quinta-feira, 17 de julho de 2008

Boletim nº3 - 131 Anos - Comemorar o Aniversario e Defender o Hospital Pediátrico !





Meu caro Hospital (Carta aberta)

A 17 de Julho de 2008 completas 131 anos de assistência às crianças doentes de Lisboa e do País e a
milhares de bebés que ajudaste a nascer. Seria justo motivo de comemoração mais de um século de
relevantes serviços ao País como “Hospital das crianças de Lisboa” e de símbolo de confiança para muitas
gerações de portugueses que te têm como referência de qualidade no cuidados à criança e à grávida e de modelo
de ambiente pediátrico.
Mas se, no actual processo da tua extinção e para glória do tratamento das crianças nas unidades de adultos do
futuro Hospital de Todos os Santos, te amputaram dos órgãos próprios de gestão e agora
aguardas na fila dos adjuntos do Centro Hospitalar de Lisboa-Centro por orientações nos cuidados à criança,
te retiraram autonomia de decidir sobre a forma de cuidar das crianças e já são agora os especialistas de
adultos que têm a última palavra, te desvalorizaram comissões de apoio e controlo técnico do hospital pediátrico e as aboliram ou subordinaram a comissões de adultos, te extinguiram os órgãos de opinião médica,
te destruíram a hierarquia técnica abolindo os Directores dos Serviços clínicos, transformando-os em
“Coordenadores” como se as equipas médicas fossem meras repartições administrativas,
te nomearam directores de serviços de adultos de outros hospitais (que a maioria dos nossos profissionais
não conhece nem sabe onde se encontram) como teus novos directores em quem, naturalmente, se deveria
confiar como vozes experientes e conhecedoras nas decisões médicas sobre doentes pediátricos complexos,
e agora, te vigiam serviços de perfil pediátrico com recurso a delegados disciplinadores vindos do exterior,
te enxotam os dadores benévolos de sangue e extinguem serviços que adquiriram acreditações
internacionais especificas de qualidade pelos seus elevadíssimos padrões de tratamento de crianças e
grávidas, passando a depender de hospitais de adultos sem qualquer acreditação, te mantêm a maternidade na indefinição e os seus profissionais expostos ao despojo por parte de serviços de outras instituições, te colocam em retrocesso evolutivo os profissionais diferenciados, que voltarão a tratar também de adultos e idosos doentes após muitos anos de investimento pessoal e treino técnico especializado na patologia da criança, então, desventurado Hospital de Dona Estefânia, apenas
exorto a Rainha Dona Estefânia pelo seu exemplo, os milhares de médicos, enfermeiros, técnicos, educadores,
administrativos, auxiliares e benfeitores que ao longo dos teus 131 anos ajudaram a criar e desenvolver o que
ainda hoje és e ... sinceramente, este ano não vejo que velas te irão apagar, nem tenho coragem de te iludir com
uma canção de parabéns.
Talvez para o ano!?

PS: quis enviar-te esta carta pessoal, mas como já não tens endereço nem órgãos próprios que te representem, optei por uma
“carta aberta”, esperando que a possas receber algures. Mário Coelho – Pediatra

“A coisa pior não é não ter conseguido; é nunca sequer ter tentado”

Há mais de 130 anos que aplica e desenvolve um modelo assistencial e de cuidados em ambiente
pediátrico próprio que sempre o diferenciou das restantes unidades hospitalares e o colocou no
imaginário colectivo dos cidadãos e das famílias como o “Hospital das crianças de Lisboa”. Aí são anualmente
realizados centenas de milhar de atendimentos, actos clínicos e exames, desde consultas em mais de 60 áreas
diferenciadas na saúde da criança, até actos de complexidade técnica e graus de intervencionismo
elevados, realizados por profissionais integralmente dedicados à saúde do feto, recém-nascido, criança e
adolescente, em condições que tendem a respeitar a natural bio-psico-especificidade desses doentes.
A reforma dos velhos Hospitais Civis de Lisboa, programada há mais de 50 anos e agora iniciada num
contexto económico particularmente desfavorável e numa onda gestionária de forte componente
economicista, tem como dano colateral o encerramento da actividade assistencial do Hospital
de Dona Estefânia e com ele, o fim do modelo de cuidados pediátricos integrais especializados que
constitui, só por si, um patamar civilizacional que deveria orgulhar a nação que o possui e os cidadãos que
dele desfrutam.

Hospital de Todos os Santos: opção redutora
Existem muitas alternativas de reforma do actual parque hospitalar de Lisboa e em particular dos seus velhos
Hospitais Civis. A localização ocidental proposta há décadas para a zona de Chelas, numa altura em que a
grande Lisboa era muito diferente da actual, tal como a configuração do futuro hospital geral de Todos os
Santos num modelo de meados do século passado e típico de hospitais periféricos são muito discutíveis e
vão originar significativos desequilíbrios na cobertura assistencial das populações, não só a pediátrica mas
de todos as idades. Nesse sentido, o novo hospital geral de Todos os Santos, em Chelas, a manterem-se os planos
actuais, será mais um “elefante branco” na negação do que deveria ter sido aprendido em casos anteriores e
uma opção muito questionável quer no seu plano financeiro e gestionário quer nos resultados sobre o
ordenamento da própria Cidade.
Os dirigentes não são donos do País nem das suas instituições, mas sim administradores da coisa pública
por delegação temporária dos cidadãos. Nesse sentido, não deveriam fechar, abrir ou substituir instituições
sem a demonstração cabal das razões e vantagens e sem ter em conta as implicações históricas, de utilidade
e sustentabilidade imediata e futura das suas acções. Uma vez que o Estado não dá sinais de se recordar
destes factos, resta aos cidadãos fazer uso do seu direito cívico de intervir pelas vias ainda possíveis para opinar
sobre o único cenário presente, o do projecto do futuro hospital geral em Chelas, designado por “Hospital de
Todos os Santos”.

Que defende a Plataforma Cívica e os milhares de subscritores da Petição?
De forma sintética, os objectivos da Plataforma Cívica e da filosofia da Petição podem organizar-se em dois eixos
de conceitos e valores ligados entre si: a defesa do património do Hospital de Dona Estefânia e a
concretização de um novo Hospital Pediátrico para Lisboa. Em cada um destes aspectos defendemos que:

1 – Quanto ao património do Hospital de Dona Estefânia:
- se mantenha o espaço do Hospital como um património da criança, da sua dignidade e da sua
condição. Nesse conceito incluiu-se a possibilidade de ai se instalarem instituições e equipamentos de apoio e
defesa da criança, na vertente da saúde (como a doença crónica ou exigindo reabilitação prolongada), ou outras.
- o espaço e os edifícios não sejam alienados aos interesses imobiliários e à pressão do estacionamento
na zona e se mantenha na esfera pública essa herança nacional e intergeracional com mais de 130 anos.
- se preserve o espaço patrimonial religioso único e se respeite gerações de cidadãos que veneram este local
com fé e a memória das crianças videntes de Fátima. - a designação de Dona Estefânia se mantenha em
qualquer estrutura futura a instalar no espaço, tenha ela a forma de Fundação, Instituto público ou outra.

2 – Quanto ao novo espaço hospitalar de Chelas para onde se propõe transferir o que restar do
Hospital de Dona Estefânia:
O que define o Hospital das crianças de Lisboa não são as paredes onde se aloja, sejam elas de moderna
fibra de vidro ou de antiga alvenaria. O seu elemento caracterizador é o serviço ímpar que presta à
população, através do exercício de um modelo único de cuidados prestados em ambiente pediátrico
adequado como tem vindo a ser conseguido ao longo de décadas de desenvolvimento da medicina especializada
do feto, do recém-nascido, da criança e do adolescente.
Nesse sentido, defendemos como mínimo aceitável que:
- sejam consideradas as orientações base do documento técnico elaborado pela Comissão Médica
do Hospital de Dona Estefânia em 2006 (Ver Boletim ”A Estefânia-No1, Maio 2008).
- o Hospital de Dona Estefânia seja transferido na sua totalidade e diferenciação pediátrica, sem mais
perdas, para um edifício autónomo e desenhado exclusivamente para as especificidades da assistência
à criança e que concretize a desejada criação de um novo Hospital Pediátrico de Lisboa. Por todas as razões,
nada vemos que se possa opor a que esse novo hospital se continue a designar por Hospital de Dona Estefânia.
- o novo hospital pediátrico de Lisboa concretize os nossos desejos de modernização e uma verdadeira
diferenciação assistencial que, dentro de expectativas realistas de desenvolvimento dos equipamentos
específicos para a pediatria, tenha a criança doente como elemento central e não como um parceiro
acidental de utilização de equipamentos adquiridos para adultos e “ajeitados” para as características da criança.
Sempre defenderemos que a criança tem identidade e dignidade próprias e não deve ser tratada como
consorte ou titular menor de direitos de cidadania.
- o novo Hospital Pediátrico de Lisboa disponha dos meios de diagnóstico e tratamento próprios para as
crianças e que a regra seja a de usufruir de ambiente e espaço pediátricos enquanto dura a sua estadia e
contacto com o hospital. Essas premissas devem verificar-se em internamento, consulta, urgência,
hospital de dia, intervenções cirúrgicas, técnicas invasivas ou exames especiais. Só evoluindo nesse
sentido e concretizando que o “ambiente pediátrico” envolve profissionais, pais e acompanhantes, se pode dar
lugar à modernidade e se contraria o inexplicável retrocesso que o plano funcional do futuro Hospital
de Todos os Santos encerra ao ignorar a especificidade da criança e das famílias nestes
vectores. Só em casos excepcionais de inexistência de alternativas pediátricas num futuro previsível, será licito
estabelecer a indispensável parceria com as unidades de adultos, tendo em conta que, ainda assim, a regra a
perseguir deve ser a dos técnicos de adultos se deslocarem ao hospital pediátrico e não o contrário.
- o novo Hospital Pediátrico de Lisboa possua uma ligação fácil, interna e exclusiva ao(s) edifício(o) do
hospital de adultos e sejam considerados espaços quer para respostas de segurança a catástrofes locais e às
especificidades de controlo de pânico e evacuação de crianças, quer para o crescimento e desenvolvimento
do Hospital pediátrico nas décadas seguintes. Tal facto não exclui, antes pelo contrário, que existam espaços
comuns no novo pólo hospitalar que congreguem todos os profissionais e produzam economias benéficas de
escala, tais como: biblioteca, refeitório, anfiteatros, áreas de ensino, serviços administrativos, segurança, etc.
desde que as crianças não sejam penalizadas colateralmente.
- os profissionais que irão cuidar das crianças continuem a dispor da preparação técnica
apropriada e estejam imbuídos da indispensável vocação para este grupo etário, não sendo permitido o
“aproveitamento” de quaisquer outros funcionários para cuidar de crianças em escalas episódicas ou de
conveniência. Nesse sentido, o quadro de pessoal próprio do Hospital Pediátrico é uma necessidade de
qualidade e um factor indispensável do envolvimento dos profissionais e da sua dedicação e evolução na
patologia da criança.
- as comissões técnicas que lidam com situações próprias da pediatria e que raramente ou nunca se
encontram na medicina de adultos, sejam compostas por profissionais com formação, treino e experiência
pediátrica comprovada, como são os casos das Comissões de Ética, Farmácia e Terapêutica,
Humanização, etc.. A curta experiência de não aceitação inicial desta lógica pelos dirigentes do actual Centro
Hospitalar de Lisboa, acabou por levar à recente nomeação de subcomissões pediátricas específicas
como, em devido tempo, tinha sido aconselhado pela Comissão Médica do Hospital de Dona Estefânia.

A Plataforma Cívica

Visite o site da Plataforma Cívica em
www.campanhapelohde.blogspot.com

Opinião: “Assistência Pediátrica especializada: Lisboa capital do
3o Mundo?”
O futuro Hospital Geral de Todos os Santos-Chelas, com inauguração prevista para 2012 (?), tem sido
pomposamente apresentado como um grande e moderno hospital que irá “permitir” o encerramento de quatro
hospitais de Lisboa, incluindo o único hospital pediátrico da cidade e da zona sul do país – o
Hospital de Dona Estefânia. No projecto do novo hospital apenas ficará um bloco para a criança
encaixotado numa construção em tudo projectada para adultos e em que as crianças terão de repartir
múltiplos espaços, circuitos, técnicos e aparelhos, com adultos e idosos. O anúncio tem sido repetido e
acompanhado pelo alto som das trombetas, procurando tornar inaudível qualquer reflexão técnica e cívica sobre
os danos concretos que mais um “elefante branco” trará, quer para o País, a cidade de Lisboa e a rede
pública de cuidados de saúde, quer para a assistência e a condição da criança de toda a zona sul do País.
Dada a amplitude dos prejuízos já identificados e rejeitados por dezenas de milhares de cidadãos (ver
Petição com mais de 76.000 assinaturas: Boletim No1-Maio- 2008), vários responsáveis políticos e institucionais
começam a despertar para, pelo menos, ouvir o que se passa sob a espuma propagandística. Esse dado é um
sinal de esperança no melhor funcionamento da nossa democracia com maior participação dos cidadãos e no
primado do interesse da comunidade.

Neste número 3 de “A Estefânia” apenas mencionarei alguns factos que, por excessiva boa fé de uns,
desactualização de conceitos ou linear ignorância de outros, constituem ameaças maiores à condição
futura das nossas crianças.
Ao destruir o único hospital pediátrico especializado da zona sul do País – O Hospital de Dona Estefânia –
reduzindo-o a um espaço diluído, física e funcionalmente, no futuro hospital geral de Chelas,
afirmando a sua adequação à pediatria e ao ambiente pediátrico especializado com base em actos de fé sem
consistência argumentativa validada quer pela experiência, quer pela evolução dos padrões da
assistência à criança a nível do mundo desenvolvido, os decisores colocam Portugal e a cidade de Lisboa ao
nível dos padrões conceptuais do 3o Mundo. Portugal e a sua capital constituirão um novo “caso estudo” de
como um país da Europa e do mundo desenvolvido, ocupando um lugar invejável no ranking mundial da
saúde muito à custa da espectacular melhoria dos índices de saúde infantil, adoptará os conceitos sanitários do
subdesenvolvimento na assistência à criança. Podem transmitir-nos que os males da extinção do
hospital pediátrico de Lisboa serão “compensados” pelo acervo tecnológico do novo hospital geral de Chelas,
mistificando o facto de um edifico novo, eventualmente bem equipado, não ser sinónimo de
um hospital moderno. O que faz a modernidade de um hospital é o exercício de conceitos modernos da
assistência médica especializada, nomeadamente pediátrica e essa terá de ser realizada em ambiente
pediátrico próprio, autónomo e protegido, levada à prática por profissionais com diferenciação e treino
pediátricos e suportada por equipamentos adequados e não “ajeitados” dos adultos. Pode mesmo o Plano
Funcional–“Anexo Pediátrico” prometer que o ambiente pediátrico do novo hospital geral de Chelas vai ser
muito mais que “Patos Donald” ou “Dragon Balls” espalhados generosamente pelas paredes e que também
estão previstas sanitas pequenininhas para atender às especificidades dos pequenininhos doentes. Mas mesmo
que tudo seja fervorosamente explicado sobre a extinção do Hospital Pediátrico de Lisboa, ainda ficará por
explicar porque é que, em termos de opções de saúde pediátrica especializada, Portugal com a sua cidade
capital passam a integrar o grupo de países sem hospitais pediátricos identificados (Quadro 1), boa
parte dos quais pertence ao 3o Mundo em índices de desenvolvimento humano, mortalidade infantil e
materna e, parte deles, têm regimes que ignoram grosseiramente necessidades e a opinião dos seus povos.

Quadro 1:Países SEM hospitais pediátricos
identificados
Andorra, Antiqua e Barbuda, Argélia, Bahamas, Barbados,
Barém, Belise, Benim, Botswana, Brunei*, Butão, Cabo-Verde, Camarões, Catar, Cazaquistão, Chade, Chipre,
Comoros, Costa do Marfim, Djibuiti, Eritreia, Estónia, Fidji, Gambia, Gana, Grenada, Guatemala*, Guiné, Guiné-Bissau,
Guiné Equatorial, Honduras, Iémen, Ilhas Marshall, Ilhas Salomão, Kiribati, Kuwait*, Laos, Lesoto, Malásia, Malawi,
Maldivas, Malta, Maurícias, Mauritânia*, Micronésia, Moçambique, Namíbia, Nauru, Oman, Palau, Papua Nova-
Guiné, Quirguistão, Republica Centro Africana, Republica Democrática do Congo, Santa Lúcia, São Marino, São Tomé e
Príncipe, São Vicente e Granadinas, Serra Leoa, Sheycheles, Síria, São Cristóvão e Nevis, Somália, Suazilândia, Suriname,
Tailândia, Tajiquistão, Timor Leste, Tonga, Turquemenistão, Tuvalu, Usbequistão, Vanuatu, Zâmbia, Zimbabwe.
*Com hospitais pediátricos em projecto ou construção actual Haverá que explicar também esta particularidade lusa
de divergir dos países desenvolvidos, muitos dos quais são origem de famílias com crianças que procuram o
nosso país como destino seguro e europeu de férias. Não haverá que questionar porque é que países como os
referidos no Quadro 2 têm vários (p.v. dezenas) hospitais pediátricos, uns recentemente reabilitados e
modernizados e outros em actual construção de raiz?

Quadro 2:Países COM hospitais pediátricos Países da Comunidade Europeia (Alemanha, Áustria, Bélgica,
Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Holanda, Irlanda, Itália, Letónia,
Lituânia, Luxemburgo, Polónia, Portugal-Lisboa*, Portugal- Coimbra, Reino-Unido, Republica Checa, Suécia,), países
candidatos à CE (Croácia, Turquia), África do Sul, Albânia,Argentina, Arménia, Austrália, Brasil, Burundi, Canadá, Chile,
China, Cuba, Egipto, EUA, Índia, Indonésia, Israel, Marrocos, México, Nova Zelândia, Panamá, Peru, Porto Rico, República
Dominicana, Roménia, Rússia, Suiça, Tunísia, Ucrânia, Uruguai, Venezuela, Afeganistão, Angola, Arábia Saudita,
Azerbaijão, Bangladesh, Bielorrússia, Bolívia, Bósnia, Burkina Faso, Cambodja, Colômbia, Congo, Coreia do Norte,
Coreia do Sul, Costa Rica, El Salvador, Equador, Etiópia, Gabão, Geórgia, Haiti, Hong-Kong, Irão, Iraque, Jamaica,
Japão, Jordânia, Líbano, Libéria, Líbia, Macedónia, Madagáscar, Mali, México, Moldávia, Myanmar, Nepal,
Nicarágua, Nigéria, Paquistão, Paraguai, Quénia, Ruanda, Samoa Ocidental, Senegal, Singapura, Sudão, Tanzânia, Togo,
Trindade e Tobago, Uganda, Vietname. * Portugal-Lisboa deixará este grupo em 2012 e integra o Quadro 1

Será que tantos países desenvolvidos ainda não tiveram o privilégio de descobrir a premunição portuguesa na
extinção dos hospitais especializados na saúde da criança? Ou será que os seus decisores pensam e actuam
de uma outra forma que consideram mais adequada ao estatuto e necessidades dos seus pequenos cidadãos e
ao seu próprio futuro como país?

Perante esta situação, não haverá que reflectir, que pensar um pouco? Não haverá respostas a dar? Não
haverá que esclarecer quais a verdadeiras razões para se destruir um dos primeiros hospitais pediátricos da
Europa e do Mundo – o Hospital de Dona Estefânia, hospital pediátrico de Lisboa - e os seus conceitos de
assistência à criança, substituindo-o por um sector de um edifício em tudo equiparado a um hospital geral
periférico?. Os responsáveis políticos do País não terão de se esclarecer e de esclarecer sobre estas questões?

Mário Coelho-Pediatra (Apoiante da Plataforma)

Envie-nos as usas opiniões para o e-mail:
estefania.boletim@gmail.com

Ficha Técnica: Edição da Plataforma em Defesa do Património do Hospital
de Dona Estefânia e de um novo Hospital Pediátrico para Lisboa;
Coordenador de edição: Mário Coelho; Formatação: Miguel Félix;
Distribuição gratuita em papel e via Internet

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Informações sobre a entrega do Abaixo Assinado e da divulgação e apoios a campanha

Muitos apoiantes têm indagado quando será entregue o Abaixo-assinado ao Presidente da Republica Portuguesa.

Esclarecemos que :

O Excelentíssimo Sr. Presidente da República Portuguesa, Professor Aníbal Cavaco Silva fez saber, na pessoa do Prof. António Gentil Martins que representou a plataforma nesta diligência, que:
" O Sr. Presidente terá muito gosto em vos receber e ouvir as vossas razões, solicitando contudo que previamente e por razão de protocolo institucional que antes fizemos chegar o Manifesto a Sra. Ministra da Saúde".
Por termos a mesma sensibilidade e confiarmos na capacidade de dialogo da actual Ministra , solicitamos a sua Secretaria, que fosse agendada uma entrevista com Dra. Ana Jorge , e que será (finalmente e depois de algum tempo de espera ) concretizada no próximo dia 15 de Julho.


Citando o Boletim Estefânia nº 2 (abaixo transcrito na integra):


"Ministra da Saúde recebe a Plataforma Cívica em 15 de Julho"
Por solicitação da Plataforma Cívica em Defesa do Património do Hospital de Dona Estefânia e de um novo Hospital Pediátrico para Lisboa (ver Boletim “A Estefânia” Nº1 Abril 2008), a Senhora Ministra da Saúde vai receber-nos no próximo dia 15 de Julho.
Na audiência procuraremos expor as razões de existência deste movimento resumidas no manifesto publicado No boletim nº1 “A Estefânia”
No próximo Boletim resumiremos o resultado dessa reunião.



Informamos ainda que a Plataforma, tem enviado o Boletim e Manifesto , para os diversos Partidos e grupos e comissões representadas na Assembleia da Republica e Governo na pessoa do Sr. Primeiro Ministro e organizações de apoio e defesa dos direitos da criança, e que a quase totalidade das entidades contactadas e nomeadamente o Sr. Primeiro-ministro, acusaram a recepção dos documentos por nos publicados e formal e atenciosamente, responderam-nos :
"agradecemos e será a dada a devida atenção a informação enviada"
(Este documentos estão no Arquivo da Plataforma e são de livre consulta)



Outras informações importantes:

"Após a entrevista do Grupo Municipal do PEV a elementos representantes da Plataforma de Defesa do património do HDE e de um Novo Hospital Pediátrico para Lisboa, foi apresentada na sessão de Assembleia Municipal de Lisboa, do dia 17 de Junho, uma Recomendação sobre o tema, que poderá ser consultada no URL http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=179&Itemid=36

Esta recomendação em Defesa do Hospital Pediatrico, foi aprovada na Assembleia Municipal de Lisboa

A intervenção do Deputado Municipal Sobreda Antunes acerca da recomendação poderá também ser consultada no seguinte URL http://pev.am-lisboa.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=177&Itemid=33


Nota dos editores :
Nota 1:Informa-se ainda que resultados práticos de outras entrevistas concedidas pela Plataforma serão igualmente aqui divulgados.

Nota 2 : Aceitamos apoios em Defesa do Hospital Pediatrico, de todas as forças politicas e organizaçoes culturais ou religiosas.
Nesta plataforma podem coexistir as diversas sensibilidades ideologicas e religiosas. Todas estas divergências estão contudo fora do circulo transparente que nos une na acção e que é a defesa do Hospital Pediatrico de Lisboa.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Leia e divulgue: Boletim Informativo nº2 " A Estefânia "



LEIA O BOLETIM E DESCUBRA PORQUE :

... nas próprias palavras do CA, os profissionais não devem ter qualquer medo em manifestar as suas opiniões sobre este ou outro assunto...

....Não aceito ser desvalorizada pelo facto dos doentes serem mais pequenos ou em menor número; exijo respeito pela minha diferenciação e quero melhorar, não piorar, a minha prestação profissional. Nos moldes actuais, o futuro é triste e peço que seja considerada a hipótese de criação de um Hospital Pediátrico onde continue a caber a Medicina de Reabilitação, como espaço e filosofia.....

....O meu receio é que as próximas revisões do Plano Funcional revelem igual menosprezo pelos envolvidos, numa lógica de tempo que apenas assiste interesses imediatos, mas pela qual a História nos vai penalizar por cúmplices, ainda que involuntários ou opositores. ....


Um Serviço de Radiologia Pediátrica não se confunde com um Serviço de Radiologia de Adultos

Misturar crianças com adultos doentes num mesmo Serviço de Radiologia desumaniza o atendimento e reduz as capacidades técnicas e profissionais. A imagiologia Pediátrica é muito diferente da do adulto, pois requer conhecimentos específicos no domínio da anatomia, fisiologia, fisiopatologia e patologia pediátrica.

...É à volta desse sorriso que a equipa de radiologia pediátrica se une. É difícil entender?....


NOTA EDITORIAL : " TU FAZES O QUE DEVES, O ESTADO FARÁ O QUE BEM ENTENDER...."

ARTIGOS PUBLICADOS NO BOLETIM Nº 2 :

-REUNIÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO COM OS PROFISSIONAIS DO HOSPITAL DE DONA ESTEFÂNIA

-"O PLANO FUNCIONAL DO FUTURO HTS E A ( RE) HABILITAÇÃO PEDIÁTRICA"

-UM SERVIÇO DE RADIOLOGIA PEDIÁTRICA NÃO SE CONFUNDE COM UM SERVIÇO DE RADIOLOGIA DE ADULTOS



TRANSCRIÇÃO NA INTEGRA DA EDIÇÃO :

Reunião do Conselho de Administração com os profissionais
do Hospital de Dona Estefânia

O sucesso do futuro Hospital de Todos os Santos, em Chelas, depende do empenho esclarecido dos profissionais que vão viver o complexo período de transição para um equipamento hospitalar que se promete fortemente tecnológico. No dia 4 de Junho, o Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar de Lisboa-Central (CHL-C) realizou no Hospital de Dona Estefânia uma sessão de esclarecimento sobre o futuro hospital de Chelas. Focaram-se vários aspectos positivos que apraz registar e outros tantos negativos sob assistência pediátrica que não foram esclarecidos nem fundamentados.
Assim ficámos a saber que:
- a presença de mais de 200 profissionais demonstrou a inquietação e o empenho do Hospital nestas questões, realçando-se o ambiente sereno e construtivo da sessão.
- o CA está disponível para qualquer explicação e fará as sessões que forem necessárias para responder às preocupações do Hospital, objectivo expresso da nossa Plataforma e dos Boletim “A Estefânia”. Assim, continuaremos com esta forma de intervenção cívica.
- ficou no ar a afirmação de que “praticamente tudo está em aberto”. À atitude do CA, a Plataforma Cívica retribuirá com igual seriedade e empenho, dando o seu contributo à divulgação dos princípios que reclama sobre o que considera a melhor defesa da criança, juntando os intervenientes num espaço de opinião que permita maior reflexão sobre estes problemas.
- nas próprias palavras do CA, os profissionais não devem ter qualquer medo em manifestar as suas opiniões sobre este ou outro assunto.
- o vídeo computorizado em imagens ficcionadas a três dimensões apresentado no início da sessão sobre a ideia projectiva de um futuro hospital em Chelas procurou transmitir uma imagem de modernidade que não disfarçou a falta de soluções para a indispensável separação física de crianças e adultos doentes. Quem pôde ficar até ao final concluiu que se tratava de um vídeo promocional virtual, sem relação directa coma realidade do futuro edifício de Todos os Santos, pois serão as empresas vencedoras dos concursos que irão propor o traçado arquitectónico de acordo com um Plano funcional ainda em revisão e um parque tecnológico ainda desconhecido.
- o CA reconhece que o Plano Funcional do futuro hospital geral de Chelas está em completa revisão pois tem inúmeros erros e muitos aspectos técnicos questionáveis. Esta situação já tinha sido previamente identificada no editorial do Boletim Nº1 ”A Estefânia” e a desvalorização desse Plano Funcional por parte do próprio CA é um facto potencialmente positivo.
- o CA afirmou que, ao contrário de várias informações iniciais, as crianças teriam um espaço no futuro hospital geral, consubstanciado num bloco próprio. No entanto, continuariam a partilhar com os doentes adultos e idosos a maioria das áreas técnicas. Esta Plataforma continua a discordar que esses espaços sejam apenas o dormitório-hotel das crianças doentes e que, quando as crianças necessitarem de técnicas médicas invasivas, procedimentos operatórios ou outros, tenham de ser transportados de maca ou cadeira de rodas para se misturarem com os doentes adultos. Regista-se que os adultos têm esses “privilégios” ao dispor no espaço que lhes é destinado. Não desistiremos de tentar sensibilizar os decisores para tal incoerência.
- o CA esclareceu que as camas pediátricas passariam a ser cerca de 170, mais de 300% face ao inicialmente previsto no Plano Funcional. Congratulamo-nos com esta evolução da posição dos decisores, que está mais aproximada das necessidades demonstradas e reclamadas pelos profissionais do Hospital. No entanto, a confusão aumentou quando foi afirmado que “algumas” destas camas serão “camas técnicas”, muitas delas situadas em espaços de adultos. Não se percebeu se tal “aumento” de camas iria levar ao aumento total de camas do futuro hospital ou se implicaria uma redução paralela no número de camas de adultos.
- o CA reconhece o erro conceptual do desacreditado Plano Funcional do futuro hospital de Chelas que previa que as crianças com doenças psiquiátricas seriam assistidas e internadas no mesmo local que os adultos com doença mental. O CA ouviu e teve o bom senso de aceitar que as crianças com doença psiquiátrica passariam então a ser assistidas e internadas em “área pediátrica”. Não foi esclarecida a localização das camas pedopsiquiátricas, nem se, compensatoriamente, se iriam reduzir as camas destinadas a outras crianças.
- não existia um centro de desenvolvimento infantil para o futuro hospital de Chelas que pomposamente se auto-apelida de “moderno” e pretende ter a pediatria diluída no seu interior físico em modelo dos anos 60 do século passado. O CA afirmou que afinal haverá um Centro de Desenvolvimento Infantil anexo (?) à pediatria.
- o CA admite que as áreas com comprovada especificação pediátrica (?) ficariam na zona pediátrica do futuro hospital. No caso da Medicina Física e de Reabilitação (MFR), esta ficaria inserida no Centro de Desenvolvimento Infantil. Tal decisão parece-nos demasiado redutora do âmbito da MFR, não tendo ficado esclarecido se estão envolvidas outras áreas da MFR (Ex: reabilitação respiratória, neurológica, ortopédica, queimados, etc.) nem qual a relação física e organizacional com o restante hospital.
- o CA confirmou a opção de que as crianças iriam utilizar um bloco operatório fora da pediatria e em comum com os adultos, cujo plano de gestão de espaços, à semelhança de outros aspectos desta mistura geral, estaria ainda em estudo. Não foi esclarecida a forma de separação dos espaços, circuitos e equipas, nem como será garantido que as crianças continuem a beneficiar do apoio de profissionais especificamente preparados para as atender, por exemplo, nos recobros/salas de técnicas com anestesia.
- o CA insistiu na ideia de planear os espaços de técnicas médicas pediátricas numa utilização mista com os adultos. Acreditamos que é pouco informada a aparente convicção de que os equipamentos imagiológicos e outros não continuarão a evoluir nas especificações técnicas destinadas à criança e que, num hospital que se promete “altamente tecnológico” e até “robotizado”, caberia às crianças um lugar ao nível do século passado. Esta situação, quanto a nós, carece de reflexão urgente, pois antecipa um modelo de parque técnico e funcional baseado em equipamentos médicos cujo processo de selecção e aquisição será mais tardio, após os concursos arquitectónico e de engenharia. O facto é que aparelhos específicos para a criança surgem cada vez mais no mercado e tal tendência não vai parar nos anos que antecedem a abertura do futuro hospital. Sem esta reflexão, em breve teremos os primeiros remendos na obra e maiores custos para os habituais trabalhos acessórios.
- o CA admite que algumas técnicas pediátricas poderiam ter espaços próprios exclusivamente para crianças, dependendo do volume de exames. Não foi respondido que técnicas e número de exames de cada técnica seriam considerados suficientes para que as crianças pudessem continuar a “beneficiar” de espaços e técnicas separados dos doentes adultos.
- o CA afirmou reconhecer que “se a pediatria não quer estar inserida no ambiente dos adultos, também os adultos não querem nem desejam ter as crianças nos seus espaços”. Apesar desta opinião generalizada e da sua afirmação desassombrada pelos próprios dirigentes, o CA continua a insistir no contrário.
- o CA reconheceu que desconhecia a magnitude do mal estar e descontentamento que grassa no Hospital e que se verificou atingir praticamente todos os sectores técnicos e classes profissionais.
- o CA alertou que haverá profissionais que não irão para o futuro hospital geral de Chelas, se assim “quiserem” (?) mas não definiu em que quadro de pessoal se concretizará esta afirmação.
- em breve, um membro do governo virá anunciar a solução para o actual Hospital de Dona Estefânia. A solução é considerada boa pelo CA, sendo há muito comentada nos corredores dos poderes.
- o CA entendia que o elevado nível de desconfiança em relação ao plano do futuro Hospital de Todos os Santos se devia a reacções “normais” de medo e de dor pela mudança e o “compreensível” sentimento de perda. Foi transmitido ao CA que não é o medo da mudança ou outro que assiste ao desagrado quase generalizado, mas sim a frustração de muitos profissionais que não se revêem num projecto que, à partida, gerara tanta expectativa de melhoria das condições de assistência às crianças e adolescentes.
A Plataforma Cívica

Coluna de Opinião (Cartas para publicação)

“O Plano Funcional do futuro HTS e a (Re)Habilitação Pediátrica”

A reunião de esclarecimento do Conselho de Administração (CA) sobre o futuro Hospital de Todos os Santos (HTS) teve o mérito de fundamentar o meu crescente desassossego. Não fiquei nada esclarecida, nem sobre o futuro, nem sobre o interesse da supremacia de um hospital geral contra a ideia, conciliadora, de um hospital pediátrico integrado num campus hospitalar.
A reunião teve dois efeitos: - criar uma nostalgia dos Hospitais Civis de Lisboa (HCL) e fazer sentir-me totalmente inepta para acompanhar o salto qualitativo que representa a passagem do actual Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) para o futuro Hospital de Todos os Santos (HTS) de “excelência”.
Conheço os HCL desde a infância, como frequentadora e simpatizante antes de me tornar profissional e sempre fui mantendo algum contacto, de características variáveis consoante os crescimentos recíprocos. Aí fiz os internatos médicos, optando pelo Hospital Dona Estefânia (HDE).
Por razões políticas, que deveriam ser válidas na altura, os HCL foram dissolvidos e viveram separados durante anos, não se sentindo que fossem comprometidos o empenho ou a diferenciação dos seus profissionais. Agora, por capricho ou por razões provavelmente válidas por um período igualmente finito, decidem a nossa inclusão (sem o Hospital de Curry Cabral) no CHLC, criando serviços artificiais e sem qualquer respeito pelo crescimento e diferenciação entretanto ocorridos. Refiro-me, obviamente, à minha especialidade “transversal”, recentemente integrada num Serviço de Medicina Física e de Reabilitação (SMFR) geral, que reúne os dos extintos HCL. Ao longo dos anos, os elementos das várias categorias profissionais do SMFR do Hospital Dona Estefânia adquiriram uma diferenciação específica em crianças e adolescentes. Alguns de nós fizeram grandes investimentos pessoais privilegiando a diferenciação (a “carolice”, herança dos HCL), as nossas referências HCL foram-se perdendo e os contactos passaram a ser a Pediatria e sub-especialidades pediátricas. O fascínio da aprendizagem do movimento e do desenvolvimento num indivíduo em crescimento, a gestão da doença crónica e do que ela implica, a originalidade da intervenção terapêutica.... Subitamente fui integrada num SMFR com hierarquias distantes, decididas por razões não aparentes. Como médica, sei que posso ser parceira de gestão, mas não é minha especialidade ou vocação e defendo que os directores continuem a ser as referências científicas a quem se recorre para obter as opiniões profissionais decisivas. Quando a palavra retrocesso é a que mais ouço para caracterizar a actual unificação, não tenho imaginação suficiente para idealizar o salto para a excelência que representa o futuro HTS. Os serviços são as pessoas que os constituem, no que isso tem de bom e mau, e resultam duma construção diária de conhecimentos científicos e interpessoais, às vezes em equilíbrio instável, mas sempre com o objectivo único de servir os doentes, neste caso crianças e adolescentes. Como querer que esta organização se mantenha em serviços artificiais e toscamente criados sem qualquer respeito pelos diferentes percursos históricos?
Do futuro, que há de concreto? O plano funcional do HTS!
Ninguém consegue elogiar este plano que mais parece um texto apócrifo. Nele, o “ambiente pediátrico” é colocado a posteriori num plano simplista de um qualquer Serviço de Medicina Física e de Reabilitação, como se a Reabilitação Pediátrica representasse, não toda uma filosofia, mas um acréscimo artificialmente conseguido com autocolantes do Noddy. O “ambiente pediátrico” fica situado no meio do serviço de MFR a que se acede por uma entrada comum a crianças e adultos.
Há referência a “boxes” de tratamento!! Este anglicismo não faz parte do meu léxico de Reabilitação Pediátrica; os agentes físicos são raramente utilizados em pediatria e os adolescentes que, actualmente, estão num programa de estimulação eléctrica, fazem-no em conjunto, numa área ampla e promovendo competição/entreajuda. E nem por se designarem boxes “polivalentes” (preciosismo sublime!) fica o “ambiente pediátrico” salvaguardado!
Segundo o Plano haverá uma Sala de Actividades da Vida Diária (AVD). AVD?? É um termo que não tem pertinência em Reabilitação Pediátrica e muito menos justifica uma sala. Quão singelas são as “AVD” de um Recém Nascido! No entanto é ele que tem uma lesão do plexo braquial ou um torticollis congénito e é ele que é preciso diagnosticar e tratar. Até a linguagem técnica é diferente, assim como a patologia e as formas de diagnóstico ou de intervenção terapêutica; mas esta diferenciação não foi contemplada nesta junção de Serviços e muito menos o será, ao manter-se o actual modelo de cuidados previsto para o “excelente” HTS.
Assim, deve entender-se que o meu desassossego não vem da perda de uma situação ou do medo da mudança, mas sim da certeza que a tendência actual é para pior, sem que se consiga fazer vê-lo a quem tem por missão a gestão, o único fim último admitido na nossa sociedade actual.
Não aceito ser desvalorizada pelo facto dos doentes serem mais pequenos ou em menor número; exijo respeito pela minha diferenciação e quero melhorar, não piorar, a minha prestação profissional. Nos moldes actuais, o futuro é triste e peço que seja considerada a hipótese de criação de um Hospital Pediátrico onde continue a caber a Medicina de Reabilitação, como espaço e filosofia. O meu receio é que as próximas revisões do Plano Funcional revelem igual menosprezo pelos envolvidos, numa lógica de tempo que apenas assiste interesses imediatos, mas pela qual a História nos vai penalizar por cúmplices, ainda que involuntários ou opositores.
(Carta enviada por Ana Soudo – Médica Fisiatra)


Um Serviço de Radiologia Pediátrica não se confunde com um Serviço de Radiologia de Adultos


Misturar crianças com adultos doentes num mesmo Serviço de Radiologia desumaniza o atendimento e reduz as capacidades técnicas e profissionais. A imagiologia Pediátrica é muito diferente da do adulto, pois requer conhecimentos específicos no domínio da anatomia, fisiologia, fisiopatologia e patologia pediátrica. A interpretação dos exames de imagem é um desafio contínuo, sendo fundamental a discussão pluridisciplinar com os outros Serviços hospitalares pediátricos médicos e cirúrgicos. Estes conceitos são pedra angular de bom funcionamento dum Serviço de Radiologia Pediátrica.
O primeiro hospital pediátrico, Dispensary for Sick Children, data de 1769, em Londres. Em Portugal, o Hospital de Dona Estefânia dedicado às crianças de Lisboa, data de 1860 e foi um dos pioneiros na Europa. A Pediatria nasce em 1893, em Harvard e em 1910 é publicado o primeiro livro de radiologia pediátrica “The Roentgen Method of Pediatrics”. Entre 1920-1930 vários serviços de radiologia foram criados exclusivamente nos hospitais pediátricos, mas foi depois da II Guerra Mundial que a especialidade de radiologia pediátrica irrompeu e a constante evolução dos equipamentos tornou a radiologia pediátrica actual imprescindível à prática clínica.
Um Serviço de Imagiologia dedicado à criança requer particular atenção: na preparação teórica e prática dos seus profissionais (médicos, técnicos, enfermeiros, auxiliares de acção médica, administrativos); no seu equipamento: radiologia convencional, ecografia, tomografia computorizada (TC) e ressonância magnética (RM); e no atendimento adequado às características das crianças, à sua relação com o meio e com as tecnologias de diagnóstico imagiológico.
Os médicos especialistas nesta área devem ter perfeito domínio das técnicas imagiológicas, das estratégias diagnóstico mais adequadas à criança, da optimização dos métodos menos invasivos, sem radiação ionizante e da sua execução ou orientação de forma segura.
Também os técnicos de radiologia devem ter treino específico para a realização de exames em idade pediátrica, com particular atenção à obtenção de confiança das crianças e às formas particulares de imobilização que variam consoante o exame solicitado, o grupo etário, as doses de radiação mínimas para obter imagens úteis e nível de treino continuado que reduza as repetições de “disparos” ou de outras incidências complementares, poupando estes doentes a doses desnecessárias de radiação e encurtando os tempos dos exames. A colaboração de outros médicos no Serviço de Radiologia Pediátrica, em particular dos Anestesiologistas é favorecida com a dedicação destes à Pediatria. Enfermeiros, Administrativos e Auxiliares de acção médica devem estar também familiarizados com a prática pediátrica e a especificidade das funções no Serviço de Radiologia Pediátrica.
É necessário que os equipamentos imagiológicos de alta gama, acessórios, material anestésico e o carro de emergência que integram um Serviço de Radiologia Pediátrica sejam adaptados à população infantil.
O acolhimento da criança no Serviço de Radiologia é um aspecto primordial. Um exame imagiológico pode correr mal apenas porque não se conseguiu sossegar a criança e obrigar a atitudes mais invasivas como a sedação ou a anestesia. Acalmar a criança passa em primeiro lugar pelos pais que podem estar assustados não só pela forma como irá decorrer o exame como pelo seu resultado. A garantia do bem-estar da criança e uma informação prévia sobre a importância do exame, a necessidade de uma preparação, no que consiste e as várias etapas, pode ajudar a responder à ansiedade dos pais e transformá-los em “preciosos” aliados.
A sala de espera deve ser agradável com ambiente próprio a cada subgrupo etário. Uma área mais carinhosa para lactentes onde podem ser amamentados, limpos e adormecidos. Uma área de brincadeira e jogos para crianças pequenas, televisão e vídeos adequados cativa mais a atenção das crianças em idade pré-escolar. Uma consola com jogos interactivos para crianças em idade escolar. Algumas revistas e jornais para adolescentes e alguns pais… Um ambiente alegre ajuda a superar o tempo de espera.
As salas de exame não podem ser assustadoras. A decoração da sala, muitas vezes a cargo dos Psicólogos, contribui para minimizar o medo do equipamento. Durante a exploração imagiológica a atitude do médico ou do técnico que executa o exame deve adaptar-se não só à gravidade do doente mas à idade da criança para obter o máximo de colaboração. No Recém-Nascido o conforto físico é o principal requisito. Na criança pequena a presença da mãe é fundamental. A criança em idade escolar é receptiva á explicação do exame, demonstra curiosidade em ver as imagens e até vontade em ajudar. O adolescente, em fase de transição e alguma turbulência, reage de forma diferente do adulto e pode querer privacidade sem a presença dos pais na sala. É importante, se forem necessários mais exames, que a criança volte ao Serviço de Radiologia confiante e com um sorriso nos lábios. É à volta desse sorriso que a equipa de radiologia pediátrica se une. É difícil entender?
(Carta enviada por Eugénia Soares - Médica Radiologista)


Ministra da Saúde recebe a Plataforma Cívica em 15 de Julho
Por solicitação da Plataforma Cívica em Defesa do Património do Hospital de Dona Estefânia e de um novo Hospital Pediátrico para Lisboa (ver Boletim “A Estefânia” Nº1 Abril 2008), a Senhora Ministra da Saúde vai receber-nos no próximo dia 15 de Julho. Na audiência procuraremos expor as razões de existência deste movimento. No boletim “A Estefânia” resumiremos o resultado dessa reunião.


Leis outros textos e cartas visitando www.campanhapelohde.blogspot.com

Ficha Técnica: Edição da Plataforma em Defesa do Património do Hospital de Dona Estefânia e de um novo Hospital Pediátrico para Lisboa; Coordenador de edição: Mário Coelho; Formatação: Miguel Félix; Distribuição gratuita em papel e via Internet

domingo, 6 de julho de 2008

Em Coimbra ; especialização ,evolução, projecção internacional ! Em Lisboa: retrocesso e indiferenciação, destruição da especialização pediatrica!

Não contribua com a sua indiferença para a destruição do incalculável capital acumulado, cultural , assistencial e científico que é o Hospital Pediátrico de Lisboa.
Pensa conseguir-se fazer esquecer a destruição deste equipamento histórico da assistência pediátrica diferenciada de Lisboa com algumas tecnologias de ponta, que fazem a bandeira do H.T.S. Curiosamente, algumas delas , foram aprendidas com os mestres de Coimbra (que apresentam uma outra qualidade adicional, para além de não se fazerem cobrar tão caro pelos seu trabalho aos contribuintes, não têm um ego tão visível...).



( Clique sobre a imagem para amplia-la )

Devido ao empenho dos seus profis-sionais e população, Coimbra não só continua com o seu Hospital Pediatrico como tem um novo Hospital em vias de finalização. A Saúde e a Ciência servem as populações e projectam o País e é neste ciclo que se gera o progresso e se consolidam laços económicos que fazem girar a economia!
Em Lisboa ganha a lógica do merceeiro e o mercantilismo cego.

Exemplo prático: em Coimbra o Hospital Pediátrico estabelece laços com os países de lingua portuguesa.
E é o que Franceses e Ingleses fazem inteligentemente.

Noticia :
Telemedicina liga hospitais pediátricos de Coimbra e Luanda
O dia 01 de Novembro vai marcar o arranque oficial do projecto PEDITEL, que visa implementar uma solução integrada de telemedicina em Angola, centrada no âmbito da pediatria, mas com capacidade de expansão para outras especialidades clínicas. Desenvolvido em duas fases experimentais, com a duração de seis meses cada, o projecto PEDITEL vai permitir, na fase inicial, a realização de sessões de teleconsulta e telediagnóstico entre o Hospital Pediátrico de Luanda e o Hospital Pediátrico de Coimbra, na área da cardiologia pediátrica. O arranque do projecto vai acontecer no decurso das Jornadas de Medicina Pediátrica, que se iniciam amanhã em Luanda. A coordenação, integração e gestão do projecto é da responsabilidade da PT Inovação, que disponibilizou as plataformas de telemedicina e suporta uma parte dos custos de telecomunicações. O projecto engloba um conjunto de parceiros, nomeadamente a empresa e hospitais pediátricos referidos e também a Angola Telecom, Unitel, Multitel, TMN, Hemo Portugal/Angola, entre outros. Nesta primeira fase, o projecto PEDITEL representa um esforço financeiro de cerca de 150 mil euros, distribuído pelos diferentes parceiros.


Montagem a partir de desenhos de : M.C. Escher

domingo, 29 de junho de 2008

A Adaptabilidade e Humanização das Construções Hospitalares




O hábito faz ou não o monge?!!!
O desenho publicitário do futuro Hospital de Todos os Santos divulgado na Internet sugere uma "caixa azul com uma gravata cheia de números".
Qual a adaptabilidade de um edifício monobloco?






Outro paradigma " Hospital Pediátrico de Darmstad "- Edifícios geríveis e humanizados!
Hospitais que servem a população e a criança. Sensibilidades que consideram que ambiente e arquitectura fazem parte do tratamento.







A opção multi modular favorece a adaptabilidade!





Sala de quimioterapia de outro Hospital Pediátrico. Não se trata por certo de um Hospital em que o ambiente pediátrico depende de biombos!







ARTIGO DE OPINIÃO

"A ADAPTABILIDADE E HUMANIZAÇÃO DAS ESTRUTURAS HOSPITALARES"


No filme ficcionado apresentado em 4 de Junho no auditório do H.D.Estefania sobre o futuro H.T.Santos, frisou-se como qualidade intrínseca a sua “ adaptabilidade “.
Sem pretensões a juízos definitivos expomos um ponto de vista crítico sobre a contradição entre “adaptabilidade” e um mega edifício monobloco.
Os equipamentos hospitalares devem dar a melhor resposta não só às necessidades actuais mas também às previsíveis num horizonte temporal de cerca de 20 anos.
Numa época de grandes mudanças em que a evolução tecnológica é exponencial e as variáveis imprevisíveis, é obrigatório incorporar no plano arquitectónico das construções hospitalares uma plasticidade adaptativa que contemple as possibilidades de evolução de forma a procurar contrariar a rápida obsolência.
Este conceito, simples regra de bom senso, referido em todos os manuais modernos, faz parte dos pressupostos do plano funcional do futuro Hospital de Todos os Santos como Hospital Moderno que se ambiciona.
No plano vigente, e que vivamente criticamos, este é apresentado como um mega edifício monobloco, tal qual o antigo Hospital de Todos os Santos em que historicamente se inspiraram (ver artigo no Blog) e mais modernamente nos mega edifícios da era Hospital Tecnológico da décadas entre 20 e 50 do século passado desenvolvidos nos E.U.A.

Com vista a melhor explicar estes conceitos recorremos a literatura especializada e transcrevemos alguns excertos do artigo:


“ Do Hospital Terapêutico ao Hospital Tecnológico”
(fórum sobre arquitectura hospitalar)

-inicio de citação –

“ O advento da antibioterapia e o domínio da tecnologia do concreto armado e a fabricação de elevadores com maior velocidade e capacidade de carga estimulavam a adopção de um partido vertical, capaz de diminuir de forma drástica os longos percursos impostos, principalmente aos médicos e enfermeiras, pelos intermináveis corredores dos hospitais pavilhonares. Construídos na década de 20, organizavam as funções hospitalares em cinco sectores básicos: no subsolo os serviços de apoio, no térreo os consultórios médicos, o pronto atendimento e o serviço de raios X (então chamado de eletromedicina), no primeiro andar o laboratório e os serviços administrativos, nos pavimentos intermediários as áreas de internamento, no último o bloco operatório.
O sótão era usualmente ocupado pelos residentes médicos e de enfermagem (Miquelin, 1992:54).
O novo modelo incorporava duas importantes inovações tecnológicas na construção de
Edificações: o uso do concreto armado e de elevadores (Mumford, 1961; Foucault, 1979
Benchimol, 1990; Gordon, 1993).”

“As tentativas de humanização do atendimento hospitalar podem ser encaradas como uma reacção recente à hegemonia do hospital tecnológico e vêm sendo levadas a efeito com diferentes graus de profundidade e abrangência:

. Inicialmente, pela própria negação do hospital tradicional, em prol dos hospitais dia e da utilização crescente das técnicas de home-care, mediante as quais as facilidades tecnológicas, anteriormente restritas ao ambiente hospitalar, são levadas às residências dos pacientes.

. Mais recentemente com o surgimento de diversos movimentos que propõem a humanização do ambiente hospitalar, melhorando as condições de conforto para pacientes e acompanhantes, ora através de uma maior atenção às áreas de espera, consultórios, enfermarias e descanso de funcionários, ora pela adopção de tratamentos arquitectónicos diferenciados, inclusive no que se refere ao uso das cores, especialmente nos hospitais infantis, maternidades e hospitais geriátricos, nos quais os espaços começam a ser tratados de forma a reproduzir, sempre que possível, o ambiente familiar.

Finalmente, em um outro patamar, mais evoluído, estão outras propostas recentes que defendem para a edificação hospitalar um papel mais relevante no processo de cura de seus pacientes, buscando uma maior integração entre as práticas e procedimentos médicos e os espaços que lhes são reservados. “
Fim de citação

(Sublinhado nosso)



Para além de todos os inconvenientes (dificuldade na gestão administrativa, dificuldade no combate de catástrofes, desumanização dos grandes espaços etc.), estes grandes edifícios couraçados estão intrinsecamente desprovidos de capacidade de adaptativa.

É intuitivo que apenas uma concepção arquitectónica que contemple edifícios diferenciados e multi módulos pode comportar intrinsecamente esta leveza e adaptabilidade, humanidade e o ambiente pediátrico.

Tal predicado atribuído ao HTS,de acordo com plano funcional em vigor que o caracterizou como um Hospital Tecnológico e Monobloco,não é exequível.
Para além desta lógica intuitiva salienta-se que esta concepção multi modular é a única que permitirá a existência de um Hospital Pediátrico plenamente diferenciado em Lisboa, pela qual 76.000 portugueses já se mostraram inequivocamente a favor.

Esta nossa percepção foi analisada por uma apoiante com conhecimentos técnicos e que, não se referindo especificamente ao futuro HTS, escreveu:


“Ressalvando o facto de não me dedicar a este tipo de projectos e portanto com carácter genérico e eventualmente desajustada a situação particular, a questão da flexibilidade e adaptabilidade serão sempre melhores, num esquema multi-módulos de menor altura do que num monobloco mais alto, pelas maiores possibilidades de aumentar o número de edifícios nos interstícios, desde que essa expansão eventual esteja pensada e programada num plano que preveja, no mínimo, espaços verdes
entre edifícios onde se possa ter área suficiente para num primeiro momento usufruir de alguma paz e num segundo momento se possa construir um edifício com área suficiente para justificar o investimento.
De outra forma, todas as intervenções de acrescentos acabam por ser anexos ou apêndices, geralmente com carácter "provisório" pois é visível que não poderão apresentar as melhores condições, mas que acabam por se prolongar no tempo”


Fim de citação

Ao sermos frontais assumimos a possibilidade de incorrermos em erro. Sem turbulência não há mudança!

Enviem outras opiniões, corrijam-nos!




Antigo Plano funcional!



Local


Nota final: Temos informações que o plano funcional actual foi substituído por outro em que serão construídos vários edifícios de oito andares.
Indaga-se, caso verdade, porque estes planos não são divulgados?


Assina : Pedro Paulo Machado Alves Mendes
Médico Radiologista Hospital D. Estefânia - Lisboa

terça-feira, 24 de junho de 2008

Artigo de Opinião : O Porque dos Serviços de Imagiologia Pediatricos

INTRODUÇÃO PRÉVIA :
Na reunião de 4 de Junho, convocada pelo C.A. do Centro Hospitalar, para apresentação do futuro Hospital de Todos os Santos, fizeram constar que:
"O SERVIÇO DE IMAGIOLOGIA PEDIATRICO SERÁ PARTILHADO COM O DE ADULTOS".



Uma Ressonância Magnética de Campo Aberto, apropriada a criança, num Hospital Pediátrico Terciário Moderno e que faça parte da capital de um País, já não do 1º, pelo menos do.. 2º ou 3º mundo!















Enviaram-nos um artigo de opinião crítico ao conceito de Serviço de Radiologia transversal a adultos e crianças, defendido pelos criadores do plano funcional do H.T.S. na reunião de 4 de Junho, que agradecemos e publicamos na íntegra: -

TITULO


" PORQUE DEFENDEMOS UM SERVIÇO DE RADIOLOGIA PEDIÁTRICO"

O bem-estar da criança e o seu valor na sociedade dependem da cultura e do clima económico que a rodeia.
O primeiro hospital pediátrico “Dispensary for sick children “ data de 1769, em Londres e dirigia-se a crianças órfãs ou abandonadas. Encerra doze anos depois por falta de suporte financeiro. Nos Estados Unidos, o primeiro hospital pediátrico surge em 1855 em Philadelphia, seguido pela abertura de outros hospitais pediátricos como o de Chicago em 1865 e o de Boston em 1869. Em Portugal o hospital de Dona Estefânia, dedicado às crianças de Lisboa, data de 1860 e foi um dos pioneiros na Europa. A especialidade médica de pediatria nasce em 1893 na escola Médica de Harvard com o professor Thomas Morgan Rotch, o mesmo, que em 1910, publica o primeiro livro de radiologia pediátrica «The Roentgen Method of Pediatrics». A radiologia pediátrica evoluiu lentamente devido a aparelhagem de RX inadequada à população pediátrica sendo necessário um tempo de exposição muito longo para obter uma radiografia. Na década 1920-1930 vários serviços de radiologia foram criados exclusivamente para hospitais pediátricos. Mas é depois da segunda guerra mundial que a especialidade de radiologia pediátrica irrompe. Em 1945 J.Caffey publica o segundo livro de radiologia pediátrica. No final do século XX com o aperfeiçoamento dos equipamentos de RX, a computorização e a explosão de novas técnicas de imagem médica, não utilizando radiação ionizante e sem efeitos biológicos conhecidos, a investigação imagiológica torna-se adequada à criança, sendo hoje a radiologia pediátrica uma ferramenta imprescindível à prática clínica.
O Serviço de Radiologia Pediátrica deve adaptar-se ao meio hospitalar em que está inserido, respondendo com qualidade e prontidão aos exames solicitadas pelas especialidades médicas e cirúrgicas, em doentes internados, externos, ou provindo do Serviço de Urgência.
Um Serviço de Imagiologia dedicado à população pediátrica requer particular atenção:
- Na preparação teórica e prática dos seus profissionais (médicos, técnicos, enfermeiros, auxiliares de acção médica, administrativos).
- No seu equipamento: radiologia convencional, ecografia, tomografia computorizada (TC) e ressonância magnética (RM).
- No atendimento.

A imagiologia Pediátrica requer conhecimentos específicos no domínio da anatomia, fisiologia, fisiopatologia, e patologia pediátrica em muito diferente da do adulto e que se estende desde a idade pré natal ao adolescente; os médicos especialistas nesta área devem também ter um perfeito domínio das técnicas imagiológicas permitindo escolher as estratégias de diagnóstico mais adequadas à criança, optimizar os métodos menos invasivos, sem radiação ionizante e efectuar ou orientar a sua execução de forma consciente e segura. A interpretação desses exames é um desafio contínuo sendo de grande importância a discussão pluridisciplinar com os outros Serviços hospitalares pediátricos médicos e cirúrgicos.
Os técnicos de radiologia, tal como os médicos devem ter treino específico para a realização de exames em idade pediátrica com particular atenção às formas de imobilização da criança, que variam consoante o exame solicitado e o grupo etário e às doses de radiação, respeitando a menor dose de radiação necessária para obter uma imagem com leitura. O trabalho exclusivamente dedicado a este grupo etário permite-lhes uma facilidade de actuação, tornando desnecessárias repetições de “disparos”, de películas ou de outras incidências complementares, beneficiando largamente a criança, poupando-a a doses desnecessárias de radiação e encurtando o tempo do exame.
A colaboração de outros médicos no Serviço de Radiologia Pediátrica, em particular dos Anestesiologistas também é amplamente favorecida com a dedicação destes à Pediatria.
Os procedimentos de enfermagem devem ser manipulados por enfermeiros familiarizados com a prática pediátrica, de forma a decorrerem com maior tranquilidade e de modo menos traumatizante para esses jovens pacientes. Administrativos e auxiliares de acção médica devem também estar adaptados às especificidades das suas funções no Serviço de Radiologia Pediátrica.
A imagiologia médica está dependente dos equipamentos que dispõe. É necessário que os vários equipamentos imagiológicos que integram um Serviço de Radiologia Pediátrica sejam de alta gama e adaptados à população pediátrica com os diversos acessórios. Todo o material médico presente nesse Serviço obrigatoriamente obedece aos requisitos pediátricos tais como o material anestésico ou o carro de emergência médica.
O acolhimento da criança no Serviço de Radiologia é outro aspecto importante a privilegiar. Um exame imagiológico pode correr mal apenas porque não se conseguiu sossegar a criança e obrigar a atitudes mais invasivas como a sedação ou a anestesia. Acalmar a criança passa em primeiro lugar pelos pais que podem estar assustados não só pela forma como irá decorrer o exame como pelo resultado. Uma informação prévia aos pais explicando a importância do exame, a necessidade de uma preparação (jejum, bexiga cheia, etc.), no que consiste e as várias etapas, pode ajudar a responder à ansiedade dos pais e transformá-los em “preciosos” aliados. O bem-estar da criança permite reduzir o medo. A sala de espera deve ser um local agradável e de descontracção com ambientes próprios a cada subgrupo. Uma área mais carinhosa para os lactentes onde podem ser amamentados, limpos e adormecidos. Uma área de brincadeira com múltiplos jogos para crianças pequenas, uma televisão com vídeos passando desenhos animados com heróis conhecidos cativando mais a atenção das crianças em idade pré-escolar. Uma consola com jogos interactivos para crianças em idade escolar. Algumas revistas de moda e jornais desportivos para adolescentes e alguns pais…A distribuição de guloseimas ou a promessa de uma recompensa no final do exame são outras formas de cativar a simpatia dos nossos pequenos utentes. Um ambiente alegre ajuda a superar o tempo de espera.
As salas de exame não podem ser assustadoras. A decoração da sala, muitas vezes a cargo dos Psicólogos, contribui para minimizar o medo do equipamento. Durante a exploração imagiológica a atitude do médico ou do técnico que executa o exame deve adaptar-se não só à gravidade do doente mas à idade da criança para obter o máximo de colaboração. No Recém-Nascido o conforto físico é o principal requisito. Na criança pequena a presença da mãe é fundamental. A criança em idade escolar é receptiva á explicação do exame, demonstra curiosidade em ver as imagens e até vontade em ajudar. O adolescente apesar por vezes do seu grande tamanho reage de forma diferente do adulto. É um período de transição, de afirmação e por vezes de grande turbulência. Deve se respeitar ao máximo a sua personalidade. Pode já ter uma vida sexual activa. Pode querer privacidade e optar pela não presença dos pais na sala.
Estes conceitos são pedra angular de bom funcionamento dum Serviço de Radiologia Pediátrica. Misturar crianças com adultos doentes num mesmo Serviço de Radiologia, desumaniza o atendimento e reduz as capacidades técnicas e profissionais. É importante, se forem necessários mais exames, que a criança volte ao Serviço de Radiologia com um sorriso nos lábios.
É à volta dessa sorriso que a equipa de radiologia pediátrica se une.

Assina: E.S.




Alguns comentários relativamente ao artigo supracitado :

Obviamente existem opiniões divergentes entre pares.
Desafiamos os colegas que não concordam com o acima exposto que expliquem porque a quase totalidade dos autores dos artigos e dos livros de radiologia pediátrica são médicos que exercem em Serviços de Radiologia de Hospitais Pediátricos e não em Hospitais Generalistas, como se propõe ser o futuro Hospital de Todos os Santos. O facto da produção científica ser quase exclusivamente proveniente dos Serviços de Radiologia de Hospitais Pediátricos especializados e não dos Generalistas, prova que é esta dedicação e especialização que permitem atingir a excelência e a criação de ciência.Justificamos assim porque a diluição das sub especialidades em serviços transversais é, no que diz respeito à Pediatria, um retrocesso redutor à era da pré-especialização.

Se tem dúvidas, pesquise na Net : "Radiology childrens Hospitals" e confirme conosco que a era dos exames radiológicos infantis realizados em equipamentos para adultos está ultrapassada há mais de 20 anos!

O Hospital de Todos os Santos que se diz "de ponta", eventualmente aniquilará o Serviço de Radiologia Pediátrico especializado, resumindo-o, segundo algumas opiniões, apenas á ecografia e á radiologia, sem possuir quadro técnico diferenciado e "esquecendo", inclusive, a obrigatoriedade da sala pediátrica com intensificador de imagem para exames contrastados.

O tempo de ocupação da sala que implica o exame pediátrico, a especificidade e o número de RNMs e TCs hoje realizados na Zona Sul, justificam per si , equipamentos dedicados( com uma eventual rentabilização marginal para ginecologia - obstetricia, mas nunca para as outras patologias do adulto e geronte.)
Trata-se assim de um projecto ultrapassado ( procurem imaginar como os julgaria o Prof. Dr. J. Caffey caso se apresentassem como defensores de um Serviço de Radiologia Transversal e indiferenciado...)

Exemplificamos o que afirmamos sem qualquer esforço, transcrevendo um artigo obtido através duma pesquisa rápida na Net:-

Radiology Services at The Children’s HospitalThe Mae Boettcher Center for Pediatric Imaging at The Children’s Hospital is recognized for their expertise in imaging and evaluating a broad spectrum of childhood diseases and conditions use state-of-the-art diagnostic equipment with special pediatric features. The Radiology team at The Children’s Hospital has special equipment designed just for children, making tests more comfortable for kids and also producing more accurate information for our specialists. The Radiology team at The Children’s Hospital consists of board-certified and fellowship-trained pediatric radiologists. Our team works with kids, and only kids, every day. This means they are comfortable dealing with kids and making them feel safe in the test environment. When necessary, conscious sedation is frequently substituted for general anesthesia depending on patient age and type of procedure.

Conditions Treated
Imaging services are performed for all childhood diseases or conditions, including:

Cardiovascular conditions
Chest and respiratory conditions
Gastrointestinal conditions
Neonatal conditions
Neurological conditions
Oncology conditions
Orthopedic conditions
Skeletal conditions
Traumatic injury
Urologic conditions
Imaging Technologies Provided at The Children’s Hospital
Radiography and X-rays
Ultrasound
Magnetic Resonance Imaging (MRI)
MRI is particularly useful in evaluating neurologic, orthopedic and oncologic disorders. The technology's unprecedented image accuracy can mean the early detection and treatment of many diseases. Magnetic resonance angiography (MRA) allows for non-invasive visualization of veins and arteries without intravenous contrast administration. Maximum patient comfort and security including:

Noise cancelling technology and music to help children relax
Two-way audio system so child and clinician can communicate throughout the exam
Constant closed-circuit TV supervision for complete patient safety
Computerized Tomography (CT or CAT Scan)
A CT, or CAT, scan enables specialists at The Children’s Hospital to look at ‘slices’ of a patient’s body. The use of contrast agents, administered through an IV, can be used, depending on the tissues that need to be seen. High-speed, high-resolution technology with spiral scan capability permits an entire abdominal exam to be performed in less than 10 minutes. Fluoroscopic CT with real time imaging is used for CT guided intervention. Scanning and programmable sub-second imaging can eliminate the need for sedation with most children.


No futuro Hospital de Todos Santos o Servico de Radiologia será comum com o de adultos !
Como afirmar, então, tratar-se do plano funcional de um Hospital Moderno!?

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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Reflexões sobre o alegado “problema sentimental” que imputam como sendo a motivação preponderante na Campanha em Defesa do HDE.

Continuamos aqui a critica sobre "o dito" na reunião de 4 de Junho com o C.A. do Centro Hospitalar

Reflexões sobre o alegado “problema sentimental ” que imputam como sendo a motivação preponderante na Campanha em Defesa do HDE.




Alguém ,conscientemente, poderá confundir o Hospital D. Estefânia com o Hospital do Desterro?

Alguém poderá deixar de perceber o significado histórico, científico e cultural que é pactuar com a destruição do HDE, berço da Pediatria Portuguesa, tomando a titulo de exemplo de integração a comparação do HDE com a dum Hospital como o do Desterro, que dispunha na ocasião do seu encerramento de apenas duas valências de referência,já pré-existentes noutros hospitais do grupo !!?

Quando se afirma que as mudanças e transições custam, mas que fazem parte da vida e são um ónus a pagar em favor duma real melhoria na prestação de cuidados de saúde das populações, quem não concorda???.

Utilizando com exemplo o Hospital do Desterro, compreendemos que os seus funcionários tenham sentido pena, mas era imprescindível uma reorganização da carta Hospitalar. Uma eventual cedência ao compreensível sentimentalismo, nessa situação, teria sido inaceitável.

Confundir, contudo, esta integração com a destruição irreversível e a diluição do único Hospital Pediátrico de Lisboa e Zona Sul, e o único do grupo com creditação internacional, descaracterizando-o agora no Centro Hospitalar para o fazer depois desaparecer no futuro HTS, será, a consumar-se, um acto de Lesa Pátria,e reflecte, no mínimo, insensibilidade e desconhecimento da matéria em estudo.

Ns reunião realizada em ( 4/06/2008) no HDE, um dos defensores do actual projecto, respondendo á indagação feita por um dos presentes, sobre o destino do HDE, disse em tom "compreensivo" que entendia as objecções e sentimentos das pessoas em relação aos planos que se pretendem aplicar ao HDE pois já tinha passado por processo similar no seu extinto Hospital…

Ressalta-se o fato de, nesta reunião, ter ficado patente no silêncio presente, o repúdio á política prevista para o centenário Hospital D.Estefânia, tão considerado pelos portugueses (A petição em sua defesa já com mais de 76000 assinaturas, assim o comprova!).

Não se pode imaginar e fica-se sem palavras ante o fato de terem descartado e nem "trazido á baila" algum estudo prevendo opções para a requalificação e melhoria do HDE ou para a criação de um novo hospital pediátrico para Lisboa !

Para nós é inconcebível a política que se intenta para o HDE. È difícil perceber o alcance e as consequências destas medidas que nos impõe!

Face a isto é fácil compreender porque as manifestações de repúdio muitas vezes não são expressas, o nível do desagrado é de tal ordem que sua resposta poderá não ser compatível com a civilidade necessária na interacção ao vivo!

Senhores, não se confundam nem esperem confundir-nos! O que se passa é que vocês, talvez inconscientemente, estão objectivamenete a destruir o berço da pediatria portuguesa e o único Hospital que lhe é dedicado da Zona Sul do País !

domingo, 8 de junho de 2008

Sobre a Reunião para Apresentação do Hospital de Todos os Santos pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar





























































No dia 4 de Junho de 2008 , realizou-se no auditório do Hospital de D. Estefania uma reunião organizada pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar. Rica em ilações procuraremos analisa-la de forma sistematizada ao longo de vários textos que publicaremos no Blog e Boletim .

Nesta reunião o primeiro ponto da ordem de trabalhos foi :

Apresentação do Hospital de Todos os Santos ( filme)


A esta apresentação se reportara primeiro texto que aqui publicaremos onde faremos uma critica a apresentação ficcionada e projectiva do Hospital, apresentada em vídeo que inaugurou a reunião e procurou estabelecer a relação e semelhanca de objectivos do novo hospital com o primeiro Hospital de Todos os Santos, mandado erigir pelo rei D. João II em 15 de Maio de 1492 e inaugurado pelo Rei D. Manuel em 1501.

Apresentação do Hospital de Todos os Santos (filme) •


Em primeiro lugar saudamos o facto de ter sido realizada uma Sessão Pública sobre o Plano Funcional do futuro Hospital de Todos os Santos.
Até o presente todas os factos eram dados com adquiridos e os funcionários estavam afastados de qualquer opinião.

Folgamos ainda em saber que se trata de um plano ainda em aberto a reformulações e que o antigo (que vivamente aqui criticamos) esta a ser alvo de completa reformulação, admitindo-se agora individualização do edifício pediátrico. (positivo, mas que quanto à nós por si insuficiente de acordo com documento da antiga Comissão médica)

Julgamos que assim implicitamente concordam que as opiniões que temos emitido são construtivas e nossa luta benéfica para a criança.

Pensamos contudo que não será em reuniões daquele tipo que poderão se chegar a consensos esclarecedores.

È imprescindivel criar comissões de consultadoria com representividade cientifica , clínica e técnica para acompanhamento para o novo plano funcional. Há que dar divulgação na Internet e publica do novo plano director e das propostas para sua melhoria . Há que solicitar as Direcções e Serviços pareceres e propostas .

Só desta forma se evitam lapsos amadores (como por exemplo a o do equipamento da neonatologia em que se provou que o numero de camas proposto foi feita ao acaso sem aconselhamento ou mera opinião da Direcção do Serviço).
È obrigatório envolver o corpo clinico do HDE no projecto se o quizermos coerente e fundamentado.

Sem a criação de estruturas de consultadoria para criação de um plano funcional , qualquer discussão é formal e sem efeitos praticos e estas sessões de esclarecimento " serviram apenas para iludir a inexistência de um plano fundamentado e serão propagandisticas.

Pretendemos assim de forma sistematizada e acompanhando a agenda da reunião analisar alguns dos temas abordados.

Neste artigo, principiaremos pelo enquadramento histórico do projecto que nos foi proporcionado através de um filme publicitário que inaugurou a referida sessão informativa.

Nesta apresentação ficcionada e projectiva do Hospital, os criadores do projecto procuraram estabelecer-se a relação e semelhança de objectivos com a história do primeiro Hospital de Todos os Santos, mandado erigir pelo rei D. João II em 15 de Maio de 1492 e inaugurado pelo Rei D. Manuel em 1501.

O antigo Hospital foi, como é patente na gravura em epigrafe, de um belo e grandioso Hospital monobloco que foi sucessivamente reconstruído e finalmente destruído após três grandes incêndios, o último dos quais na sequência do grande Terramoto de Lisboa, em 1755.
Interessa assim saber se a longa mas triste história do antigo H.T.S., trás algum ensinamento a reter e aproveitar no novo projecto em que referiram como paradigma. Quanto a nos sim, mas esta não parece ter sido assimilada pelos defensores actuais que persistem no mesmo erro que facilitou a destruição do antigo.
Antes de discorrer sobre o tema a titulo de preambulo, chamamos a atenção nas figuras em epigrafe para a bela arquitectura do antigo HTS e que contrasta com a maqueta do novo Hospital de Chelas, de acordo com publicado na Internet. Nesta ultima se propagandeiam apenas números em grandes parangonas afixados em um quadrado de betão colorido á azul .
Valorizam-se as “estatísticas “ mas o….moderno conceito de conceito de que “o ambiente também cura” esta esquecido.

Bem vamos ao que interessa: O que há apreender com o antigo malogrado HTS e incorporar na construção do novo HTS?


Para tal e fundamental que se compreenda a real dimensão da tragedia da História do “Hospital Real Todos o Santos”
Esta descrita de forma sumaria mas elucidativa e não ficcionada nos excertos da crónica de referência do Padre João Bautista de Castro (Após duplo clique em cima da imagem obtém-se ampliação e melhor leitura)
O referido autor foi um historiador da época, e este seu livro é considerado de referência e foi editado três anos (1758) após o Terramoto, chamado de Lisboa (1755).

Não nos cabe aqui, inclusive por falta de conhecimentos avaliar se os preceitos da construção anti sísmica serão respeitados no futuro HTS (como o foram no palácio da Caixa Geral de Depósitos considerado como grande referencia pelos especialistas por ter sido construído sob esferas de betão)
Não nos cabe igualmente avaliar se a geologia dos terrenos de Chelas foi avaliada (lembremos o sucedido no Hospital Pediátrico de Coimbra cuja construção tem-se atrasado por estar a ser construído em um terreno alagadiço….).
Caberá assim aos conhecedores de que a Zona Oriental de Lisboa e o Vale de Chelas de risco sísmico,( ainda maior da actual topografia do HDE) avaliar sua geologia particular e definir todas as condicionantes do projecto.

Mas se não nos reportamos ao risco sísmico já podemos tecer algumas considerações sobre a maior morbilidade dos incêndios que os acompanham ou existem por si sós.

Pensamos ser intuitivo que os grandes edifícios monobloco, como o que pretendem construir e foi o antigo H.T.S são impeditivos não só na circunscrição dos incêndios mas o que é mais grave, na evacuação dos doentes

Disse-nos uma arquitecta de que solicitamos um parecer que ressalvando não tecer qualquer comentário sobre o H. de Todos os Santos que desconhece escreveu-nos que:

“Menores distâncias entre os compartimentos e o solo, terraços acessíveis a escadas/helicópteros, e menos pisos a percorrer são fundamentais todas as evacuações eficazes. E tal só se torna possível em projecto multi módulos com edifícios não muito altos, separados entre si por espaços largos que permitam livre circulação.
Estas asserções são particularmente verdadeiras quando reportamo-nos a crianças com capacidades cognitivas e motoras imaturas, doentes, acamadas, ventiladas).”

ou

" I. Breitman, falando sobre a evolução da arquitetura hospitalar durante palestra realizada Congresso de Administração Hospitalar, em 1997, chamou a atenção para o surgimento de uma nova proposta, caracterizada por hospitais horizontais, de no máximo dois pavimentos, em que os diferentes setores hospitalares se
distribuiriam em pisos intercalados, ligados por meio de rampas.
O novo modelo teria, entre outras vantagens, o fato de dispensar o uso de elevadores e facilitar a evacuação dos pacientes, no caso da ocorrência de incêndio"

Concluindo quanto a nós, para além da óbvia justificação de um Hospital Pediátrico especializado Terciário em Lisboa, argumento que se basta a si próprio , afirmamos que:

A diferenciação arquitectónica física do conjunto materno infantil em um edifício separado com altura aceitável e amplos acessos envolventes de modo a circunscrever catástrofes ou minorar a sua morbilidade poderá por si só justificar um edifício materno infantil individualizado no futuro HTS.

Pensamos assim que tão ou mais importante do que citar a história é apreender as sua lições!

domingo, 1 de junho de 2008

A campanha amadurece e ganha impeto - No Dia Mundial da Criança é publicado o primeiro numero do Boletim ..................





















Hoje dia 1de Junho de 2008, Dia Mundial da Criança, sai a público na Internet a versão digital do primeiro numero do Boletim da Plataforma De defesa do Património do Hospital de Dona Estefânia e de um Novo Hospital Pediátrico para Lisboa.

Amanhã Segunda Feira , será distribuído na sua forma impressa.
Lê e Divulga!

EDITORIAL


BOLETIM A ESTEFÂNIA
Colegas, amigos, profissionais de saúde, cidadãos atentos
à condição da criança,

Dentre promotores e apoiantes, somos apenas alguns dos muitos profissionais do Hospital de Dona Estefânia e cidadãos de Lisboa e do País preocupados com a situação criada pelo projecto de extinção do único Hospital Pediátrico do Sul do País e a sua substituição por um departamento de pediatria encaixado na torre do futuro Hospital Geral de Todos os Santos, em Chelas, copiando os modelos dos hospitais generalistas próprios da periferia das metrópoles, neste caso, de Lisboa.
Porque decisões desta dimensão e gravidade para a condição e assistência à criança vão muito para além do horizonte temporal da vigência dos poderes que as tomam e nem sempre são baseadas em critérios claros e opiniões de entidades com reconhecido conhecimento técnico, seria de elementar prudência informar e ouvir as reflexões de cidadãos e a experiência de profissionais directamente implicados nestes problemas.
O processo de extinção do Hospital de Dona Estefânia, o plano funcional do futuro Hospital de Chelas e as orientações que emanam do actual Centro Hospitalar, são um verdadeiro “toque a finados” para assistência especializada à criança no ambiente pediátrico que lhe é próprio e paradigmático das cidades dos países desenvolvidos. O inconformismo perante estes factos levou um pequeno grupo de médicos do Hospital a criar o blogue www.campanha.pelo.hde blogspot.com como primeiro contributo a um exercício de cidadania que tornasse possível a discussão sobre este tema, em contraponto à metodologia das decisões de gabinete que, e ainda se está no principio, se mostraram já tão desastrosas para a unidade institucional do nosso Hospital e expectativas quanto ao futuro. O impacto do blogue alargou o interesse dos profissionais, deu a conhecer a várias entidades a delicada situação criada e, a vários níveis da sociedade, gerou um movimento de adesões que carecia de expressão e concretização. A fórmula encontrada foi o lançamento de uma petição na Internet (ver adiante) onde se solicita ao poder politico uma discussão adequada das decisões anunciadas e a sua eventual revisão, fundamentada nas preocupações próprias, nas que foram chegando através do blogue e dos contactos pessoais com profissionais e cidadãos, uns optando pelo anonimato, outros expondo-se, que consideram em risco os legítimos interesses
da criança. De forma a dar resposta às inúmeras pessoas interessadas neste movimento cívico e proporcionar um veículo de divulgação de factos e opiniões sobre a extinção do Hospital pediátrico e a sua substituição projectada num
“Anexo pediátrico” (tal como consta no Plano funcional do Hospital de Todos os Santos), iniciamos a publicação deste boletim, de circulação alargada mas essencialmente dirigido aos profissionais do Hospital de Dona Estefânia.
Nestas folhas A4 – “A Estefânia” – edição não-regular, cabem todos os que pretendam contribuir para este movimento cívico, debatendo ideias e projectos, comentando decisões e afirmações dos intervenientes no processo mas, em nenhum caso, tecendo referências gratuitas a pessoas ou instituições estranhas ao objecto do movimento e à defesa da condição da criança.
Esperamos que “A Estefânia” seja um contributo para o debate e maior consciencialização sobre as consequências que o projecto do futuro Hospital de Todos os Santos- Chelas terá sobre a assistência às crianças da Grande Lisboa, Sul do Pais e Regiões autónomas. Esperamos que sejam devidamente consideradas as necessidades das crianças portadoras de doença crónica e maior morbilidade, a sua condição na sociedade e os seus direitos à distinção positiva, nos quais se incluem a assistência em estruturas desenhadas, equipadas e funcionalmente adequadas, quer à sua individualidade biopsíquica, quer ao imperativo social e ético de lhes proporcionar as melhores condições técnicas possíveis sob procedimentos e circuitos humanizados, logo, no melhor ambiente dos seus hospitais pediátricos.
Mário Coelho (Pediatra do HDE, Apoiante)




CARTA A ENTREGAR À TUTELA PELOS
PROMOTORES DA PETIÇÃO EM DEFESA
DO HOSPITAL PEDIÁTRICO DE LISBOA


Construímos esta Plataforma Cívica porque:
SOMOS DEFENSORES:
– Do direito de Lisboa (e do Sul do País) a um Hospital Pediátrico
Especializado, conceptualmente e tecnologicamente moderno e
avançado, de acordo com os superiores interesses da criança, como
vem sucedendo na esmagadora maioria das grandes cidades da Europa
e da América, no espírito que levou à criação do Hospital de D.
Estefânia por D. Pedro IV de acordo com os desejos de sua mulher,
a Rainha D. Estefânia.
– Do Direito das crianças a terem um espaço próprio, com ambiente
hospitalar adequado, construído e organizado de forma a propiciar
o respeito integral pelas suas particularidades, físicas e psicológicas.
Isso implica a concentração de meios, a nível transversal e vertical,
de todas as áreas de assistência e apoio necessárias à criança e ao
adolescente, mas sem que transversalidade possa significar partilha
com adultos, como sugere o plano funcional do futuro Centro Hospitalar Oriental de Lisboa.
– De que os planos para a saúde materno-Infantil devem nortear-se
por directrizes que contemplem o presente, mas sobretudo o futuro e, nesse aspecto, também um Hospital Pediátrico é prioritário num País que necessita, justa e realisticamente, de promover a natalidade.
– De que o actual espaço do Hospital de D. Estefânia é património cultural e afectivo da criança, da Cidade e do País há 128 anos (sendo um dos mais antigos da Europa) e à criança deverá manter-se dedicado.
DISCORDAMOS:
– Que o Hospital de D. Estefânia seja transformado em mais um
Serviço de Pediatria Médico-Cirúrgica, agregado ao futuro Hospital
de Todos os Santos, com a condição da criança afastada dos núcleos
de decisão. O abaixo-assinado, já com mais de 76.000 assinaturas,
vem certamente dar razão a esta discordância.
– Que a opinião, documentada, da Comissão Médica do Hospital
D. Estefânia, pareça ter sido ignorada. Acresce, por outro lado, que
a agora projectada integração do Hospital de D.Estefânia no Centro
Hospitalar Oriental de Lisboa, nem sequer era inicialmente contemplada, o que parece dever-se a razões conjunturais e não de princípio.
CONSIDERAMOS:
– Que o Plano funcional apresentado para o futuro Hospital de Todos
os Santos é redutor, não só na essência como nos conteúdos (camas,
gabinetes de Consulta, Especialidades disponíveis, etc.). Pretendendo
apresentar-se como um Hospital “de ponta”, subverte a
continuidade da personalização dos cuidados necessários, da doença
aguda até aos cuidados da recuperação e convalescença, podendo
lesar gravemente a relação afectiva entre Profissional de Saúde/Doente/Família, já natural e inicialmente estabelecida.
– Que se desconhecem eventuais parcerias e prioridades a negociar
para o financiamento e manutenção das novas estruturas e eventuais
condicionamentos que possam ter efeito negativo na Assistência Pediátrica.
Isto sem esquecer os planos (com mais de duas dezenas de
anos) para construir um novo edifício nos terrenos do Hospital.
– Que foi muito positiva a afirmação pública da SrªMinistra da Saúde,
de que o actual espaço/Hospital D. Estefânia (se este vier a ser integrado
no Hospital de Todos os Santos) se manterá ao serviço da Pediatria.
Concluindo: Os superiores interesses da criança e do adolescente,
impõem a existência, em Lisboa, de um Hospital Pediátrico Polivalente,
conceptualmente e tecnologicamente moderno, com verdadeira
autonomia técnico-administrativa.

Promotores da Plataforma (Ordem alfabética): Ana Paula Soudo
(Fisiatra), António Gentil Martins (Cirurgião Pediatra), Carlos Azevedo
(Capelão), Fátima Alves (Cirurgiã Pediatra), José Pedro Vieira (Neuropediatra), Pedro Paulo Machado Alves Mendes (Radiologista), Teresa Rocha (Anestesista)
MAIO 2008