades. Nada de pieguices à Madre Teresa de Calcutá. Para isso existe a Misericórdia, mas essa, vá lá, tem o Euromilhões. Em Portugal os primeiros ministros correm e estão de saúde. É uma mensagem subliminar mas com o tempo os portugueses chegam lá. Se querem saúde - corram. Desatem todos a correr que a saúde vem por si. Ou alguém ainda não percebeu porque é que se fecham urgências? Porque obriga os doentes a correr até à urgência mais próxima e o mais certo é curarem-se pelo caminho. Quanto mais urgente fôr a doença, mais corre o doente. Está até bem visto e de facto poupa-se uma data de dinheiro, que sempre pode ser aplicado em mais uma IP, melhorando assim a circulação das ambulâncias, actualmente maternidades com rodas. É uma forma de pôr as crianças a nascer sobre rodas e assim já nascem a correr. Chegada aqui apercebi-me da essência da minha vergonha. Somos governados por dementes. E aqui temos um duplo problema. É que uma das características da demência é que o próprio não reconhece. Como não reconhece não se trata. E ninguém se atreve a dizer-lhe. Se esta campanha recolher MUITAS assinaturas acham que é uma achega? É uma indirecta? Pois! Não resolve! Então fica aqui uma sugestão : façam constar, que é desejo do povo, que de ora em diante, todos os governantes e respectiva parafrenália envolvente, deverão dar o exemplo e utilizar exclusivamente o Serviço Nacional de Saúde que oferecem ao dito povo. Nada de privados, clínicas, ou qualquer outro privilégio a que o povo também não tem acesso. Estes serviços deverão ser para uso exclusivo das empresas que produzem, e dos particulares que podem. Quem furasse este esquema deveria ser apontado, criticado, devidamente mediatizado pela negativa. Porque é haveriam de ter um tratamento preferencial ? Para sofrerem menos? Porquê? Ou para durarem mais? E quem é que lhes disse que nós queremos? Vão-se embora de vez. Vão correr para outro lado. Comprem uma passadeira e corram em casa. Deixem-nos em paz. É que estamos a correr para trás quanto ao que interessa e esta correria está a pôr o país de rastos.
M. David





Obrigado M. David pelo seu email.
Escreva-nos. Só com a critica que podemos nos reconstruir.