terça-feira, 3 de setembro de 2019

Uma entrevista dorajosa : O mal de que se queixa o Director do IPO é o mesmo de todo o SNS e em particular do Centro Hospitalar de Lisboa Central e por tabela do Hospital Pediatrico de Lisboa







SNS está a transformar-se no “SNS inglês” e “debaixo do nosso nariz”
João Oliveira O presidente do IPO de Lisboa é um acérrimo defensor do Serviço Nacional de Saúde. “Ainda bem que existe porque tratar de uma pessoa não é coisa que se faça em lojas separadas”, diz
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) inglês “tem o nome, mas o mecanismo em si, a prestação, já não é pública, uma enorme parte é privada”. Hoje é “uma grande central de compras”, enfatiza o presidente do conselho de admnistração do Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, João Oliveira, que alerta para que já começa a acontecer o mesmo em Portugal.  O tratamento do cancro mudou muito nos últimos anos? Mudou, mas a pedra angular do tratamento dos tumores sólidos continua a ser a cirurgia. Actualmente, há uma série de tecnologias que permitem cirurgias mais conservadoras. Por exemplo, antes, nos tumores do recto, tinha que se tirar o ânus. A combinação da cirurgia com a quimioterapia e a radioterapia permitiu uma taxa de curas alta. De há 20 anos para cá, mudou tudo com a cirurgia e com a combinação da cirurgia com os outros meios. Estes são grandes avanços de que se fala pouco. Só se fala de medicamentos… Por que é que isso acontece? Por causa do lobby da indústria farmacêutica? Temos uma focalização nos medicamentos e é certo que melhoraram muito a vida das pessoas. No cancro, as leucemias agudas a partir dos anos 60 passaram a tratar-se e, nas crianças, a taxa de cura é muito alta. Isso aconteceu graças aos medicamentos. A leucemia mielóide, quando comecei, era uma doença crónica e 90 a 95% das pessoas estavam mortas cinco anos depois. Mais tarde, veio o interferão, as transplantações de medula, e depois o imatinib, que foi inventado para bloquear a
alteração genética que está por trás da doença. Agora, à boleia desta invenção e deste resultado, estão a ir muitos outros tratamentos que não têm o mesmo tipo de eÆcácia.  Tem insistido na ideia de que os profissionais de saúde não devem exacerbar a esperança dos doentes. Não há só ciência. É sempre preciso um módico de esperança, mas é responsabilidade dos proÆssionais, até moral, não iludir as pessoas para além do que é razoável. Os médicos sentem a pressão da indústria farmacêutica? Sim. A promoção em torno da grande esperança em relação aos medicamentos é uma pressão muito forte e há diÆculdade de distinguir os medicamentos que são verdadeiramente um progresso dos que são mais do mesmo. Um estudo recente concluiu que entre 68 fármacos aprovados pela EMA [Agência Europeia de Medicamentos, sigla em inglês], entre 2009 e 2013, só 35 demonstraram contribuir para um significativo aumento da qualidade de vida e sobrevida dos doentes. A EMA não filtra o que não é inovação? A EMA é uma entidade industrial. Faz farmacovigilância e o balanço de risco/benefício dos medicamentos. Diz se têm eÆcácia e segurança. Mas é mais estrita com a segurança e por vezes mais permissiva com a eÆcácia. Portugal é dos países mais permissivos. Há poucos medicamentos, como o da hepatite C, que curam? No cancro, há o imatinib [para leucemia mielóide]. Mas a maior parte do tratamento do cancro resulta de um conjunto de intervenções. O medicamento não é uma pedra Ælosofal que muda tudo, como aconteceu com a penicilina. No medicamento para a hepatite C, o que aconteceu é
medicamento que custa cerca de dois milhões de euros] curava a doença. Não leram o que está escrito [nos estudos]. Vá ver em quantos países da Europa, mesmo dos ricos, este medicamento foi comparticipado pelo Estado.  A saúde não é um mercado como os outros, e uma das características que fazem com que isto não seja um mercado é a falta de transparência. Quanto gasta o IPO de Lisboa com fármacos? Dizia no ano passado que era um milhão de euros por semana. Esse valor já está desactualizado. Estamos a gastar mais de cinco milhões de euros por mês, o que dá mais de um milhão, perto de 1,2 milhões de euros por semana. 
Este crescimento da despesa é sustentável? Em 28 Dezembro, vai aparecer dinheiro para pagar às companhias no dia 31 de Dezembro. A saúde está suborçamentada, mas não sei se está subÆnanciada.  A troika não disse para não gastarmos dinheiro, quer saber se conseguimos honrar os nossos empréstimos. E as exigências dos credores são: pagar as dívidas. Com dívidas, ficamos mais à mercê... Se a saúde está suborçamentada, isto predispõe a todos os vieses. Como os orçamentos são em grande parte irrealistas, não há disciplina orçamental. Mas pergunto: a suborçamentação não estará a dar sobreÆnanciamento? Porque no Æm
Entrevista Alexandra Campos
notável, mas não temos nada parecido no cancro para tanta gente. As doenças infecciosas são diferentes. [Aí lida-se] com agentes externos. O cancro é com células nossas. Não é a mesma coisa que dar cabo de um vírus ou bactéria. Não é de tratamento único, é uma estratégia, um conjunto. Justifica-se que os preços dos medicamentos sejam sigilosos, quando a sua introdução nos países está a ser negociada? Repare no que aconteceu recentemente com aquela criança, Matilde, que tem atroÆa muscular espinhal. Eu acredito que aqui funcionou tudo: a crença nos medicamentos, a emoção pela criança, mas houve outra coisa: as pessoas acreditaram que [o
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  Meio: Imprensa
  País: Portugal
  Period.: Diária
  Âmbito: Informação Geral
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acabamos por receber dinheiro para gastos que teriam sido contidos se tivéssemos disciplina orçamental . O ministro das Finanças tem preocupações com o déÆce, como acontece por toda a Europa, limita o mais possível a despesa pública. Contudo, na administração dos hospitais,  a grande diÆculdade é a autorização para contratar novos funcionários. É mais difícil contratar um funcionário para o integrar no hospital do que contratar uma prestação de serviços, fazer outsourcing. Não tem sido fácil obter autorizações das Finanças para a contratação de novo pessoal.  Continua a haver transferência de doentes do privado para o público a meio do tratamento?
“Se os médicos não se põem a pau, qualquer dia desaparecem, qualquer robô faz melhor”, avisa o presidente do IPO de Lisboa. As listas de espera aumentaram muito no IPO de Lisboa? Em 2018, em mais de seis mil operações por ano, aumentou imenso o número de cirurgias feitas no âmbito do SIGIC [Sistema Integrado de Gestão de Inscritos em Cirurgia, que obriga a que, quando se ultrapassa o prazo-limite, o doente receba um vale para fazer a interevenção noutro sítio], mas só 38 doentes quiseram ser operados fora do IPO. Os doentes preferem ser operados no IPO, mesmo que tenham que esperar um bocado mais. A percentagem dos que são tratados fora do tempo máximo de resposta aumentou por via administrativa em 2018 [porque o prazo máximo foi reduzido pela tutela], mas a realidade da espera não se modiÆcou substancialmente. Agora, toda a gente quer que tudo seja mais rápido. Mas, para conseguir-se isso, há reorganizações a fazer. Há muitos médicos a acumular público e privado? Sim, e isso é mau. No IPO, temos um bom núcleo de médicos em dedicação exclusiva, mas gostaríamos que houvesse uma parte mais substancial de médicos e enfermeiros em dedicação exclusiva. A nossa diÆculdade é a de Æxar os proÆssionais que são facilmente tentados por pouco mais [dinheiro] no privado. Como olha para o  que está a acontecer com a ADSE? Não vale a pena falar do elefante que é a ADSE. A ADSE é paga pelos funcionários públicos, mas o seu principal problema actual é não ter, também porque houve falta de investimento em recursos humanos, capacidade de analisar o que paga. A ADSE não tem feito uma avaliação capaz daquilo que
“Só 38 doentes, em mais de seis mil, quiseram ser operados fora do IPO em 2018”
facturam os grandes grupos privados. Tanto quanto percebo, a ADSE tem muitas diÆculdades em analisar a facturação no sentido crítico, clínico, algo que no SNS, apesar de tudo, se consegue fazer. A ADSE é um grande Ænanciador dos hospitais privados, mercê de um grande desequilíbrio informativo, porque visivelmente não tem o aparelho de validação dos consumos que precisava de ter. E não é um puro seguro de saúde, não tem limites de idade, de prestações. Para ser sustentável, não pode pagar acriticamente. Mas todos temos que ter formas de gestão que sejam adaptadas aos constrangimentos que existem actualmente e que continuem a preservar o serviço público, diminuindo a necessidade de recorrer aos privados. Acredita que o cancro vai ter cura dentro de alguns anos? Não. O cancro é nosso… O que pensa da utilização das palavras guerra e guerreiros quando se fala dos doentes oncológicos nos media? Acho que é injusto usar essa metáfora bélica. Pense na angústia da pessoa que não se está a safar, por contraste com os guerreiros.  Com o cancro, a vida está alterada para sempre, não há uma maneira boa de se passar por isto. Mas podemos fazer melhor se não complicarmos a vida às pessoas, se lhes explicarmos as coisas. O principal problema dos doentes é não saberem quando vão ser tratados. Também temos que ser dinâmicos na sua avaliação. Temos que ser médicos, coisa que é cada vez mais difícil. Somos cada vez mais intermediários de tecnologias e a parte relacional perde-se. Se os médicos se não se põem a pau, qualquer dia desaparecem, qualquer robô faz melhor.
Veja o que aconteceu ao SNS inglês: já foi!  É sobretudo uma grande central  de compras 
Temo que estas diÄculdades na contratação de recursos humanos redundem  num aumento  de privatização  do que se faz 
A ADSE é um grande Änanciador dos hospitais privados 
Se os médicos não se põem a pau, qualquer dia desaparecem, qualquer robô  faz melhor 
[No caso do bebé Matilde] as pessoas acreditaram que  [o medicamento de dois milhões  de euros] curava  a doença 
Doentes oncológicos guerreiros? É injusto usar essa metáfora. Pense  na angústia  da pessoa que  não se está a safar
Isto complica a tomada a cargo destes doentes porque o tratamento é uma trajectória que tem que ter um princípio, meio e Æm. Uma das boas características do SNS é a complementaridade. Os tratamentos não são gestos separados, uma PET aqui, uma TAC acolá. Ainda bem que existe um SNS porque tratar de uma pessoa não é coisa que se faça em lojas separadas.  É um defensor acérrimo do SNS. Ainda não vi outra maneira melhor de tratar as pessoas, esta coerência interna do serviço. Veja o que aconteceu ao SNS inglês: já foi. Neste momento, o SNS inglês é sobretudo uma grande central de compras, de outsourcing, e por lei. Os ingleses decretaram que qualquer prestador privado pode prestar serviços em igualdade com o público. Isso pode acontecer em Portugal? Não pode, isto é o que está a acontecer. Não estou a dizer que o Ministério das Finanças faz de propósito, mas temo que estas diÆculdades na contratação  redundem num aumento de privatização. A questão essencial é o risco de que o SNS sirva apenas de plataforma de passagem de dinheiro público para os privados. Na Inglaterra, o SNS tem o nome, mas o mecanismo em si, a prestação, já não é pública, uma enorme parte é privada. É importante que a Lei de Bases da Saúde tenha Ærmado o primado do público em relação ao privado, mas isso não impede esta transposição para o fornecimento externo que está a acontecer debaixo do nosso nariz. Receio que muita da prestação pública possa correr o risco de se privatizar, por ter de se comprar fora.  O SNS está pior ou melhor? Acho que está melhor. É muito fácil atacar o SNS. Mesmo a esquerda faz isso, quando acha que o está a defender e reclama porque agora, em vez de um centro de saúde fechar às 8h00, fecha às 6h00. Que isso seja o essencial da acção na Assembleia da República, que se olhe para a árvore e não para a Çoresta é falta de visão política. 
Leia a entrevista na íntegra em  www.publico.pt
Página

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Plataforma Civica de Defesa do Património do Hospital D. Estefânia e de um novo Hospital Pediatrico para Lisboa foi recebida pelo Presidente da Camâra Municipal de Lisboa Dr. Fernando Medina

 

Quando da preparação da "8ª CORRIDA D. ESTEFÂNIA "a Plataforma Cívica , solicitou entrevista  e foi recebida por  diversas forças políticas com assento na Assembleia da Republica . 

Nestas reuniões  procuramos fazer  sentir que a defesa do Hospital Pediátrico de Lisboa é um objetivo de  importância que  transcende a posição partidária no expectro politico , seja esta de  centro, direita ou de  esquerda  pois  diz respeito a um designo nacional qu é o  direito das nossas crianças a uma assistência médica terciária condigna  com os padrões de civilização atual.   

 Esta  mensagem  foi compreendida  e  agradecemos  a cordialidade e simpatia com que todos nos receberam. 

Esperamos que esta concordância se traduza em factos pois  sabemos estão  em concurso de oito projetos para construção do novo Hospital de Lisboa Oriental  e que entre estas seja escolhido o que contemple um Hospital Pediátrico autónomo.




A entrevista com o Dr. Fernando Medina decorreu no ultimo dia 17 no Palácio do Município  e segue-se  transcrito o agradecimento da Plataforma Cívica.

 

Mario Coelho10:16 AM (3 hours ago)

Attachments 



to pedro.saraiva
Exmo Sr. Presidente Fernando Medina

   Em primeiro lugar não podemos deixar de lhe agradecer o tempo que
dedicou ao Problema do Hospital de D. Estefânia e o genuíno interesse
que revelou sobre os problemas da saúde na Cidade.
   Em anexo enviamos dois Boletins publicados pela Plataforma de Defesa
de um novo Hospital Pediátrico em Lisboa, que expressam as opiniões dos
responsáveis políticos (Boletim nº7-verso) e a nossa opinião sobre o
único plano funcional conhecido (Boletim nº13) para o Hospital Oriental
de Lisboa.
   Se a solução de um hospital pediátrico especializado autónomo (embora
em estreita relação funcional com o hospital de adultos) não se mostrar
de imediato possível, pensamos como menos prejudicial a solução de
construir um Hospital Oriental como inicialmente programado   (com a
vantagem de planos feitos e custos já calculados ) e acrescentar depois,
em proximidade, o novo Hospital Pediátrico, que então substituiria o
actual Hospital de D. Estefânia, (com as suas Equipas e o seu
conhecimento dos problemas). .
   Eliminar um Hospital de Referência como o Hospital de D. Estefânia
seria acontecimento inédito na Europa, onde de novo se vão construindo
Hospitais dedicados ás Crianças  (isto sem esquecer a recente construção
do Hospital Pediátrico em Coimbra e o que se passa no Porto sobre o
mesmo tema.)
    Um erro cometido agora iria perdurar por dezenas de anos, com grave
prejuízo de muitas gerações da Cidadãos..
   A Plataforma fica à sua inteira disposição para qualquer
esclarecimento ou colaboração que entenda solicitar.
    Com os melhores cumprimentos
P´la Plataforma Cívica
António Gentil Martins
Mário Coelho
Pedro Mendes
Ilda Saragoça da Matta
Cristina Coelho

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Ontem dia 11 de Junho no Jornal de Noite da Antena III ouvimos pela boca da represente do PS que no concurso internacional para a constriução do novo Hospital de Lisboa Oriental, 8 (Oito!) projectos concorrentes !


Indagamos ;

 -Se no Juri estarão representados   medicos e outros profissionais de saúde ou apenas gestores e  consultores   de grupos financeiros.

- Se foram nomeados  representantes do corpo clinico do Centro Hospitalar  e nomeamente do  Hospital D. Estefânia.

- Se o Juri  que proceddera  a escolha  é  isento e se  tenha precavido existencia de conflitos de interesse ,   nomedamente que nenhum deles esta ligado aos  grupos financeiros que exploram o negocio da saude.  Não nos esqueçamos que o responsavel pela escolha dos projectos no 1º concurso  nomeadamente  Grupo Mello.

-Se os projectos  serão divulgados  como ocorreu recentemente em Dublin ou serão conhecidos apenas dos  "interessados " e realizado em meados de Agosto de forma a garantir que estejam presentes apenas os"interessados".


No referido debate um dos intervenientes demonstrando  extrema  falta de preparação e ingenuidade  afirmou que as PPPs na saude orresponderam  a um acto de " bondade dos privados"  que vieram  a se susbituir o Estado empobrecido  e que não tinha meios para  construir novos Hospitais quando correspondeu a uma ataque organizado com vista a destruição do Serviço Publico. 

Transcrevo abaixo o link  que poderá ajudar  alguns comentadores  comentadores a não veicularem informações desligadas da  realidade  Salientamos  que no referido  debate se omitiu que a primeira PPP , do Amadora Sintra, ligada  ao grupo Mello foi descontinuada a  devido  sobre facturação de 45 milhoes de Euros em desfavor do Estado ( ou melhor do nosso dinheiro. impostos)

https://www.jornaltornado.pt/lei-de-bases-da-saude-as-acacias-e-o-revisionismo-sobre-arnaut/
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domingo, 31 de março de 2019

A 8 ª CORRIDA D. ESTEFÂNIA - COM AMPLA PARTICIPAÇÃO DO PUBLICO E PROFISSIONAIS É UM EXEMPLO DA TERMINAÇÃO DOS LISBOETAS EM NÃO PERDEREM O SEU HOSPITAL PEDIATRICO.! SENHORES GOVERNANTES , NÃO PERMITAM QUE LISBOA SEJA A UNICA CIDADE DO MUNDO A ENCERRAR O SEU HOSPITAL PEDIATRICO....!!!!!


FAÇA DUPLO CLIQUE SOBRE O TEXTO





Em breve serão publicadas  e disponibilizadas
as fotografias











































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Vai ser debatida na Assembleia da Republica a Nova Lei de Bases da Saude.   Trata-se de uma discussão para aprovação de uma Lei Fundamental que diz respeito a todos os portugueses e em particular aos cuidados  de saúde  pediátricos , não fosse a Lei de Bases de Saude Actual e o projecto PPP para o novo Hospital de Lisboa Oriental  a responsável pelo estado de degradação  do Centro Hospitalar de Lisboa Oriental como denunciaram  em  recente manifesto publico  os  Directores de Serviço.
Segue em anexo alguns sites  com informação  sobre o tema  que consideramos mais esclarecedora

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SITUAÇÃO PENOSA NO SNS ( MEDI.COM 01-2019 PAG 12-15)

Constantino Sakellarides

 Faça duplo clique :

"Situação Penosa no SNS"





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O ESPIRITO DE 45



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 DISSERTAÇÕES SOBRE O COLOQUIO SOBRE A  LEI DE BASES DA SAUDE

Realizou-se no dia 21 de janeiro o Colóquio sobre a Lei de Bases da Saúde promovido pela Associação de Médicos Pelo Direito à Saúde (AMPDS) com o apoio de diversas organizações entre as quais a Plataforma Cascais - movimento cívico.
Na sessão, que encheu a sala 1 da Fundação Calouste Gulbenkian, intervieram para além de Marta Temido,   inistra da Saúde, Ana Sofia Ferreira ('Financiamento em Saúde'),Isabel Loureiro('O Papel do Estado na capacitação dos cidadãos e dos serviços de saúde'),João Oliveira ('O Hospital Público entre a complexidade e a pós-verdade') e Teresa Gago ('A Lei de bases da Saúde: alçapões e lucernas'). O animado debate em que participaram muitos dos assistentes foi moderado por Jaime Mendes, presidente da AMPDS.
Marta Temido

Teresa  Gago

Ana Sofia Ferreira


João Oliveira

Isabel Loureiro

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JORNAL TORNARDO: LEI DE BASES DE SAUDE E SAUDE ORAL

https://www.jornaltornado.pt/a-saude-oral-como-cavalo-de-troia-a-futura-lei-de-bases-da-saude/

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Dissertação de Mestrado sobre as PPP na Europa de Natalia Mendes


Introdução (texto da autoria de Natalia Mendes em tese de mestrado)
O primeiro programa político sistemático de parcerias público-privadas (Private Finance Initiative), foi introduzida em 1992, no Reino Unido, pelo Governo de John Major e prosseguida em 1997 pelo New Labour de Tony Blair. 
Na época, esta opção visava a modernização da governação e a melhoria da qualidade dos serviços públicos. As Private Finance Initiative (PFI) foram consideradas o elemento essencial daqueles objectivos, através da maior participação do sector privado no sector público, pois a experiencia acumulada do sector privado constitui para o sector público uma mais-valia. 
Esta opção provocou uma alteração no paradigma dos serviços públicos, passando o Governo Britânico a recorrer de forma sistemática para o seu financimanento, concepção, construção, manutenção e gestão ao sector privado.
A diversidade de PFI no Reino Unido vai desde as áreas de transporte, ensino, saúde, infra-estruturas, bem como de serviços relacionados com sistemas de informação, ambiente, centros de lazer e equipamento militar.
Na Europa Continental, as Parcerias Publico-Privadas (PPP) têm tido um desenvolvimento mais lento e mais heterogéneo do que no Reino Unido, consequência das diferentes tradições políticas distintas da tradição anglo-saxónica. 
Salienta-se que os países mediterrânicos enveredaram mais cedo pelas PPP por via de concessões rodoviárias. Em Espanha á algumas décadas e em Portugal desde do inicio dos anos 90 do século passado.
Observa-se que os países germânicos e escandinavos surgem como países avessos às PPP. Pode-se incluir neste grupo de países, a Holanda, apesar das suas “pioneiras” experiências. No seu cômputo geral apresenta uma situação análoga à germânica e escandinava.
Importa salientar que nos últimos anos, a União Europeia promoveu as PPP, com diversas recomendações publicadas por diferentes organismos europeus. Agora, de forma genérica, é recomendado que cada projecto seja objecto de uma prévia e adequada avaliação e exige-se rigor, transparência e um eficaz controlo público da execução do contrato e dos serviços prestados pelo sector privado.
PARCERIAS PUBLICO-PRIVADO NA ÁREA DA SAÚDE NA EUROPA
A experiência de parcerias publico-privadas, no âmbito dos sistemas públicos de saúde encontra-se em profunda mutação em vários países. Na década de 90 apareceram três modelos de parcerias em função de diferentes perspectivas: grau de envolvimento do sector privado, grau de transferência de risco (do sector publico para o sector privado), amplitude do objecto contratual, mecanismo de pagamento e de financiamento.
O modelo do Reino Unido que assenta na prestação por parte do operador privado, de um pacote de serviços que compreende os serviços de infra-estruturas e os serviços de apoio logístico de 1.ª linha e 2.ª linha, durante o período do contrato. 
O modelo da Austrália (estado da Vitória) envolve a contratação dos serviços clínicos e o desenvolvimento de infra-estrutura hospitalar por um operador privado, não prevendo a sua reversibilidade para o sector público no termo do contrato.
E por ultimo, o modelo da Espanha (da Autonomia Regional de Valência) traduz-se num contrato do tipo de concessão administrativa, que abrange a construção, financiamento de novas unidades hospitalares e a prestação de serviços clínicos por um período de 10 anos, com renda per capita. Neste contrato encontra-se prevista a transferência da unidade para o sector público.
O modelo adoptado em Portugal poderá ser considerado um 4.º modelo. Difere dos três modelos anteriormente apresentados, pois consiste no contrato de gestão de inclui uma sequência de actividades: concepção, construção, financiamento, manutenção, exploração dos activos infra-estruturais e gestão geral do hospital na qual se inclui a própria prestação de serviços clínicos (Simões, 2004).
Em Portugal
O abandono da construção hospitalar por projeto publico acontece no Cavaquismo com a chamada construção chave na mão, que mais não é que a entrega da construção apenas com base num programa e com o projeto da responsabilidade do empreiteiro. O financiamento era publico e a exploração igualmente publica.
Assim aconteceu com o Hospital de Matosinhos que foi adjudicado por 21M€ e custou 52M€ e o de Leiria foi adjudicado por 19M€ e custou 46M€ (preços da época). 
A situação alterou-se substancialmente com o Hospital Amadora-Sintra que foi adjudicado em 1989, por 7,9 milhões de contos, com um prazo de 3 anos e 4 meses e foi concluído em fim de 1994 com um custo de 20 milhões de contos. Inicia a actividade em 1995, em regime público e através do Concurso Público 8/94 no qual participaram a Cross e um consórcio liderado pelos Melos, aquela posteriormente adquirida por estes após ter prestado o serviço de concorrente, a gestão do Hospital é privatizada. Com um orçamento público previsto para 1996 de 7.078.000/ano, a sua gestão é entregue aos Melos por 7.808.567 contos/ano.
As Parcerias Público Privadas (PPP) são o estádio mais elevado da privatização de serviços de saúde onde o Estado entrega o projecto, a construção, o financiamento e eventualmente a exploração a um grupo económico privado.
O XIV Governo Constitucional, com o Ministro Correia de Campos no Ministério da Saúde, inicia um debate sobre a metodologia a adoptar para a construção hospitalar. Foram encaradas as hipóteses das parcerias publico-publico e publico-privado, acabando por ser anunciada a 1.ª vaga de Parcerias Publico Privadas em Julho de 2001. Esta opção é confirmada pelo Governo seguinte, em Maio de 2002, então liderado por Durão Barroso e que incluía os hospitais de Loures, Cascais, Braga, Vila Franca de Xira e Sintra. Estas parecerias previam a amortização do investimento e a gestão da infra-estrutura por um prazo de 30 anos e a gestão clínica no prazo de 10 anos.
Ainda em 2002, é anunciada a 2.ª vaga de Parcerias Publico Privadas, esta sem gestão clínica para os hospitais do Algarve, de Évora, da Guarda, da Povoa de Varzim e de Vila Nova de Gaia. Mais tarde, em 2005, foi incluído nesta a vaga, o Hospital de Todos os Santos.
Importa salientar que em 2001 pelo despacho de nº 20821/2001, publicado em DR nº 231 de 4/10/2201, foi exonerado o Giretor Geral da DGIES, este organismo foi extinto e o seu resto aloja-se na ACSS, as direções regionais foram integradas nas ARS e desapareceram. Da administração publica desapareceu o organismo que tinha conhecimentos e capacidade para dirigir a construção hospitalar.
Só passados quase 10 anos foi inaugurado o primeiro hospital, o de Cascais em 23 de fev de 2010, o de Braga em 13 de maio de 2013, o de Loures em 10 de março de 2012 e o de Vila Franca em 22 de maio de 2013. O hospital de Sintra foi entregue á Camara de Sintra e escandalosamente sem camas apesar do Plano Diretor Regional prever 320 camas. Mas encontra-se em fase de acabamento o hospital Cuf Sintra, este com internamento.
Todos estes hospitais são de 1ª vaga com gestão clinica incluída, somando no total e atualmente 1683 camas.
O Hospital Oriental cujo inicio de atividade esteve previsto para 2012, 2016, 2019 e 2021, está agora previsto para 2023 (OE 2019), depois de concluído o concurso para apresentação de propostas e com assinatura de contrato prevista para 2018. Mas supomos que foi mais um anuncio em vão.
 O novo hospital de Évora, cujo projeto foi iniciado em 2010, com 350 camas, travado em 2011, novamente anunciado em 2015 e 2016 e em 19 de janeiro de 2018 anunciada pelo Primeiro Ministro a atribuição de 40 milhões de euros para o arranque do Hospital (OE 2019). Em junho 2018 o Presidente da ARS Alentejo diz que tudo está a ser feito para lançamento do concurso publico internacional para a construção do novo hospital em Évora ainda no ano de 2018. Afinal não foi verdade.
Conclusão
Podemos concluir que a renovação hospitalar publica em Portugal, desde que decididas as PPP, se encontra estagnada e substituída pelo negocio privada, agora pelos grandes grupos económicos. Ou através das PPP, com todos os riscos para o Estado, ou através do seu próprio investimento como se vê no quadro seguinte após 2005. Tudo isto da responsabilidade do PS e PSD.