terça-feira, 29 de março de 2022

COMO SE DESTROE UM HOSPITAL PEDIATRICO ? NA UCRANIA , PUTIN COM BOMBAS.....EM PORTUGAL COM O DESINVESTIMENTO CRONICO A TODOS OS NIVEIS COM OBJECTIVO DE NO FUTURO FAVORECER O GRANDES GRUPOS DE SAUDE PRIVADOS QUE JÁ CONTAM COM " OS CLIENTES PEDIATRICOS" PARA OS SEUS HOSPITAIS . NAS DUAS CIRCUNSTANCIAS ESTA SUBJACENTE IGNORÂNCIA . PREPOTÊNCIA E INSENSIBILIDADE.

     EXPRESSO 2022-03-28



"Hospital Dona Estefânia está sem exames à noite por falta de médicos"

 

https://expresso.pt/sociedade/2022-03-28-Hospital-Dona-Estefania-esta-sem-exames-a-noite-por-falta-de-medicos-317dac5a

 


Urgência está sem TACs e outros exames de imagem desde domingo. Administração do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC), que engloba o Estefânia (o maior hospital pediátrico do país) garante que nenhuma criança fica sem os exames necessários. Nenhuma outra das unidades do CHULC tem radiologia pediátrica


28 MARÇO 2022 17:43
Vera Lúcia Arreigoso


Jornalista  Expresso
As crianças que entrem na Urgência do maior hospital pediátrico do país, o Dona Estefânia (Lisboa), durante a noite não têm acesso a exames de imagiologia.

Isto porque os serviços de TAC e outros meios complementares de diagnóstico de imagem estão indisponíveis desde o passado domingo, entre as 20 horas e as primeiras horas da manhã, por falta de equipa clínica.

Ao Expresso, a administração do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) confirmou a falta de cuidados, garantindo que nenhuma criança fica sem os exames necessários, embora sem adiantar como estão a ser efetuados atualmente.

"O CHULC regista ausências de profissionais por razões de saúde e de parentalidade e está a procurar resolver a dificuldade pontual da imagiologia, quer internamente quer recorrendo a contratação externa. Em todo o caso, ninguém fica por atender."

O Expresso já voltou a questionar o centro hospitalar sobre o que está a ser feito e para quando se prevê uma solução e aguarda os esclarecimentos. Importa sublinhar que nenhuma outra das unidades do CHULC, como o Hospital São José, tem radiologia pediátrica. Na Maternidade Alfredo da Costa, também integrada no CHULC, há imagiologia para utentes não adultos, mas apenas para recém-nascidos.

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 Outras interpretações possiveis :

Algumas contradições que estão na origem da falta de profissionais e que são omitidas, mas que gostaríamos de ser esclarecidas   pelos Gestores /Administradores do CHLC

- Quantos médicos foram contratados em substituição dos médicos radiologistas Pediátricos que se reformaram nos últimos anos o que tem levado a sobrecarga dos restantes? Segundo consta nenhum.

- Como se explica que  na  resposta do Conselho de  Administração a Jornalista do Expresso estes se  referem sempre “a médicos em geral” “esquecendo-se" que os especialistas em falta são médicos radiologistas pediátricos , competência  esta que exige  vocação e formação especificas  pois a sub especialidade de radiologia pediátrica é reconhecida internacionalmente  e que o seu tirocínio segundo o currículo europeu deve ser realizada num Hospital Pediatrico e que deixará de existir no   Hospital Generalista de Lisboa Oriental  que será construído em regime de PPP pela Somague no Vale de Chelas  ( nota 1)   e que transformará  Lisboa em uma exceção ao tornar-se uma das únicas capitais da Europa desprovidas de Hospital Pediatrico.

-Se é verdade que de facto que os Srs. Gestores estão consequentemente empenhados em resolver o problema e não apenas adia-lo   porque não pugnaram por extirpar o mal pela raiz exigindo ao Ministério da saúde a revogação o conjunto de medidas neoliberais implementadas quando do Ministério da Saúde de Correia de Campos e que tiveram como objetivo a sangria dos quadros médicos especializados para os Hospitais privados.

-Dentre as medidas legislativas   desestruturantes do SNS que aquele Ministério implementou   realçamos duas:

1 - Extinção das carreiras médicas e sua substituição pela contratualização de forma a quebrar/ enfraquecer os laços dos profissionais com o SNS e a prestação do serviço publico pela mercantil aliciando os melhores profissionais com a oferta de salários maiores.

2- Pela obrigatoriedade de os Conselhos de Administração em autorizarem a redução da carga horaria quando solicitado pelos profissionais em acumularem horários com o Serviço Publico e permitir que trabalhem nos Hospitais Privados. Esta medida traduz-se numa diminuição efetiva da disponibilidade de profissionais para organizar as equipas de urgência. A revogação destas medidas obviamente terá que se fazer acompanhar de um pagamento condigno aos médicos que trabalham no SNS.

Finalmente indagamos porque os atuais Administradores, Gestores / Ministério da Saúde não implementam a concentração do conjunto da Urgência Pediátrica da área Metropolitana   de Lisboa num único Hospital Infantil aberto 24 horas.   e que poderá integrar da totalidade dos médicos radiologistas pediátricos disponíveis,  que nas circunstâncias de dispersão   quórum para organizar escalas de urgência  noturna nos  hospitais.

A economia de escala possibilitará uma melhor gestão de pessoal e dos equipamentos.

Nota 1: Concurso ganho pela Mota Engil e de cujo projeto e seleção  estiveram ostensivamente excluídos os representantes dos médicos pediatras. (ver neste blog entrevista do Dr. Gonçalo Cordeiro Ferreira ao Jornal Expresso)

 


 

sábado, 11 de dezembro de 2021

PARABENS PORTUENSES ! VALEU A PENA LUTAR! FINALMENTE SERÁ INAUGURADA A ALA PEDIATRICA DO HOSPITAL S. JOÃO

 

  Arquivo de Hospital de São João | PIPOP - Portal de Informação Português de  Informação Pediátrica

18/10/2021Ao fim de 12 anos, o "Joãozinho" - nome atribuído à ala pediátrica que esteve a funcionar em contentores -, está a mudar de casa e vai fixar-se ...

Dia 11 de Dezembro de 2021 será inaugurado o Joãozinho, a ala pediátrica do Hospital São João, na cidade do Porto, mas que na realidade pode-se considerar um Hospital Pediatrico, pois localiza-se num espaço e edifício próprios no Campus do Hospital São João, que foi construído de raiz com os seus serviços exclusivamente dedicados ao tratamento das crianças.

Para quando Lisboa seguira os exemplos de Coimbra e do Porto exigindo dos órgãos de poder político a defesa do seu Hospital Pediatrico!

 

Vídeos

há 6 horas

domingo, 24 de outubro de 2021

AINDA É TEMPO DE CORRIGIR UM ERRO ! Uma proposta a analisar.

 Recebemos este texto por mail,. Por lapso de quem o enviou . não veio acompanhado da ultima pagina  com a  identificação do autor, falha que corrigiremos logo que possivel. 

Tratando-se de uma proposta  bem fundamentada e  que independente da nossa opinião  merece estar em cima da mesa e analisada conjuntamente com as outra  que  ao contrario desta, se encontram encerradas nos gabinetes.,,,,,

"Carta Aberta ao Sr. Primeiro-ministro

 

Ainda é tempo de corrigir um erro!

 

Vem de longe a ideia de reunir num só os chamados “hospitais civis de Lisboa”. Hoje são 6, a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), o Hospital Dona Estefânia (HDE), Hospital Curry Cabral (HCC), Hospital Santo António dos Capuchos (HSAC), Hospital de Santa Marta (HSM) e Hospital de São José (HSJ). Funcionalmente reunidos no Centro Hospitalar de Lisboa Central (agora universitário-U) (CHULC), estes seis hospitais são pilares da saúde em Lisboa e foram palco de importantes páginas da saúde, da ciência e da história de Portugal, uma das quais foi a realização da primeira angiografia por Egas Moniz (no Hospital de Santa Marta, então ligado à faculdade de Medicina). Houve também momentos dramáticos, como o socorro a Miguel Bombarda no dia do seu assassinato em 3/10/1910., ou com simbolismo religioso como a morte de Jacinta Marto (posteriormente canonizada) em fevereiro de 1920 no HDE.

A estes seis hospitais não se junta hoje o “braço” Psiquiátrico, o Hospital Miguel Bombarda, porque foi, entretanto, extinto em 2010, razão pela qual não há hoje neste conjunto um serviço de Psiquiatria (foi também extinto o Hospital do Desterro onde havia um importantíssimo serviço de dermatologia, hoje no HSAC e o hospital de São Lázaro, com a Ortopedia, hoje no HCC). Apesar de tudo o que aconteceu, entretanto, este é ainda um centro hospitalar munido de todas as áreas da medicina, com avançada tecnologia, e profissionais muito qualificados e experientes, fruto não só da formação médica em Portugal, mas também de uma continuidade histórica centrada na clínica e na passagem de conhecimentos ao longo de gerações de médicos e enfermeiros.

Neste centro hospitalar existem 3 urgências abertas 24 horas por dia, 365 dias por ano, ou seja, de ginecologia-obstetrícia (MAC), de pediatria (e respectivas subespecialidades- HDE) e de adultos (também com as suas especialidades-HSJ). Pode dizer-se que, contando com a continuidade temporal com o histórico Hospital de Todos os Santos, a urgência está aberta desde os descobrimentos no século XVI. A mudança fez sempre parte deste conjunto de hospitais, assim como a sua capacidade de, mais do que acompanhar, ser motor de avanços científicos e médicos. Lembramos o nascimento, ainda recente, de um bebé de uma mãe longo tempo sustentada em morte cerebral, um dos poucos casos no mundo ou as centenas de transplantes de fígado, rim, coração e pulmão que aqui têm lugar. Nem sempre é perceptível pelo público a complexidade e importância do que se faz nesta enorme instituição.

            Estando há anos em curso um processo de fusão de instalações, com avanços e recuos, pensamos que uma resolução responsável deste processo será fundamental para a saúde não só na cidade de Lisboa, mas também do país, pois como centro de referência, aqui são recebidos doentes de todo o continente e ilhas e, particularmente no HDE, muitos provenientes dos PALOP.

A solução até agora proposta tem sido o simples encerramento dos hospitais e a sua fusão num só, o agora chamado Hospital de Lisboa Oriental, visto que o nome originalmente proposto o de Hospital de Todos os Santos , com ressonância histórica e agregativa, teve de ser sacrificado por displicência do Ministério da Saúde na litigação com entidade privada. (ver imagem 2). Esta solução parece-nos perigosa e insuficiente. Perigosa porque a concentração num só edifício de uma realidade médica complexa e muito extensa irá retirar a elasticidade e a capacidade de adaptação que estes 6 edifícios têm proporcionado ao centro hospitalar. Recordamos que o CHULC tem uma capacidade harmónica, isto é, de aumento de camas, bastante grande e que, com a pandemia Covid-19, foi fundamental não só para poder responder à brutal procura de camas de cuidados intensivos e de enfermaria, mas também contar com espaços livres e separados fisicamente entre si para poder conter o contágio do vírus dentro da instituição. Não deixa de ser paradigmático que, em instalações que se pensavam já dispensáveis, foi no quase defunto Hospital de São Lázaro que foi possível montar o atendimento Covid-19 de ambulatório ou vacinar mais de 800 profissionais de saúde num só dia!

Perigosa ainda porque sabe que, em caso de sismo, será mais prudente ter instalações suficientes com diversos edifícios do que estar confinado a apenas um numa zona periférica da cidade. Outras calamidades, quer sanitárias quer ambientais, podem, no médio e longo prazo, surpreender-nos. O centro hospitalar será sempre chamado a estar na “linha da frente” de todos esses combates.

Não ignoramos os custos de manutenção e transporte actualmente existentes entre edifícios. Por isso, pensamos que a solução mais inteligente, mais duradoura e mais segura seria manter o hospital Dona Estefânia, aproveitar o terreno e alguns edifícios do Hospital Miguel Bombarda para fazer um centro de ambulatório onde os acessos de transportes são acessíveis para o doente, e recorrer ao terreno hoje da Academia Militar (AM) (contígua ao HDE e HMB) para a construção da componente de internamento e urgência de adultos, incluindo uma Maternidade. A proximidade entre estes três espaços (ver imagem 1) permitiria abrir corredores de circulação, eliminando os custos de transporte (uma das principais queixas das administrações), manter o hospital Dona Estefânia e a sua mais valia para a saúde infantil em Portugal, e ter uma urgência de adultos e respectivos serviços hospitalares num terreno grande, o da academia militar, com bons acessos e heliporto, separados da zona de ambulatório (o que traria vantagens logísticas e epidemiológicas) por uma rua (a rua Dona Estefânia). Esta solução permitiria ainda manter o hospital junto da Faculdade de Ciências Médicas, ao qual está ligado, como grande centro universitário. A ligação entre a maternidade e o HDE , separados por uma rua (rua Jacinta Marto) permitiria finalmente recriar um importante polo materno-infantil. A proximidade com a faculdade (há poucos anos com um conjunto renovado de edifícios e biblioteca) é vital para o progresso científico da saúde num dos maiores hospitais do país. Além de tudo isto, a questão fundamental do número atual de camas, cuja redução prevista para o hospital de Lisboa Oriental trará problemas insolúveis à gestão dos recursos de saúde na cidade de Lisboa, ficaria também resolvida. Tão importante como o número absoluto das camas é a especificação das mesmas. A nova estrutura hospitalar programada não responde à emergência de situações pandémicas, pois não tem nem vocação nem muito menos espaço para albergar e isolar serviços de infeciologia com a dimensão dos atuais nos hospitais HCC e HDE. Seria também avisado manter pelo menos parte dos edifícios e terreno envolvente do HCC como reserva para as tais situações epidemiológicas extremas – pandemias- ou catástrofes naturais.

Lembramos que a ideia de retirar hospitais do centro das cidades já teve o seu tempo. Por exemplo, em Paris o Hôtel Dieu não fechou. Madrid, Roma, Barcelona, Londres , Berlim são também cidades europeias em que grandes hospitais centenários e localizados no seu centro urbano não foram encerrados , pelo contrário têm beneficiado de obras de rejuvenescimento. Seremos nós melhores planificadores que as autoridades de saúde e municipais desses países? Ou seremos nós que estaremos a ir a contra-ciclo, tomando decisões irreversíveis, com prejuízo para a saúde dos nossos cidadãos? Acrescentamos, ainda, que os terrenos do HDE foram destinados legalmente à saúde infantil. Sabemos que existem diversos interesses em conflito no espaço urbano, desde logo actividades turísticas, habitação e serviços sobre os quais não nos pronunciamos. Contudo, estando em curso em Lisboa a retirada de instalações militares do centro da cidade, uma troca de terrenos com o Ministério de Defesa abriria a possibilidade de haver melhorias muito grandes para a saúde de todos, mantendo-se o terreno do agora futuro hospital oriental disponível para a construção de habitação,  (a que entretanto foi anunciada para ser feita no terreno do hospital Miguel Bombarda), e ainda, enormes áreas e edifícios para destinos vários em todos os outros hospitais a desocupar: MAC, HSJ, HSAC,  HSM e uma parte do HCC .

Senhor Primeiro-ministro apelamos ao seu sentido de estado e à natural vontade de deixar um legado duradouro aos portugueses. A construção de uma unidade hospitalar com esta dimensão, correspondente á que foi a do Hospital Santa Maria na década de 50 para o Estado Novo, não pode estar envolta em secretismo dentro de gabinetes dos ministérios da Saúde e das Finanças. Tem de ser debatida por todos os interessados, profissionais, utentes, munícipes e autarcas. Não há memória num país desenvolvido e democrático em que isto não tenha acontecido.

Se isso tivesse acontecido desde a génese do processo, seguramente não estaríamos aqui , mas nunca é tarde para corrigir um erro, depois será tarde de mais e ninguém ficará a ganhar."

 

 

Figura 1 : imagem aérea do terreno do HMB, Academia Militar e HDE

 

 

 

Imagem 2: terreno do futuro hospital de Lisboa Oriental.