sexta-feira, 2 de setembro de 2016

AFECTOS E HOSPITAL PEDIÁTRICO - OUTRAS PERPECTIVAS

Em Londres como em todo o mundo civilizado as elites  "tem afecto"  pelos seus Hospitais Pediatricos....Em Lisboa.............?!!!!!!

https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:Irq9rHiSlewJ:https://en.wikipedia.org/wiki/Great_Ormond_Street_Hospital+&cd=1&hl=pt-PT&ct=clnk&gl=pt


AFECTOS  E HOSPITAL PEDIÁTRICO -  OUTRAS PERPECTIVAS


Introdução:

 Os afetos  formam-se na nossa   psique  após   experiências intensas  que ocorrem quando  da  nossa   interação social com  outros  seres vivos , forças naturais , paisagens  objetos  ou entidades  abstratas.
Apesar de o uso comum  ter desalojado  a palavra afeto  das  vivências  antipáticas ou negativas ,  retomaremos aqui o seu significado  etimológico, abstrato, do latim , com origem no verbo  “afetar”  ou seja : “aquilo  tem a capacidade de    nos impressionar”.
   Em consequência o   acontecimento primordial  que desencadeou a criação de um afeto  pode ter sido   agradável ou  traumatizante e o “afeto” poderá  assim ter   uma valorização positiva ou negativa.
Na  formação  de um sentimento de  afeto,  a nossa mente, para além da experiência que nos “afetou “ recruta   toda a  nossa  memoria   procedendo a uma  elaborada síntese  cognitiva   psico-sensorial  e que ficará   gravada , sob a forma  de “um  sentimento  / conhecimento”.
Charles Chaplin no
Cinema Mudo  registrou para
a posteridade  "os afectos" que
marcaram  toda
uma época.



 Depois de formado,  ficará a fazer parte do nosso património cognitivo e influenciará o  comportamento no   futuro.
As características do  afeto ,  dependerão  não só do agente mas também da personalidade e cultura   do individuo passivo . O mesmo acontecimento  poderá condicionar  atitudes diversas em duas pessoas distintas .
A  importância  de que se revestem as algumas impressões afetivas  sobressai na exclamação  frequentemente ouvida após  um  acontecimento marcante  “Nunca mais serei o mesmo!”.
 O  afeto , depois  de formado ”  se transformará numa “entidade com vida quase  própria na nossa psique ” e que  se expressará sob a forma de um comportamento apropriado em  resposta  a uma  experiência  similar.
Querem  "fazer-nos esquecer"  o Hospital Pediatrico de Lisboa.
Encerrraram o seu gabinete de Comunicação.
Nós não nos esqueceremos!



  Podemos assim   voltar a revive-los intelectualmente  recordando apenas  as suas circunstâncias,  clarificando-se  assim  o significado  outra frase  da uso comum : .”Recordar é viver….” ou numa forma mais poética  a estrofe de  Fernando Pessoa “Era outra vez agora”
Em síntese os  “afetos” depois de criados , ficam  a   fazer  parte do  nosso ser, constituindo aquilo que  António Damásio denominou “a nossa   inteligência emocional”   e  que  como ele documentou em estudos de imagem,  tem um suporte  orgânico neuro sináptico com  mapeamento em áreas especificas do nosso cérebro .
Afecto e razão não são dissociavesi ...

Em nós, os  humanos , a manifestação afetuosa  é mais rica e complexa do que   que a simples   expressão das emoções,  primárias ,comuns  a maioria dos  mamíferos. (nota)
Desta forma “o  afeto”  e o “ conhecimento” entrelaçam-se dialecticamente  no  pretérito no  presente e no  futuro,  e são a  essência da evolução  da humanidade e quiçá da própria vida pois toda ela tem um substrato inteligente.
Consideramos assim   artificial  qualquer  demérito que se  atribuía aos defensores  de afetos nomeadamente  acusa-los de serem reféns   “passado” .
Os afetos  para alem das expressões  emocionais habituais  traduzem-se  em todos os  outros   códigos  de comunicação  que a    humanidade criou durante a sua evolução , tais   como a    musica,  a literatura , teatro, opera  e pintura, etc……

 Os grandes  artistas,  substanciam  os seus afetos e os da comunidade nas suas  obras e  assim  se   transformam (ram )  nos    expoentes identitários e  culturais  das civilizações  do passado e atuais,  conferindo-lhes  uma projeção intemporal.
" O afecto de Bethoven " sobre a forma de percepto musical

https://www.youtube.com/watch?v=LQTTFUtMSvQ
Gilles Deleuse  batizou os  afeitos  sublimados  na  forma artística, de  “perceptos” e que  constituem o registo  artístico dos afeitos de uma época e ou civilização e   que  são a sua  memoria tangível.

Os afeitos estão incorporados  e fazem parte na nossa  cultura e língua. O  vocabulário,  é de uma certa forma uma herança simbólica da historia  cultural afetiva das nações e comunidades   em que nos inserimos.

 Seria interessante  se pudéssemos acompanhar numa viagem no tempo a origem e impregnação de conteúdo  da palavra “ saudade” e assim tomar plena consciência o significado da  intensa  carga afetiva e dramática que carrega…
.Somos um povo de viajantes e  emigrantes forçados que deixaram,   entes queridos em continentes distantes.  Ei-los que partem , velhos e novos ….( meu País , meu País) https://www.youtube.com/watch?v=qhKz7FA9Ev
https://www.youtube.com/watch?v=A1Mc-Obm2Y8


Os afectos  não são assim uma névoa pueril incoerente  e   ridicularizável    que   paira  no ar desligada  da realidade.
...ou serem
manipulados e falsificados
 serem utilizados para nos
formatarem e servir os
interesses dos grupos
financeiros....

Os afectos podem   mobilizam-nos  em defesa dos
direitos sociais das nossas crianças ...
Os afeitos possuem  uma densidade não mensurável    e não é raro  estarem impregnados  de uma força anímica   avassaladora , seja esta entrópica ou ao inverso organizadora  e criadora.


A manifestação individual e social dos afeitos e perceptos informa-nos do grau de civilidade  de um povo.
Da  sua importância resulta que os  afeitos podem  ser os    catalisadores  da mobilização do individuo e uma comunidade para ação construtiva ou em sentido inverso , a sua manipulação e sublimação fazem  parte das sua  estratégia para a  sua dominação .

 Esta manipulação é tangível no nosso dia a dia no  banal marketing que induz ao consumo  através de informações subliminares  abusivas e estranhas ao objeto , até as altamente elaboradas , por Serviços de Inteligência,   e utilizadas nas campanhas eleitorais , e invasões militares etc…. ,  que tem por fim a  desidentificação  e dissolução de valores  com vista a  subjugação do individuo e comunidades  para  que  o controlo dos media contribui  hoje  de forma decisiva.


Um critério  para  avaliar a “bondade” da utilização afeitos  é analisar se  são socialmente  úteis   e construtivos  o, u ao    contrario vinculados a   grupos  de interesse corporativos em detrimento  da comunidade.
Feita esta longa  mas necessária introdução, estaremos  mais aptos para avaliar a  dinâmica afeitos que envolvem o processo  Hospital Pediátrico de Lisboa.

“Os afetos” e o Hospital Pediátrico de Lisboa

Desde que  iniciamos   da Campanha em Defesa do Hospital Pediátrico de Lisboa,  ouve-se   afirmar  com “condescendência ”  que   motivação em defesa do Hospital Pediátrico de Lisboa / Hospital D. Estefânia,   “é de natureza afetiva” .
Aos olhos  benévolos dos promotores da atual reforma hospitalar  estaríamos   reféns do   passado  e em oposição  ao “progresso” que o futuro Hospital Generalista de Chelas representará.

A  sua argumentação seria compreensível caso  pretendessem construir,  como propusemos ,ao lado daquele  ,  um novo Hospital Pediátrico, mas infelizmente não é o caso . Insistem num hospital de Distrital, equiparando Lisboa, capital do Pais, a capital de um distrito  de Espanha ( Valência por exemplo).





Sim porque Barcelona tem o seu Hospital Pediatrico e  ao contrário do que em Lisboa
os circuitos entre os adultos e crianças são respeitados......

Estes atores  não entendem  o  afeto   que a  comunidade   e as  famílias votam aos Hospitais Pediátricos, (alguns dos quais  com mais de um século de existência)  que  se consolidou   numa  interação emocional  intensa, transgeracional ,quando,  deles,  foram obrigados a se  socorrer para    tratamento   dos seus filhos e familiares,  a comedidas   por  doenças graves .

 È o  conjunto destes afeitos sociais materializado nas suas  Instituições de que    se forma o  tecido identitário e cultural que une  as  comunidades e a sua cultura.
Destruir estes laços  é fragilizar e destruir e dominar  estas as comunidades, e  é  o que consideramos ser o final objetivo das políticas  globalização orientadas pelo FMI, Goldman Sachs, Banco Mundial, etc em favor das multinacionais.
O grau de civilidade e cultura  e “inteligência emocional “ de um Povo  ou comunidade  reflete-se no envolvimento   afeto que dedica  as crianças infância através das suas políticas estratégicas.





Como paradigma , salientamos a Grã Bretanha que   elevou os  Hospitais  Pediátricos  a ribalta no   palco mundial que foi  a  “abertura dos jogos olímpicos de 2012 “.
 O cartão  de visitas  que os Ingleses   orgulhosamente  ofereceram  ao mundo   equiparando-os “a uma preciosa Joia da Corôa “ ,  foi a  homenagem coreografada  ao seu Hospital Pediátrico :  “ O Hospital  Sick Children Hospital -  London”
O reconhecimento  da importância  dos Hospitais Pediátricos repetiu-se  de  forma mais modesta  mas não com  menor valor simbólico  na   abertura nos actuais  dos Jogos olímpicos do Rio de Janeiro em a  Dra.  Rosa  Celia  Pimentel , impulsionadora na criação do   “ Hospital Pediátrico da Criança Cardíaca do Rio  de Janeiro ,” foi enaltecida com o  privilegio de conduzir  a   Bandeira Olímpica”!
O que mostra o reconhecimento universal  da sua importância mesmo em países onde a desigualdade   e a falta de direitos sociais  são notórias.
 Em Portugal o que acontece ?!!!



Brilha  o lado  inverso, cinzento e triste da medalha…...
Os media subjugados   compactuam  num silencio ensurdecedor, com os órgãos do poder submissos a interesses financeiros ligados a saúde, envolvidos na atual reforma hospitalar ,  em que uma das  consequências  colaterais   é destruição do Hospital D. Estefânia, cumprindo o  projeto redutor e interesseiro das PPP no futuro Hospital Oriental e os projetos imobiliários com venda de património histórico dos antigos Hospitais da Colina de Santana e apropriação de  valências e camas pelos Hospitais Privados. (Nota )
A modernização,  de  que beneficiou Instituição Hospitalar   Londrina, conservando as suas linha originais,  contrasta com  o  abandono e  desqualificação vergonhosa a  que o  único Hospital Pediátrico da Zona Sul de Portugal  esta intencionalmente  votado.

Este abandono e desconsideração  é o espelho e da qualidade  de algumas “elites” com responsabilidades nos governos e Ministérios que tem se sucedido nos últimos trinta anos e que depois de cumprirem os desígnios  das multinacionais e instituições financeiras  tem emprego milionário  garantido nos seus cargos de gestão ou Universidades Americanas .
Citamos Manuel Pinho, ministro das Finanças ,  ligado ao BES que nomeou os responsaveis pela escolha do Hospital Oriental de Lisboa

Manuel Pinho está a 'adorar' viver em Nova Iorque - Saposol.sapo.pt/.../manuel-pinho-esta-a-adorar-viver-em-nova-iorque24 set. 2010 ... nesta universidade, manuel pinho começou este mês a leccionar uma ... gosto muito de estar em nova iorque. os norte-americanos têm uma ...




Novo Hospital Pediatrico de Coimbra
Felizmente em   Portugal, nem tudo é negro e viscoso, e subterrâneo.  Existem vozes, faróis  ,  que  corajosamente  se opõe iluminando  o caminho para a saída   este pântano.  Queremos enaltecer  exaltar a  coragem  e determinação da população de   Coimbra e dos seus representantes , que souberam  lutar  e  construir  o seu novo Hospital Pediátrico.

 Quais as    causas objetivas que  poderão   justificar   a  insensibilidade dos principais atores da atual reforma hospitalar ?

Todas as alterações no articulado legislativo , nos últimos trinta anos  e  que regem   o Serviço Nacional de Saúde,  desenvolveram  sobre a bandeira da sua privatização com argumento da  maior eficácia da gestão privada/empresarial , e assim   são  fruto  de uma estratégia  bem sucedida  que   destitui  a prestação dos cuidados de saúde da sua componente humanista  ,  transformando-a numa relação meramente  mercantil   e tem como o objetivo ultimo na  criação de um Mercado de Saúde de acordo com o paradigma importado dos EUA através do Banco Mundial ,   como alias assumem-no  , honestamente  alguns  mestres  impulsionadores e seguidores que de lá vieram formados


Com este  propósito as Direções Clínicas  dos hospitais tem sido gradativamente desapossadas  de qualquer  poder executivo  , cabendo aos novos  “ Gestores” formados  em Escolas de Saúde Publica  como os   pressupostos   ideológicos   neoliberais incumbidos da  a implementação destas regras. (Nota 1)  “Plano de Ações prioritárias  (PAPRCH de Lx 2006 )” .  
Estes gestores  na sua  generalidade ,  estão ideologicamente   comprometidos  e alinhados  na luta contra a ideia “de Serviço Publico”  pois consideram  em acordo com a  falácia  neoliberal,  de  que estes se  opõe  ao  “Principio da Liberdade “ que confundem com  leis do lucro e  Mercado   elevadas  a categoria que são deificadas.  

O fanatismo  irracional com que  abraçam a sua causa exemplifica-se  quando se  calaram e assim implicitamente consentiram  acções corruptas dos  grupos financeiros que  depauperaram  o erário publico de que citamos como exemplo o Minsiterio do Prof. Correia de Campos que  não apoiou os funcionarios que denunciaram osalegados  desvios do Grupo Mello no Hospital do.  Amadora Sintra
Não é por acaso que os   teóricos  da atual reforma  ao invés de  “Serviço” Nacional de Saúde, o denominaram  de  “Sistema” Nacional de Saúde.

Estes  gestores  são por formação   “ cegos afetivos “   relativamente dimensão humanista e de solidariedade  que  deve impregnar toda    a ação médica individual e Hospitalar, hoje em  dissolução.

Esta  nova classe de gestores   não é  capaz  de  compreender a  interação  emocional  e os laços que se criam ao   ser-se    corresponsável   no tratamento  de  outro ser diminuído pela doença  ou em risco de vida  e que  deposita nos profissionais hospitalares a  sua confiança  e esperança. ( nota 1)
 No caso especifico da pediatria  são desconhecedores    especificidade   psico fisiobiologia  e patológica  especifica da criança, a sua fragilidade natural, e  a sua suscetibilidade a ambientes estranhos e que com  outros muitos fatores,  justificaram a criação de Hospitais Pediátricos nos grandes centros populacionais ( Hospitais Centrais) e obrigam a  diferenciação de circuitos nos centros populacionais  intermédios ( Hospitais Distritais)
Ver Nota :
Diz o ditado e a sabedoria popular…o que os olhos não veem o coração não sente. …
Estes “novos senhores” consideram,  assim “natural”  que um Hospital Pediátrico seja por hora desidentificado e depois  aniquilado numa estrutura amorfa e indiferenciada e formatada para a rentabilidade máxima ,de que é exemplo o grotesco do  Plano Funcional inicialmente  proposto para o futuro Hospital de Todos os Santos, e  que felizmente  denunciamos e   oportunamente e  felizmente foi  anulado .
Ressalvamos  que não nos move qualquer antipatia pessoal contra os Gestores em Geral,  mas  apenas   a  ideologia dos  formatados na escola do  Banco Mundial que  conscientemente  ou inconscientemente defendem os lobies dos grandes grupos financeiros ligados a saúde em franca  oposição  do Serviço Publico, que consideram um concorrente desleal. 
Seria injusto  e sectário  reporta-mo-nos exclusivamente aos novos gestores, ,   pois  muitos médicos  e profissionais de saúde deixam-se  igualmente seduzir pelo metal  e esquecem os princípios éticos,  transformam-se em intermediários  nestes projetos ligados as   multinacionais.
Como  exemplo recordo  o  desabafo  entristecido de um Cirurgião Pediátrico do HDE  que acompanhou  1º Plano Funcional do Hospital (então ainda de todos os Santos)  e que se referia  o  Pediatra (!!!!?)  de origem Catalã  ,  coo-responsável pelo projeto,   como  absolutamente  insensível  ( cego)  a especificidade pediátrica. (nota2)
Obviamente que consideramos imprescindíveis os  gestores / administradores  hospitalares preocupados com a excelência do  Serviço Publico e que se  articulem na  ação   com  o corpo clínico .( e felizmente ainda os temos ainda em Portugal , veja-se  o exemplo o Hospital São João no Porto)
Fique igualmente claro que não só não  nos opomos mas apoiamos a Medicina privada não dominada ao grupos financeiros e coexista com os Serviços Públicos numa relação de complementaridade, o que é cada vez mais raro. ( Nota )

A manipulação dos afetos


Qualquer   ator economicista ou político   vinculado  a  um  projecto de natureza social    procura  recrutar    o apoio e mobilização da sociedade / opinião publica , desenvolvendo   um articulado  argumentativo  eventualmente  coerente ,  alicerçado na lógica da  realidade  histórica ou  cientifica mas igualmente   em místicas culturais , religiosas, nacionalistas , raciais  enraizadas culturalmente.
Estas lógicas, adotadas muitas  vezes de forma inconsciente  são meras  ferramentas  e  que  não  devem ser avaliadas em abstrato.
Não é indiferente que se utilize um argumento religioso ou de étnico   para defender a nossa comunidade que esta a ser colonizada  ou o de  utiliza-lo como premissa de superioridade do invasor  para  impor-se e conquistar esta mesma comunidade. (Nota)
Desta maneira  , com maior ou menor grau de  sinceridade os protagonistas  em qualquer ação publica , instintivamente   utilizam ou “manipulam”  argumentos de ordem afetiva .
Os implementadores  da  atual reforma hospitalar de Lisboa Central  procuram  identificar -se  como os  continuadores da obra projetada por  de D. João II e concluída por D. Manuel ,  que construíram os Hospital de Todos os Santos e foram os responsáveis pela   1ª grande Reforma Hospitalar que existiu  em Portugal e quiçá na Europa .  A nova  unidade hospitalar veio a centralizar toda a assistência hospitalar dispersa e fragmentada  pelo  Sul do Pais .
Aquele Hospital foi planeado e  construído no  período áureo da nossa História e   reflete   o alto  grau de  civilização que  então tínhamos alcançado.
Os engenheiros e gestores , responsáveis pela atual reforma Hospitalar ,  ao   irmanarem  equipararem o H. de Chelas ao da epopeia  quinhentista,  de  todos os portugueses  devem se  orgulhar , tem por objetivo  a legitimação  do seu projeto e a  mobilização  da  opinião publica. 
O antigo  Hospital  de Todos os Santos  com cerca  de camas , funcionou  durante  200 anos e foi destruído  e consumido pelo terremoto de 1755  e o fogo que se lhe seguiu.
Como recordamos  em outros artigos no Blogue   o efeito destrutivo do terremoto agravou-se devido  características geológicas  aluvionares  do solo da “Baixa de Lisboa”  propicio  a efeitos de “sitio” e liquefação, e  que por  estranha e coincidência são   idênticos ao da  Quinta da Boa Vista onde querem agora  construir  que  seria o seu  homónimo  e brilhante  sucessor. 

Os doentes  daquele  do que antes  fora um  imponente e magnifico  Hospital ,    agora completamente destruído  foram    transferidos para o vizinho   Convento de Santo Antão, localizado na  Colina de Santana,  implantado num solo com geologia   mais estável  de arenitos consolidados  e  que assim  sobrevivera com menos  danos ao terremoto,  depois batizado de Hospital de São José  que   apesar de  múltiplas  adaptações ,  persiste em funções  até aos dias de hoje. 


Com  a evolução do conhecimento medico , nas capitais  mundo civilizado, com a extensão gradativa dos cuidados de saúde a maiores sectores da população, a partir dos meados do século XIX,   se  diferenciaram  novas  especialidades,  justificadas pelas características próprias  das sua patologias, numero de doentes, e grupo etário  e sexo e desta forma  justificando a existência de unidades hospitalares dedicadas .
São estas especialidades  : a Pediatria, Ginecologia Obstetrícia , Infecto Contagiosas ,  e a Doença Mental.
Estas  novas unidades ,  arquitetural e administrativamente autónomas, encontram-se mais ou menos integradas em   centros Hospitalares.   Esta  arquitetura organizacional persiste  no mundo civilizado até aos dias de hoje.
Em Lisboa as unidades Hospitalares correspondentes foram o   Hospital D. Estefânia , maternidade Alfredo da Costa, Hospital Miguel Bombarda e o Curry Cabral.
Decorre deste facto que equiparar   a inovadora   centralização de unidades de saúde fragmentadas  que se alcançou com a criação  do antigo Hospital de Todos os Santos na época quinhentista  com  a diluição , desidentificação  e destruição  de um legado Hospitalar  centenário numa  única unidade  hospitalar  generalista, inicialmente projetada  com apenas 550 camas em substituição as 2200 existentes ( agora dizem que o novo Hospital terá cerca  de 853  camas)  não  é fundamentada nem historicamente nem cientificamente.
Para alem da equiparação abusiva e não fundamentada existem  duas semelhanças entre o atual projeto e o quinhentista:

- o facto de o antigo e projecto do actual  terem sido  implantados em áreas geológicas  de alto risco de destruição no  caso de sismos e que no actual  agrava-se devido    ao facto de Quinta da Bela Vista comportar o “maior risco de vertente”  da área  de Lisboa.!

-  a outra semelhança,  grave tem haver com transferência dos nossos centros de decisão  para o estrangeiro que se  seguiu  a época  Manuelina  com a dominação espanhola . 
Atualmente, pelas mãos destes mesmos gestores,  que se  apresentam  como  os representantes modernos  do período Manuelino , são na realidade a guarda avançada da  grande finança nacional e  internacional ligada a exploração lucrativa da  saúde  e os responsáveis pela destruição do nosso SNS. 

A eles respondemos : 

Lisboa ainda  é a Capital de Portugal e não apenas   uma capital de um dos Municípios  de Espanha. 
Lisboa  não prescinde do  seu Hospital Pediatrico !
Hospital Pediatrico de Madrid
No  Hospital Pediatrico de  Barcelona e  ao contrário do que em Lisboa
os circuitos entre os adultos e crianças são respeitados......


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Hospital Pediatricode Cincinati EUA





Assina : Pedro Paulo M. A.Mendes - Médico Radiologista no Hospital D. Estefânia



Nota1 : Mas mesmo nestes últimos observamos  comportamentos   afetivos  elaborados …. Leonardo Da Vinci dizia “  que se  fosse possível teres consciência  do que vai na mente do teu cão,  serias incapaz de lhe fazer  qualquer mal”…..
Nota 2: 
Qualquer  ser vivo ,  cujos olhos na infância nunca tenham sido estimulados pela luz, mesmo que o venham a ser tardiamente  continuará  irremediavelmente  a ser cego.
Todos conhecemos das dificuldades de aprendizagem   das crianças que tiveram otites de repetição não tratadas, isto   para não nos  referi-mo-nos a outros  exemplos mais elucidativos e assustadores. (Nota )